quarta-feira, 2 de maio de 2007

HARRY E SALLY - FEITOS UM PARA O OUTRO

Harry e Sally - feitos um para o outro (When Harry met Sally, 1989)
Dirigido por Rob Reiner
Por Flávio Brun

A premissa de que homens e mulheres não podem ser apenas amigos é o tema principal de "Harry e Sally", mais uma comédia romântica no interminável mar de filmes do gênero - e não apresenta nada que já não tenha sido visto previamente.

Harry e Sally se conhecem em uma viagem de carro de Chicago a Nova York e, durante essa viagem, resolvem conversar. Ao fim da jornada, os dois se dão conta que não têm nada a ver um com o outro e cada um segue seu caminho até, cinco anos mais tarde, se reencontrarem por acaso. Ainda com as conversas da viagem na cabeça, Sally se convence que Harry não presta e ignora-o, até os dois se reencontrarem mais cinco anos depois. Nessa ocasião, os dois recém terminaram seus relacionamentos e acabam se tornando amigos, o que é totalmente contrário às crenças de Harry, que afirma que não há a possibilidade de duas pessoas de sexos opostos serem amigas sem que haja desejo sexual de uma das partes. Isso é pela metade do filme, e a segunda metade desenvolve os personagens e a evolução de sua amizade.

Como o gênero "comédia romântica" já foi explorado inúmeras vezes, "Harry e Sally" não apresenta nenhuma inovação - apenas lançou Meg Ryan ao estrelato, e a mesma aqui mostra o primeiro exemplo de seu gênero próprio de cinema. A definição de um "filme Meg Ryan" é comédia romântica, em que o casal sempre se odeia mas de alguma maneira acabam juntos (além, é claro, de terem Meg Ryan no papel da mocinha). Os principais representantes desse gênero são "Sintonia do amor", "Mensagem pra você" e "A lente do amor" (note que a palavra "amor" também é quase um pré-requisito aqui nas terras tupiniquins).

"Harry e Sally" é um filme de tom bem episódico, com cada período da vida deles sendo um segmento. Entre cada um desses "pedaços" de história, temos um casal de velhinhos diferente dando um depoimento de como se conheceram e algo curioso sobre suas relações e esses comentários servem para contrastar com a relação do casal-título do filme. Os dois passam por mais baixos que altos, mas desde que os dois se conhecem no começo do filme (e também com a ajuda do subtítulo infame "feitos um para o outro), sabemos a que conclusão a história chegará - assim como os outros filmes "Meg Ryan" (previsibilidade é outra característica do gênero).

A estrutura narrativa da obra lembra muito alguns filmes de Woody Allen ("Noivo neurótico, noiva nervosa", por exemplo), e também encontramos inúmeras referências a cultura pop - quem nunca assistiu "Casablanca" não deve assistir esse filme, pois há uma discussão filosófica sobre o final do clássico. Em diversas cenas encontramos "split-screens" (cenas em que a tela é dividida para mostrar duas ou mais coisas ao mesmo tempo) e essas são usadas com efeito e maestria, como em uma cena em que um casal amigo de Harry e Sally falam ao telefone com os dois, um em cada linha, tornando a situação mais engraçada do que realmente é.

A produtora Nora Ephron - que alguns anos mais tarde viria a se tornar diretora - é uma das responsáveis pela criação do gênero Meg Ryan (ela quem dirigiu "Sintonia do amor" e "Mensagem pra você). Aqui ela produziu (e escreveu) um dos melhores filmes desse gênero único e que foi copiado diversas vezes sem sucesso - apenas Meg Ryan consegue ser Meg RYan. Apesar de ser um filme eficiente, não é um bom exemplo de uma comédia hilária - possui apenas algumas cenas (um pouco) engraçadas - e como drama também não é muito funcional. O que faz o filme funcionar é a mistura de todos os elementos (e, óbvio, a Meg Ryan).

Por parte do elenco não há grandes reclamações. O personagem de Harry, interpretado por Billy Crystal é tão irritante quanto o ator em si, o que cai bem na tela e permite ao expectador partilhar das opiniões de Sally quanto ao mesmo. Meg Ryan é quem carrega o filme (não custa lembrar que é um filme de um gênero próprio da atriz) e interpreta realmente bem a personagem de Sally, passando por toda a metamofose do mau gosto dos anos 70-80 e finge orgasmos de modo que seria impossível duvidar de que não era verdadeiro a não ser pelo lugar onde isso acontece. Uma surpresa agradável no elenco de suporte é Carrie Fischer, que aqui aparece sem a famosa combinação de penteado exótico e biquíni dourado de "O retorno de Jedi". Apesar de fazer um papel totalmente diferente da princesa Leia, Carrie Fischer ainda assim continua com a mesma expressão que manteve durante toda a trilogia de "Star Wars", mas pelo menos é bom ver um rosto familiar em um papel diferente.

Quem já viu um filme "Meg Ryan" já viu todos, porém vale a pena dar uma conferida nesse, nem que seja para ver a clássica cena do orgasmo falso ou ver Carrie Fischer sem seu penteado de princesa Leia. Apenas deve se ter em mente que a vida não vai mudar após assistir o filme e que o cérebro pode ser esquecido no armário antes de assistí-lo.

3 comentários:

Fernanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda disse...

A primeira vez que eu vi esse filme eu odiei!
Mas pra tirar a teima, assisti outra vez e até que ele é legal!
O único problema do filme é o Billy Crystal (não é um problema pequeno, já que ele é um dos personagens título), acho esse ator irritante! A solução é imaginar que Harry está sendo interpretado por outro ator que o filme fica bom! hehehe

Continue escrevendo suas críticas, Flávio!
Bjs!

rafael clark disse...

Eu gostei deste filme, mas moderadamente. Entre os "filmes Meg Ryan", prefiro Mensagem Para Você mesmo.
Eu adoro a cena em que ela simula um orgasmo no restaurante, para vexame do Harry. Esta é a melhor!