<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107</id><updated>2012-02-17T03:16:38.545-08:00</updated><title type='text'>Pipoca com sabor de cinema</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-2464621271888251942</id><published>2008-02-25T13:00:00.000-08:00</published><updated>2008-02-26T06:14:35.370-08:00</updated><title type='text'>EM SEU LUGAR</title><content type='html'>Em seu lugar (In her shoes, 2005)&lt;br /&gt;Dirigido por Curtis Hanson&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/R8MtSL6jBdI/AAAAAAAAAHA/yaLdiLqc7Y4/s1600-h/in+her+shoes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/R8MtSL6jBdI/AAAAAAAAAHA/yaLdiLqc7Y4/s320/in+her+shoes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171026587610711506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rosie Feller (Toni Collette) possui muitos sapatos. Seu closet parece uma seção de uma sapataria, pois, de acordo com ela, comprar sapatos é bom porque não ficam feios nela, que está alguns quilinhos acima do peso. Sua irmã Maggie (Cameron Diaz) acha que é um crime que tantos sapatos tão bonitos fiquem lá parados, e tenta fazer com que eles "aproveitem a vida". À primeira vista, essa sinopse dá a impressão de que este é apenas um clássico filme direcionado apenas ao público feminino e sem profundidade nenhuma, mas não o é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título original do filme, "In her shoes", se traduzido ao pé da letra seria "nos sapatos dela". E sapatos é o que não falta aparecer. São muitas as cenas em que a primeira parte da pessoa a aparecer são os sapatos, o que dá um certo ar de identidade ao filme além de ajudar a deixá-lo mais estilizado. Eles exercem um papel importante no filme, sendo usado diversas vezes como razão para as irmãs discutirem (qual a dupla de irmãs que nunca discutiu por uma usar o vestuário da outra?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida de Rosie não é das mais agradáveis. Descontente com sua aparência e insegura por natureza, ela é a personificação da mulher independente: trabalha como advogada em uma grande empresa, tem sua estabilidade financeira, solteira e infeliz. Sua rotina é basicamente trabalho-casa-trabalho. Ocasionalmente se encontra com uma amiga (Brooke Smith), que muitas vezes acaba sendo sincera demais. Mais freqüentemente que o desejado, Rosie acaba tendo que "salvar" sua irmã de alguma encrenca - o começo do filme mostra uma dessas, em que Maggie fica bêbada e desmaia durante uma reunião de veteranos de sua escola. Como a vida amorosa de Rosie é quase nula, nas poucas situações em que ela consegue alguém para matar sua carência ela tira fotos, para se convencer de que o que aconteceu foi real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para contrastar com Rosie, sua irmã Maggie é totalmente dependente. Aos vinte e vários de idade (senão trinta e poucos) ainda mora com o pai (Ken Howard) e sua detestável madrasta (Candice Azzara), cujo único assunto é sua filha a qual se refere como "minha Marcia" e que expulsa Maggie após ela voltar bêbada para casa. Incapaz de permanecer em um emprego (uma das melhores risadas proporcionadas pelo filme é a explicação do motivo de ela ter perdido um dos empregos), Maggie vai morar com a irmã, que tenta de todas maneiras lhe conseguir um emprego, mas Maggie tem um problema: sua capacidade de raciocínio e leitura são muito abaixo do normal. Após algum tempo, o atrito entre as irmãs cresce de tal maneira que Rosie se vê obrigada a mandar a irmã para a rua e as duas se separam com uma grande dose de amargura de ambas as partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar a galeria de personagens, há ainda a avó das garotas, Ella (interpretada pela já lendária Shirley MacLaine). Ella foi afastada das meninas após a morte intencional de sua filha, mãe das protagonistas, e perdeu o contato com as mesmas desde então e agora vive em um tipo de resort para idosos. Sem lugar para onde ir, Maggie descobre o paradeiro da avó e vai morar com ela, mas apenas por comodidade, e não afeição. Com o tempo, Maggie acaba descobrindo seu lugar e se transforma em uma pessoa totalmente diferente da vista no começo do filme, seguindo a tradição do cinema clássico de que os personagens quase sempre devem ter um arco de evolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme vencedor do Oscar de melhor filme de 1988, "Rain man", também tratava das relações de irmãos. Ambos os filmes tentam enfatizar as relações de fraternidade dos seus protagonistas, e conseguem com sucesso. "Em seu lugar" pode ser visto como uma visão mais açucarada e menos profunda de seu predecessor. Além disso, os pares de irmãos dos dois filmes seguem o mesmo padrão: um deles é independente (Tom Cruise, em "Rain Man") e o outro possui algum problema mental (Dustin Hoffman, no filme de 1988). Claro que ao passar para o universo feminino e em uma comédia, algumas coisas tiveram que ser atenuadas. O problema mental de Maggie é dislexia e QI baixo, enquanto o Raymond de "Rain Man" era autista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes que tentam enfatizar em relações familiares tendem a ser manipuladores em excesso e, felizmente, "Em seu lugar" consegue evitar bastante isso, mas não que esteja livre de seus problemas. Uma cena perto do fim do filme é o exemplo disso, mas provavelmente foi utilizada apenas para extrair uns "ooohhh" e "aaahhh" da platéia. Os vários pontos altos que "Em seu lugar" são os dramas de Maggie. Sua personagem é de longe a mais complexa, e responsável pela maior parte das reações ao filme. O relacionamento com sua avó, que começa frio e materialista, se torna afetivo e amigo com o passar do tempo. O senhor do asilo para quem Maggie lê, parece ter como único propósito explorar a fraqueza da garota e expandir seus horizontes, e também para justificar a cena do fim do filme mencionada anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de uma história boa e relativamente bem contada, "Em seu lugar" também conta com atuações de peso por parte de todo o elenco. Cameron Diaz mosta aqui seu lado dramático e prova que seu talento não se limita apenas a comédias adolescentes e é capaz de comover e rir em um mesmo filme. Toni Collette, a Muriel de "O casamento de Muriel" e a mãe do menino assombrado por fantasmas de "O sexto sentido" volta em mais uma ótima interpretação, mostrando que não é só a boa aparência que faz uma boa atriz. A versatilidade dessa atriz chega a ser assombrosa, e é uma pena que ela não tenha o reconhecimento que seu talento merece. Shirley MacLaine já é uma lenda viva, com um histórico invejável de filmes aclamados ("Volta ao mundo em 80 dias", "Se meu apartamento falasse", "Laços de ternura") e serve para preencher o elenco feminino do filme. Os homens são peça quase descartável ao longo do filme, sendo que a história gira em torno das mulheres e suas relações, com os Adões da história servindo apenas como catalisador das reações e decisões das Evas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se encarado como um grande drama, esse é um filme modesto, porém se visto como um "filme de mulherzinha" (os famosos "chick flicks" nos Estados Unidos), este é um filme ambicioso. Definitivamente vale a pena assistir pelo ótimo desempenho de Cameron Diaz, que simplesmente rouba a cena, além é claro dos outros integrantes do elenco e da história simpática. Ao ser solicitado(a) a assistir um filme para o público feminino, se eu estivesse em seu lugar, eu escolheria este.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-2464621271888251942?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/2464621271888251942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=2464621271888251942&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2464621271888251942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2464621271888251942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2008/02/em-seu-lugar.html' title='EM SEU LUGAR'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/R8MtSL6jBdI/AAAAAAAAAHA/yaLdiLqc7Y4/s72-c/in+her+shoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-633545930789147706</id><published>2007-12-23T04:52:00.000-08:00</published><updated>2008-02-26T06:14:27.553-08:00</updated><title type='text'>ROCKY HORROR PICTURE SHOW</title><content type='html'>Rocky Horror Picture Show (The Rocky Horror Picture Show, 1975)&lt;br /&gt;Dirigido por Jim Sharman&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/R25aQ2MimUI/AAAAAAAAAFY/pnPe5gDjKjk/s1600-h/The+Rocky+Horror+Picture+Show.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/R25aQ2MimUI/AAAAAAAAAFY/pnPe5gDjKjk/s320/The+Rocky+Horror+Picture+Show.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147150669603576130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Qual é a primeira impressão que uma pessoa em sã consciência teria ao ouvir falar de um filme cujos personagens vêm de um planeta chamado Transexual na galáxia chamada Transilvânia? Provavelmente bizarro é a melhor palavra pra descrever o filme, e ele realmente é muito, mas muito bizarro mesmo. E igualmente divertido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quando começa o filme, há uma boca sem corpo cantando sobre ficção científica e sessões duplas de cinema. Essa é a primeira homenagem aos filmes trash de terror e ficção científica dos anos 50, em que era comum pagar a entrada e assistir dois filmes, normalmente um de baixo orçamento seguido da atração principal. Para quem é fã do gênero, apenas essa música de abertura já fornece uma boa lista de filmes a se assistir. É divertido ficar ouvindo e pensando "ah, eu já vi isso!", por mais absurdo que "isso" se refira. Eu fui um dos que saíram à busca dos clássicos mencionados - e recomendo pelo menos dois deles: "O dia em que a terra parou" (na canção diz "Michael Rennie estava doente no dia em que a terra parou") e "Planeta proibido" ("Anne Francis estrela em 'Planeta proibido', ô ô ô ôooou").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a canção de abertura e créditos, o filme começa de forma bastante inocente, com Brad Majors (Barry Bostwick) e Janet Weiss (Susan Sarandon) apaixonados cantando sobre seus planos, após a cerimônia de casamento de um casal de colegas deles. Após se tornarem noivos, eles decidem ir visitar seu ex-professor e amigo Dr. Everett Von Scott (Jonathan Adams), porém se perdem na estrada e vão parar em um castelo com aparência estranha e habitantes mais estranhos ainda. No castelo está havendo uma celebração em que o mestre do castelo, o Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry) está prestes a dar vida a sua criatura, Rocky Horror (Peter Hinwood), seu objeto de desejo sexual. Os outros moradores do castelo são Magenta (Patricia Queen), assistente de Frank e seu irmão, Riff Raff (Richard O'Brien), o mordomo de aparência assustadora. Logo após o "nascimento" de Rocky, surge um projeto experimental de Frank, Eddie (Meat Loaf), um roqueiro gordo e feio que aparece no filme apenas para cantar uma canção (a ótima "Hot Patootie) antes de ser assassinado por Frank (uma eutanásia, de acordo com o cientista, pois "ele tinha charme, mas não tinha músculos").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é terrivelmente mal contruída, os efeitos especiais são piores ainda, mas esse é o modelo de filme que criou o gênero "de tão ruim é bom". Na época de seu lançamento, ele foi ignorado pelo público e encontrou seu lugar nas sessões tarde da noite em cinemas pequenos, mas cujos fãs estavam sempre lá, todas as semanas. Com o passar do tempo, esse se tornou um dos filmes mais cultuados da história, sendo o filme que passou mais tempo em cartaz de todos os tempos (creio que ele ainda está em cartaz, desde 1975). Provavelmente o que torna-o tão especial é a vibrante trilha sonora, as experiências de se assistir ele com um público tão devoto e também o tom irreverente e debochado que permanece durante toda a duração do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil de acreditar que esse filme conseguiu ser produzido e aprovado para exibição na época em que foi feito. Um filme com todo o tipo de material ofensivo à sociedade, com transexuais assassinos, criação de homem objeto, expressão de liberação sexual, canibalismo e muitos outros temas mais absurdos, que se não tivesse sido feito quando foi, jamais teria o mesmo efeito. A impressão que dá quando se assiste é a mesma que ocorre quando se assiste "South Park" - sempre me apanho pensando "o que diabos eu estou gastando meu tempo assistindo essa coisa tosca", mas sempre é um prazer assistir. É um dos mais divertidos guilty pleasures que o cinema já fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mencionar a presença de Susan Sarandon no elenco é uma surpresa e tanto, já que hoje em dia ela é conhecida por seus trabalhos mais sérios, mas não podemos esquecer que ela fez muitos filmes ruins em sua carreira, principalmente no começo. Dessa má fase da atriz, este é o que mais se destaca, por causa da fama que ele adquiriu ao longo do tempo. Quem diria que algum dia viriam Susan apenas de lingerie cantando uma música cujo refrão é "toque em mim, quero me sentir suja". Mas o destaque mesmo vai para Tim Curry. Ele não é um grande ator, não fez nenhum grande papel em sua carreira, mas aqui dá um show de interpretação em um papel que tem que ser muito corajoso para interpretar. O Frank encarnado por Curry é apresentado de forma tão natural que é difícil duvidar que ele é uma pessoa de verdade. Curry provavelmente pensou "Já que estou no inferno, vamos abraçar o diabo", pois ele não parece nem um pouco arrependido de ter feito o papel. Qualquer outro ator teria passado o seu descontentamento com o papel em uma situação similar (exemplo é Terrence Stamp, em "Priscilla - rainha do deserto", em que seu travesti é falho e o ator não parece à vontade no papel).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rocky Horror Picture Show" é uma parada de homenagens a todo tipo de filme de terror, com um pot pourri de referências aos clássicos de filmes cultuados desde sua abertura até seu final. O próprio Rocky Horror é o monstro de Frankenstein do filme, assim como eles subindo na torre da RKO (para quem não sabe, RKO era um dos maiores estúdios dos anos 30) tal qual King Kong subindo no Empire States. O cabelo de Magenta ao fim da fita é igual ao da noiva de Frankenstein, outro clássico adorado pelo público e crítica, Riff Raff é o típico mordomo lacaio que anda curvado pela mansão. Para quem gosta desses clássicos do cinema, é divertido ficar "catando" as referências e vê-las de roupagem nova. O que deixa "Rocky Horror" menos interessante é seu final, cujo tom baixo destoa bastante do anarquismo do resto do filme. Falando em final, na versão americana foi cortada a música de encerramento "Superheroes", mas felizmente no DVD ela está lá presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a experiência de se ver no cinema nas sessões da meia noite não é algo possível de fazer aqui no Brasil, ainda assim vale a pena assisti-lo numa tarde chuvosa, nem que seja para dar umas risadas e se contagiar com as músicas (duvido alguém não ficar com "Time Warp" na cabeça após o término). Se a vontade de assistir como as sessões especiais de cinema, há um extra no DvD que diz o equipamento necessário e aparecem legendas dizendo o que fazer e quando com esse equipamento. O que tem que deixar de lado é todo o preconceito e preceitos morais e divertir-se!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-633545930789147706?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/633545930789147706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=633545930789147706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/633545930789147706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/633545930789147706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/12/rocky-horror-picture-show-rocky-horror.html' title='ROCKY HORROR PICTURE SHOW'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/R25aQ2MimUI/AAAAAAAAAFY/pnPe5gDjKjk/s72-c/The+Rocky+Horror+Picture+Show.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-3414672792900617648</id><published>2007-10-21T03:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-21T03:41:41.701-07:00</updated><title type='text'>GREMLINS</title><content type='html'>Gremlins (Gremlins, 1984)&lt;br /&gt;Dirigido por Joe Dante&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RxsstcYXAtI/AAAAAAAAAFQ/RKDs9DoKuPE/s1600-h/Gremlins.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RxsstcYXAtI/AAAAAAAAAFQ/RKDs9DoKuPE/s320/Gremlins.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123738160288170706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Tradicionalmente, todos os anos o mercado cinematográfico americano é inundado de filmes de celebração dos feriados de fim de ano, carregados de espírito natalino onde tudo é feliz e bonitinho. Em 1984, essa regra foi quebrada com o lançamento de "Gremlins", um dos filmes mais anárquicos e divertidos e que tornou-se um ícone da cultura pop dos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A pacata cidadezinha de Kingston Falls é o cenário dessa comédia de humor negro (ou seria melhor terror engraçado?) e é onde Billy Peltzer mora com sua família. Seu pai, um inventor cujas criações nunca funcionam, lhe dá de presente de natal um animalzinho peludo e bonitinho, que impressionantemente canta (ou melhor, murmura) e entende tudo que é dito. Esse animalzinho, um Mogwai ("Demônio", em cantonês) possui três regras, que se quebradas podem causar conseqüencias nada agradáveis: não molhar, não expor à luz forte e não alimentar após a meia noite. Como é de se esperar, se há regras, elas serão quebradas em algum momento, e de fato isso acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme pode ser facilmente separado em duas partes bem distintas: do começo até os Mogwais formarem seus casulos, e desse ponto até o fim. A primeira parte é o típico filme natalino, muita neve, pessoas felizes e presentes. A segunda metade é a alma do filme, onde o espírito natalino é exorcizado por criaturas verdes que mais parecem pequenos demônios (fazendo jus ao seu nome em cantonês) e a idílica cidade de Kingston Falls torna-se um inferno para seus habitantes. Se há algo a criticar no filme é o fato de o segundo ato perder a narrativa, pois nada mais é que uma sucessão de cenas engraçadas (e muito!) e muita profanidade por conta dos Gremlins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época de seu lançamento, "Gremlins" (juntamente com "Indiana Jones e o templo da perdição") foi um dos responsáveis de mudar o sistema de classificação etária usado nos Estados Unidos, por se tratar de um filme com tema pesado demais para crianças assistirem, mas também não pesado o suficiente para proibir para elas. Isso é justificado no segundo ato, quando os monstrinhos verdes saem pela cidade fazendo suas estrepolias com muita violência e profanidade - eles fumam, bebem, e matam, entre outras coisas. Outro motivo de considerar um filme "pesado" para crianças é a história de Kate (a mocinha do filme), em que ela conta o motivo de ela odiar as festas de fim de ano (algo que pode chocar até pessoas mais crescidas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira metade da história é pontuada de referências de todos os tipos de filmes. A cidade em que a história se desenrola é extremamente parecida com a cidade do filme "A felicidade não se compra", o clássico definitivo de natal (inclusive aparece uma cena desse mesmo filme no começo). Vários filmes de Spielberg aparecem de forma camuflada, seja em uma marquise de cinema com o nome de produção, um outdoor com um apresentador de rádio que lembra muito Indiana Jones ou mesmo um bonequinho do E.T. em uma prateleira. Na segunda metade, as referências se tornam menos sutis ao serem encarnadas pelas criaturas verdes e tendo seu grande ápice com eles em um cinema cantando uma das músicas de "Branca de neve e os sete anões".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos mais notáveis de "Gremlins" são seus aspectos técnicos. Em momento algum as criaturas parecem inverossímeis, graças ao ótimo trabalho dos responsáveis pelos efeitos especiais, que utilizaram de miniaturas, eletrônicos e stop-motion com primor e que se mostra superior a muitos trabalhos de computação gráfica avançada. Outro destaque é a maravilhosa trilha de Jerry Goldsmith, com o tema das criaturas solidificando mais ainda o tom anárquico do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos ícones dos anos 80, "Gremlins" é uma viagem ao mundo dos pesadelos natalinos, da forma mais divertida possível, e cujos maiores apreciadores serão as crianças, por mais violento que seja. Apenas deixe a pipoca de lado, caso assista depois da meia noite, pois nunca se sabe, pode haver um gremlin escondido pela sua sala.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-3414672792900617648?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/3414672792900617648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=3414672792900617648&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3414672792900617648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3414672792900617648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/10/gremlins.html' title='GREMLINS'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RxsstcYXAtI/AAAAAAAAAFQ/RKDs9DoKuPE/s72-c/Gremlins.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-2060429366572567334</id><published>2007-09-28T21:16:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T21:22:02.218-07:00</updated><title type='text'>A MALVADA</title><content type='html'>A malvada (All about Eve, 1950)&lt;br /&gt;Dirigido por Joseph L. Mankiewicz&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rv3R88YXAsI/AAAAAAAAAEw/BAfueHxbiHk/s1600-h/All+about+Eve.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rv3R88YXAsI/AAAAAAAAAEw/BAfueHxbiHk/s320/All+about+Eve.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115475596693406402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há quem diga que é difícil de se escrever sobre filmes dos quais se gosta. Uma vez que minha vida como cinéfilo é dividida em pré-"A malvada" e pós-"A malvada", é possível afirmar que falar desse filme é uma missão quase impossível para mim. Pode até parecer exagero meu, mas garanto que não sou o único a venerar esse clássico da época de ouro do cinema estadunidense.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O mundo da sétima arte trabalha de forma engraçada. Muitas vezes passam-se anos e anos sem um grande filme, e em compensação surgem vários ótimos filmes em um único ano. Um desses anos foi 1939, com "... E o vento levou", "O mágico de Oz", e mais alguns outros. 1994 foi outro desses anos, com "Forrest Gump", "Pulp Fiction" e "Um sonho de liberdade", mas de todos os anos produtivos de Hollywood, o melhor foi 1950, em que foram produzidas duas das melhores obras já feitas na indústria cinematográfica: "A malvada" e "Crepúsculo dos deuses". Ambos são filmes obrigatórios de serem assistidos por todo aquele que se intitula cinéfilo, e possuem o máximo que um filme pode atingir em todos os aspectos, principalmente narrativa e interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de praxe, os tradutores tupiniquins foram criativos ao passar o título para nossa língua e de "Tudo sobre Eve" o filme passou a se chamar "A malvada", em uma manobra que não apenas fez com que essa obra-prima recebesse um título de novela mexicana, mas também faz esperar que uma das personagens seja má, algo que o título original não menciona. Felizmente, em 1999 o filme espanhol "Tudo sobre minha mãe" fez sucesso ao prestar uma grande homenagem a esse filme, e fez com que muitos redescobrissem esse grande clássico (um personagem do filme espanhol diz: "que mania eles têm de trocar o título! 'All about Eve' quer dizer 'Tudo sobre Eve'").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao começo do filme, somos apresentados a uma premiação, o prêmio Sarah Siddons que é o Oscar do teatro. Na platéia do evento vemos um grupo de pessoas com rostos indiferentes, e até infelizes de certa forma, enquanto uma voz apresenta-nos os personagens. Essa voz pertence a Addison DeWitt (George Sanders), um crítico cuja caneta é mais venenosa que a mais perigosa das cobras. Logo a seguir, ele apresenta o diretor premiado na noite, Bill Sampson (Gary Merrill) e o autor também premiado, Lloyd Richards (Hugh Marlowe) - de acordo com Addison, meros pilares que seguram o holofote que é a atriz, Eve Harrington (Anne Baxter). Também são apresentados outros personagens, principalmente Karen Richards (Celeste Holm), a esposa de Lloyd e Margo Channing (Bette Davis), uma atriz quarentona parecendo completamente indiferente ao que se passa no recinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que Eve recebe seu prêmio, tudo simplesmente pára (em um dos primeiros usos de freeze frame da história) e Addison diz: "Eve. (...) Já falaram sobre o que ela come, o que ela veste, quem ela conhece e onde ela esteve, quando e onde ela vai ir. Eve. Vocês já sabem tudo sobre Eve. O que mais há sobre Eve que vocês não sabem?". E nesse instante, começa o flashback que conta a história de ascenção de Eve, narrada ora por Karen, ora por Margo. Tudo começou em uma noite chuvosa, onde Karen encontra Eve, uma garota pobre e apaixonada pelo trabalho de Margo. Como Karen e Margo são melhores amigas e vendo a devoção da jovem por Margo, Karen resolve apresentá-la à amiga, que se comove com sua história e leva-a pra casa empregando-a como cozinheira, acompanhante, conselheira. Todos parecem adorar Eve, com exceção de Birdie (Thelma Ritter), que desde o primeiro momento sente que Eve está tramando algo. Com o tempo, Eve começa a mostrar seus reais interesses e torna-se a malvada a qual o título se refere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sinopse pode parecer um tanto familiar, mas é porque o tema já foi inumeramente reutilizado, mas nenhuma imitação conseguiu chegar aos pés do original. As novelas da Globo, principalmente as de Gilberto Braga, possuem uma Eve e uma Margo disfarçadas. O caso mais descarado de cópia foi na novela "Celebridade", que nada mais foi que "A malvada" reduzida à baixeza das novelas brasileiras e extendida em centenas de capítulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao assistir a performance de Bette Davis como Margo Channing, estabeleci um padrão de referência a qual todas as interpretações devem ser medidas. Nenhuma atriz conseguiu igualar-se a Bette neste filme, que está simplesmente perfeita. Na época do lançamento, a atriz Tallulah Bankhead entrou com ações contra Bette por esta ter usado dos mesmos maneirismos por que era conhecida. Bette possuia todo o equipamento necessário para interpretar este papel que é aquele que não aparece mais de uma vez na vida de uma atriz (muitas vezes nem chega a aparecer). Impressionante é o fato de que Bette foi uma solução emergencial para a produção, pois já haviam escolhido Claudette Colbert para o papel, mas ela havia sofrido alguns problemas de saúde e teve que se ausentar, para a sorte de Bette (e do público). Ninguém poderia ter feito uma Margo Channing melhor! A atriz possuia tanto poder de expressão corporal que até nos momentos em que não fala nada seu rosto fala por si, principalmente por seu olhar - até uma música ela possui sobre seus olhos (a saber, a música é "Bette Davis' eyes").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível afirmar que o pivô do filme é Margo, e ao seu redor figuram estrelas que brilham com excelentes atuações. Celeste Holm está bem como Karen, mas em matéria de atriz coadjuvante, o destaque vai para Thelma Ritter. Estranho saber que esta atriz com o talento que tem sempre trabalhou como coadjuvante, e mais estranho ainda ver sua personagem aqui simplesmente sumir na metade do filme (se há algo a reclamar de "A malvada" é isto). Apesar de ser personagem-título, Eve é uma coadjuvante no filme, mas Anne Baxter insistiu em ter seu nome indicado como atriz principal nas premiações. A presunção da atriz foi tamanha que fez com que ela e Bette perdessem o prêmio, que quase certamente ambas teriam ganhado caso nomeadas apropriadamente. Não é despropositalmente que apenas as mulheres são mencionadas, pois os homens são meros combustíveis das ações tomadas pelas mulheres. De todos eles, o melhor é, com certeza, George Sanders, que torna toda a arrogância de seu personagem incrivelmente verossímil. Em linhas gerais, este é o melhor elenco já reunido para um filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor e roteirista Joseph L. Mankiewicz é o responsável por dar a alma de todos esses personagens. Irmão de Herman Mankiewicz (roteirista de "Cidadão Kane", eleito por vários especialistas como o melhor filme de todos os tempos), Joseph prova que o talento é de família e escreveu um dos roteiros mais enxutos e referenciáveis já vistos. Praticamente todas as frases são carregadas de um tom ácido, não só de personagem para personagem, mas também sobre os assuntos que aborda, principalmente quando cinema e teatro estão em pauta. Logo no começo do filme, por exemplo, Addison discursa sobre o prêmio Sarah Siddons com a seguinte fala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Talvez o prêmio Sarah Siddons seja desconhecido para você. Ele foi poupado do sensacionalismo dado a prêmios questionáveis tais como o Pulitzer ou aquele prêmio anual dado por aquela sociedade cinematográfica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com toda a ironia presente quando cinema é mencionado, ele sutilmente aparece como uma ameaça ao teatro, que rouba seus atores e diretores. O personagem de Gary Merrill diz "não diga que cinema não é teatro. Pode não ser seu teatro, mas pode ser o de alguém". Aqui o ataque ao cinema é sutil, apenas acusa-o de ladrão de pessoal, enquanto em "Crepúsculo dos deuses" o ataque é mais direto e eficiente. A paixão de Eve pelo teatro, por exemplo, não passa de uma grande atuação, basta ver perto do fim quando ela se mostra totalmente indiferente quando é questionada se vai voltar ao teatro após ir a Hollywood ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso, há uma série interminável de falas que figuram entre as mais famosas do cinema - a mais lembrada é "Apertem os cintos. Vai ser uma noite turbulenta". Vale a pena lembrar que o filme foi feito no começo dos anos 50, em que a televisão era uma ameaça ao cinema, e Addison DeWitt lança a frase final sobre a superioridade do cinema sobre a televisão a uma atriz iniciante (Marylin Monroe, ainda desconhecida): "TV é isso, nada mais que testes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de toda a sagacidade verbal que o roteiro possui, há também uma série de outras sutilezas. Há duas ótimas cenas cujo simbolismo fala mais que um grande diálogo. Uma delas é quando Eve é flagrada fazendo reverências com o vestido de Margo. Quando ela é vista, ela segura o vestido tal qual um corpo, simbolizando sua mentira morta e levada embora. Desse momento em diante, Margo abre os olhos e vê que Eve não é tão boazinha quanto parece. Já no final do filme quando Phoebe (Barbara Bates) segura o prêmio de Eve, a associação de espelhos refletem o que está por vir e servem como um aviso dos milhares de impostores que circulam e estão todos combatendo entre si para pôr suas mãos em seus objetivos. Essa é um dos finais mais lindos e impactantes já filmados, e não há palavras o suficiente para descrevê-lo. De acordo com o código Hayes, que dizia que nenhum filme poderia ofender os valores morais, muita coisa que seria ofensiva está lá, sim, porém de forma muito bem camuflada, como por exemplo o lesbianismo de Eve ou as insinuações de Karen sobre a integridade do marido quando Eve vai lhe pedir desculpas ("de joelhos, sem dúvida!", diz ela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números ajudam a comprovar o que o filme realmente oferece: este é um dos recordistas do Oscar, com 14 indicações (alcançado apenas quase meio século depois por "Titanic") das quais foi premiado em seis categorias (melhor filme, roteiro, direção, ator coadjuvante, figurino e som) e segura também o recorde de indicações de atuações femininas, com praticamente todas as atrizes do filme indicadas (Bette Davis e Anne Baxter como atriz principal e Thelma Ritter e Celeste Holm como atrizes coadjuvantes), mas por incrível que pareça nenhuma delas levou a estatueta para casa. Na categoria principal, Bette Davis realmente merecia ter levado o prêmio, mas provavelmente ela e Gloria Swanson (a Norma Desmond de "Crepúsculo dos deuses") se anularam e no fim nenhuma delas ganhou. O mesmo deve ter acontecido com as atrizes coadjuvantes, pois elas estavam incrivelmente bem em seus papéis, embora não no mesmo nível de Bette e Gloria. Ironicamente, em um filme com tanta indicação para atrizes, a única estatueta recebida por atuação foi para George Sanders, mais que merecida por sua interpretação memorável de Addison DeWitt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somado a tudo isso, o que tornou "A malvada" um divisor de águas na minha vida como cinéfilo foi simplesmente porque esse filme me abriu a mente para uma outra forma de cinema, e me introduziu à verdadeira sétima arte, que parece ter se perdido no tempo. Felizmente fui resgatado por esse filme e aprendi a apreciar os clássicos do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma cena, Addison DeWitt, mencionando sua primeira impressão sobre Eve como atriz, diz a Margo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como você sabe, eu vivo no teatro como um monge vive em sua fé. Não tenho outro mundo, nem outra vida - e muito raramente acontece aquele momento de revelação por qual todo crente espera e reza. Você foi um, Jeanne Eagels outro. Eve Harrington será um deles".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A malvada" foi o meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-2060429366572567334?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/2060429366572567334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=2060429366572567334&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2060429366572567334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2060429366572567334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/09/malvada.html' title='A MALVADA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rv3R88YXAsI/AAAAAAAAAEw/BAfueHxbiHk/s72-c/All+about+Eve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-111118387054389226</id><published>2007-09-24T13:18:00.000-07:00</published><updated>2007-09-27T06:41:06.824-07:00</updated><title type='text'>HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA</title><content type='html'>Hairspray - em busca da fama (Hairspray, 2007)&lt;br /&gt;Dirigido por Adam Shankman&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rvgb0MYXArI/AAAAAAAAAEo/-MEnqSlN0nU/s1600-h/Hairspray.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rvgb0MYXArI/AAAAAAAAAEo/-MEnqSlN0nU/s320/Hairspray.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113867960369742514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os anos 60 parecem estar voltando à moda, principalmente na forma de musicais adaptados de peças da Broadway, o que não poderia ser mais próprio, pois essa foi a década de maior sucesso dos musicais. Em 2005 foi feito o amoral mas divertido "Os produtores". Em 2006 foi a vez da música negra entrar nos filmes musicais em "Dreamgirls - em busca de um sonho". Esse ano foi a vez de "Hairspray", que é definitivamente o mais divertido e acessível ao público dos musicais da safra que estamos tendo esta década.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;No fim da década de 70, onde musicais já eram coisa do passado e eram completamente negligenciados pelo público, um milagre aconteceu ao ser lançado "Grease - nos tempos da brilhantina" - o musical adolescente foi a maior bilheteria do ano (bateu até "Superman - o filme") e firmou John Travolta como um ídolo das adolescentes. Infelizmente, esse foi um caso isolado de musicais vindo à tona, porém quase trinta anos mais tarde, "High School musical" reviveu o mundo de adolescentes de colegial cantantes, tornando-se uma febre entre crianças e pré-adolescentes. Aproveitando o gancho deixado por "High School Musical", "Hairspray" retorna com vários colegiais cantando do começo ao fim, mas é mais bem humorado e bem executado que seus predecessores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos 60, os tempos estão mudando, os cabelos estão subindo e ficando cada vez mais rígidos por causa do laquê (hairspray, em inglês) e a segregação racial é um dos assuntos mais quentes da época. Nesse cenário que se passa "Hairspray", a história de Tracy Turnblad (Nikki Blonsky), uma garota alguns (muitos) quilos acima do peso e com alto-astral de tamanho equivalente, cujo sonho é ser integrante do grupo de adolescentes que dançam no Corny Collins Show (corny, em inglês quer dizer "piegas"), um programa de televisão local que todo jovem assiste. Sua igualmente "cheinha" mãe, Edna (John Travolta), não sai de casa há mais de uma década e é casada com Wilbur (Christopher Walken), dono de uma loja de artigos de pregar peças. Para dificultar o caminho de Tracy é necessária a inserção dos vilões, Velma Von Tussle (Michelle Pfeifer) e sua filha Amber (Brittany Snow), as "rainhas" do Corny Collins Show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado, "Dreamgirls" mostrou a luta de um grupo de negros enfrentando um mercado prominentemente branco e conquistando espaço no mundo da música e na sociedade. Em "Hairspray", o tema de segregação racial é apenas um tópico secundário mas, estranhamente, é apresentado de forma muito mais eficiente que seu predecessor. No programa "Corny Collins Show" apenas jovens brancos dançam, e é reservado um dia a cada mês em que apenas os negros aparecerem (o "Negro Day"). Em "Dreamgirls", não é feito nenhum tipo de demonstração pública pedindo direitos iguais a pessoas de cor, enquanto isso gera boas cenas em "Hairspray". Infelizmente o mundo não funciona como o que acontece no filme em que, no fim, todo mundo acaba se aceitando independente das diferenças, mas pelo menos ele mostra que havia algo errado e não faz vista grossa aos acontecimentos vergonhosos da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carreira de John Travolta é uma das mais interessantes do povo de Hollywood, sendo que desde os anos 70 ele se mantém sempre conhecido, mesmo com todos os altos e baixos de sua trajetória. Depois do estrondoso sucesso de "Embalos de sábado a noite", Travolta tornou-se o padrão de dançarino da época, e com "Grease" apenas confirmou sua popularidade. No começo dos anos 80, ele cometeu o cúmulo da breguice e mau gosto ao dançar besuntado em óleo em "Os embalos de sábado a noite continuam", e sua carreira quase foi para o brejo. Depois de vários filmes pequenos, ele voltou com tudo em "Pulp Fiction" e poucos anos depois ele cometeu o pior erro de sua carreira ao realizar o péssimo "A reconquista". Com muito esforço ele continua trabalhando em diversos projetos, na maioria pequenos, mas em "Hairspray" ele se superou e fez uma atuação digníssima de pelo menos indicação ao Oscar de ator coadjuvante (já é tempo de começar a fazer apostas!) ao interpretar a dona-de-casa obesa e extremamente simpática. Três décadas podem ter se passado, mas seu talento não mostra sinais de envelhecimento, comprovando que seu território é o canto e a dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer questionável o fato de Travolta ter sido escolhido para o papel de Edna, mas em todas as encarnações de "Hairspray" essa personagem foi interpretada por um homem (Harvey Fierstein na versão da Broadway) ou um travesti (Divine, na versão cinematográfica de 1988). Só de ver Travolta coberto de maquiagem e parecendo uma mulher já proporciona boas doses de riso ao assistir o filme, e ao dançar, mesmo entupido de enchimento para parecer mais gordo, ainda parece o mesmo jovem de trinta anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente todo o material publicitário mostra Travolta como atração principal, mas o destaque pra mim foi a personagem (e atuação, principalmente) de Michelle Pfeifer como vilã. Totalmente caricata, ela parece uma mistura de miss (título que ela orgulhosamente canta em determinada cena) e vilão de desenho da Disney, sendo hilária com suas trapalhadas e completamente ineficiente em seus planos absurdos. Suas falas e suspeitas beiram o absurdo, quando ela acusa Tracy de ser comunista apenas porque a jovem é pró-integração de brancos e negros. Igualmente merecedora de elogios é Nikki Blonsky que irradia a tela com sua alegria, com um sorriso que só poderia pertencer à Xuxa trabalhando na Disney. Quem não ficar com vontade de bater palmas enquanto ela caminha alegremente pelas ruas cantando "Good morning, Baltimore" ou não abrir um sorriso ao vê-la na loja de roupas de tamanhos especiais, necessita verificar seu nível de mau-humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hairspray" tem tudo que precisa para fazer sucesso: uma história bem divertida, um elenco de primeira e uma trilha sonora contagiante. Com tudo isso, meu sorriso permaneceu mais firme que os cabelos no filme.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-111118387054389226?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/111118387054389226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=111118387054389226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/111118387054389226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/111118387054389226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/09/hairspray-em-busca-da-fama.html' title='HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rvgb0MYXArI/AAAAAAAAAEo/-MEnqSlN0nU/s72-c/Hairspray.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-8557387873502273042</id><published>2007-09-17T21:14:00.000-07:00</published><updated>2007-09-17T21:21:27.388-07:00</updated><title type='text'>O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA</title><content type='html'>O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, 1952)&lt;br /&gt;Dirigido por Cecil B. DeMile&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Ru9SPWuz5bI/AAAAAAAAABk/met_GxK3JQQ/s1600-h/272008.1020.A.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Ru9SPWuz5bI/AAAAAAAAABk/met_GxK3JQQ/s320/272008.1020.A.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111394525842236850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Para as gerações mais recentes, quando o circo é mencionado a primeira relação que deve ser feita é com os espetáculos pirotécnicos e acrobáticos de grupos como o Cirque Du Soleil. Para gerações passadas, as imagens relacionadas ao circo são de inocência e nostalgia: o grande espetáculo chegando à cidade, filas enormes de famílias agrupadas para terem a chance de ver um leão ou um tigre de verdade, crianças com a boca cheia de algodão doce e a grande lona abrigando palhaços e malabaristas. Apesar da atual decadência da arte circense, é este tipo de espetáculo que &lt;i style=""&gt;O Maior Espetáculo da Terra&lt;/i&gt; nos remete, de uma época onde o circo à moda antiga era uma grande atração. O filme foi dirigido pelo grande Cecil B. DeMille, conhecido por seus épicos grandiosos como &lt;i style=""&gt;Sansão e Dalila&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;Os Dez Mandamentos&lt;/i&gt;. Apesar de fugir do cenário bíblico de época, &lt;i style=""&gt;O Maior Espetáculo da Terra &lt;/i&gt;pertence à mesma categoria de filme espetáculo (como o próprio título diz) dos outros dois. De fato, ele foi popular o bastante na época para ganhar o Oscar de Melhor Filme de 1952, algo que hoje é considerado um dos maiores erros da Academia.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Acompanhado de uma pomposa narração feita pelo próprio DeMille, somos apresentados a uma equipe do circo Ringling Bros. and Barnum &amp;amp; Bailey. Brad Braden (Charlton Heston) é o durão gerente do circo que vive pelo seu trabalho (“Você tem serragem nas veias” lhe dizem). Ele convence os chefões do espetáculo que este deve se apresentar por uma temporada completa, para a alegria de seus integrantes. Entre estes encontramos Holly (Betty Hutton), a trapezista da equipe que tem um flerte amoroso com Brad, e o palhaço Buttons (James Stewart), que apesar de ser adorado por todos possui um passado misterioso. Brad comunica que, para aumentar a popularidade do circo, irá contratar o Grande Sebastian (Coronel Wilde), um trapezista cuja fama deve assegurar a venda de ingressos. Holly, que estava disposta a se apresentar no picadeiro central, não se agrada com a idéia de ter de dividir a atenção do público, se mostrando disposta a fazer de tudo para ser o núcleo dos aplausos. O que ela não contava é que ela iria cair sob o charme de Sebastian, e enquanto os dois travam uma batalha no picadeiro, Holly também tem que cuidar para não deixar Brad ser encantado por sua rival Angel (Gloria Grahame). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com um enredo tão simples e em vezes até medíocre, é uma surpresa que &lt;i style=""&gt;O Maior Espetáculo da Terra &lt;/i&gt;também tenha ganhado o Oscar de Melhor História (precursor do prêmio de Melhor Roteiro Original). O melodramático triângulo amoroso parece ser apenas uma desculpa para unir todas as inumeráveis cenas de picadeiro, com os rasos personagens recebendo pouca atenção, especialmente o palhaço interpretado por James Stewart que tinha o potencial para se tornar o mais interessante deles. Charlton Heston aparece em seu primeiro papel de destaque e divide a atenção da heroína com o canastrão Coronel Wilde. Seu Brad Braden é o único personagem que parece realmente ser apaixonado pelo seu trabalho no circo – ainda que esta paixão seja mais de um ponto de vista administrativo e megalomaníaco do que artístico, e de uma condição do roteiro do que da atuação do ator. Quanto ao resto dos personagens, eles são apresentados como trabalhadores e esforçados, mas não existe entre eles a preocupação de criar a mágica e a ilusão do circo. Todos seus interesses parecem ser meramente interessados nos olhso do público (ao menos até os momentos finais), como Holly e seu desejo de ocupar o picadeiro central. Por não entrar ilustrar melhor tais detalhes e por fugir de mostrar a hierarquia entre os profissionais por trás da grande lona, &lt;i style=""&gt;O Maior Espetáculo da Terra&lt;/i&gt; falha ao tentar apresentar uma visão dos bastidores da vida circense.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como já mencionado, a produção se destaca na categoria de “cinema espetáculo”, e sua maior intenção parece ser apresentar o circo na tela grande. Intercalado em meio ao ralo enredo (ou seria ao contrário) são diversas cenas em que vemos o mundo circense ganhar vida em “glorioso Technicolor”. Em uma enorme parada de cores e vestuários suntuosos, vemos trapezistas saltando sobre a platéia, carros alegóricos cruzando o picadeiro e até mesmo alguns números musicais. Feito em associação com o verdadeiro circo Barnum and Bailey, o filme se destaca no quesito de produção, dando uma autêntica ilusão de como era um espetáculo circense da época (ao menos um de alto orçamento). De fato, DeMille parece tão preocupado com a sedução visual que a maior parte da exagerada duração do filme (152 minutos) é gasta com tais cenas. Para criar alguma tensão nos momentos finais, um personagem surge do nada afim de alguns problemas para o grupo, mas tudo soa apenas como mais uma manobra calculada do roteiro.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Apesar de não ser um filme verdadeiramente ruim, o fato de ter ganhado o Oscar de Melhor Filme colocou &lt;i style=""&gt;O Maior Espetáculo da Terra&lt;/i&gt; na posição número um de várias listas de “piores filmes a terem ganhado o Oscar”. Ainda que tais afirmações sejam sempre discutíveis dependendo da ótica sob a qual o filme é analisado, a produção de DeMille é um deleite aos olhos como um picadeiro colorido, mas oco como uma lona vazia. Para melhores filmes ambientados no mundo circense, procure &lt;i style=""&gt;O Circo &lt;/i&gt;de Charles Chaplin, &lt;i style=""&gt;Monstros &lt;/i&gt;de Tod Browning ou até mesmo &lt;i style=""&gt;Dumbo &lt;/i&gt;de Walt Disney.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-8557387873502273042?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/8557387873502273042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=8557387873502273042&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8557387873502273042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8557387873502273042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/09/o-maior-espetculo-da-terra.html' title='O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Ru9SPWuz5bI/AAAAAAAAABk/met_GxK3JQQ/s72-c/272008.1020.A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-6883759958781531697</id><published>2007-08-30T20:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-21T19:59:47.166-07:00</updated><title type='text'>SINFONIA DE PARIS</title><content type='html'>Sinfonia de Paris (An American in Paris, 1951)&lt;br /&gt;Dirigido por Vincente Minnelli&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RteNUCPDROI/AAAAAAAAADg/Xw75qijvpZw/s1600-h/An+American+in+Paris.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RteNUCPDROI/AAAAAAAAADg/Xw75qijvpZw/s320/An+American+in+Paris.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104704077984646370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Paris: nenhuma outra cidade no mundo seria tão adequada para servir de cenário para um filme visualmente estonteante, e foi a escolha perfeita para o grande musical de 1951 do diretor Vincente Minnelli. A cidade-luz esbanja charme, elegância e romantismo nessa belíssima produção, mesmo que a Paris usada esteja localizada nos estúdios da MGM.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A importância histórica de "Sinfonia de Paris" não pode ser ignorada. Apesar de simples, e por vezes até sem graça, ainda assim o filme foi responsável por uma revolução na forma de se fazer musicais na época. Em 1948, o filme inglês "Os sapatinhos vermelhos" inovou ao apresentar um balét de quinze minutos no meio da narrativa, e três anos mais tarde, "Sinfonia de Paris" incorporou a idéia de um grande número musical ao cinema estadunidense, ao pôr um espetáculo de dança grandioso (com dezesseis minutos!) como forma de encerramento do filme. A idéia deu tão certo que veio a ser usada em praticamente todos os musicais da década como, por exemplo, o fantástico "Broadway Mellody" de "Cantando na chuva", entre inúmeros outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O responsável pela criação do número símbolo do filme foi Gene Kelly, talvez o maior dançarino que as telas do cinema já viram. Seu estilo de dança é tão fluido que chega a nos dar a impressão de que sair dançando em meio às ruas é algo natural de se fazer. Tão bem sucedida foi a inserção do balé ao fim da película que rendeu inúmeros prêmios à produção, incluindo o Oscar de melhor filme, e um prêmio honorário a Gene Kelly por sua contribuição à sétima arte na área de dança - merecidíssimo, pois como mencionado anteriormente, seu trabalho aqui estabeleceu um padrão na forma de se fazer musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da importância histórica, esse não é um filme perfeito, muito pelo contrário, sendo que o principal defeito se encontra na história em si - vazia e por muitas vezes desinteressante. Os personagens são pouco explorados e bastante estereotipados. Jerry Mulligan é o típico personagem de Gene Kelly: soldado, alegre e sempre cantando e dançando. Lise Bouvier (personagem de Leslie Caron) é a francesa charmosa e inocente que despropositalmente rouba o coração de Jerry, que não sabe que ela está para se casar com Henri Buriel (Georges Guetary), um amigo de Mulligan. Um dos poucos personagens interessantes é Milo Robers (Nina Foch), uma milionária que resolve dar uma ajuda monetária a Jerry, mas politicamente correta a ponto de não pedir (explicitamente) nada em troca. A história é simples (até demais) e subdesenvolvida no filme, servindo apenas de cabide para um grupo de canções e danças, sendo que poucas delas são memoráveis e bastante descartáveis. Ao término do filme, ficamos encantados com o grande balé, que não tem um significado importante para a narrativa, mas que ainda assim encanta, porém logo a seguir, na conclusão da história, o destino dos personagens toma um rumo tão implausível que é difícil crer que está acontecendo, apesar de estar diante de nossos olhos. Além do mais, Milo é totalmente esquecida na conclusão. O resultado é sairmos boquiabertos: pela dança e pelo encerramento irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com tantos defeitos narrativos, ainda assim há alguns pontos interessantes. A forma de apresentação dos personagens no começo do filme é bem criativa, com eles próprios dando suas descrições. Como diz o velho ditado, "conhece-te a ti mesmo que eu me conheço bem". Outro ponto positivo é a presença sempre marcante de Gene Kelly. Ele pode não ser o mais talentoso dos atores, mas seu carisma e talento na sua área compensam a falta de poder dramático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escolha de Leslie Caron, entretanto, não foi a mais acertada para o papel. Lise é para ser uma jovem linda, capaz de fazer os homens caírem a seus pés à primeira vista, porém Leslie é apenas charmosinha, e não tem o sex appeal que a personagem necessitava. Não que a atriz ideal seja um sex symbol como Marilyn Monroe, e sim alguém mais visualmente atraente que Caron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, o Oscar é uma premiação controversa, e é impossível agradar a todos. No ano de 1951, o grande vitorioso foi "Sinfonia de Paris", com seis estatuetas (o filme "Um lugar ao sol" recebeu o mesmo número de Oscar naquele ano). O fator merecimento é questionável, principalmente se analisarmos os concorrentes ao prêmio daquele ano. Os principais eram "Uma rua chamada pecado" e "Um lugar ao sol", e ambos eram mais aptos a saírem vitoriosos que "Sinfonia de Paris". "Uma rua chamada pecado" possuía o que o vencedor não tinha: uma trama elaborada, com um roteiro magnífico e poderosas atuações de todo o elenco, e o mesmo se aplica a "Um lugar ao sol". O único diferencial de "Sinfonia de Paris" se encontra em aspectos técnicos, como a bela fotografia no glorioso Technicolor (os outros dois concorrentes mencionados foram filmados em preto e branco), a perfeição visual de cada tomada característica dos filmes de Minnelli além, é claro, do tão mencionado número musical que revolucionou o cinema musical da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente todas as boas idéias de "Sinfonia de Paris" estão presentes em outros filmes superiores, porém é válido assisti-lo como marco histórico e um ponto de referência em matéria de como se faz um número musical. Para ver Gene Kelly em sua melhor forma, assista "Cantando na chuva". Para ver um belo musical de Minnelli, o recomendado é "A roda da fortuna". Mas se o tempo for curto e quiser unir bons aspectos de ambos, o recomendado é "Sinfonia de Paris". O resultado pode não ser tão satisfatório, mas no geral, diverte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-6883759958781531697?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/6883759958781531697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=6883759958781531697&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6883759958781531697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6883759958781531697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/08/sinfonia-de-paris.html' title='SINFONIA DE PARIS'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RteNUCPDROI/AAAAAAAAADg/Xw75qijvpZw/s72-c/An+American+in+Paris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-6936862315406413263</id><published>2007-08-12T20:01:00.001-07:00</published><updated>2007-09-21T20:00:15.152-07:00</updated><title type='text'>AMADEUS</title><content type='html'>Amadeus (Amadeus, 1984)&lt;br /&gt;Dirigido por Milos Forman&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rr_Kf68tZlI/AAAAAAAAADY/-Ewz-tyBJA8/s1600-h/Amadeus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rr_Kf68tZlI/AAAAAAAAADY/-Ewz-tyBJA8/s320/Amadeus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098015952955336274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O nome Amadeus pode não ser familiar para muitos, porém o nome Mozart sim. Wolfgang Amadeus Mozart certamente foi um dos maiores compositores de música clássica da história, e serviu de tema para o que veio a se tornar um dos melhores filmes já feitos. Em contrapartida, Antonio Salieri é um nome quase desconhecido por leigos no cenário de música clássica, mas tornou-se imortal nessa obra do cinema como seu protagonista. O material publicitário teve a audácia de expressar "tudo o que você ouviu é verdade", e nesse tom de farsa que o filme realmente sucede.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O filme é uma adaptação da peça homônima de Peter Shaffer e teve seu título genialmente usado para pôr sentido na obra. O nome do meio do famoso compositor tem como uma de suas traduções "amado de Deus", e o filme enfatiza isso pelos olhos de Salieri, outro compositor contemporâneo, porém que tem a ambição de fazer grandes coisas no nome do Senhor, porém falta-lhe o talendo, enquanto Mozart tem todo o talento que falta a Salieri, mas sem nenhum objetivo nobre. Primeiro guiado por admiração, depois inveja e ultimamente ódio por Mozart, o velho Salieri conta em forma de flashback como ele levou Mozart à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor Milos Forman, que quase uma década antes havia dirigido o premiadíssimo "Um estranho no ninho", apostou em nomes não muito conhecidos na época para grandes papéis em um filme caro, uma aposta arriscada que não poderia ter obtido resultado melhor. A escolha de F. Murray Abraham para o papel de Salieri fez com que o mundo fosse presenteado com uma das melhores interpretações que o público já viu (eu, pessoalmente, sempre o uso como padrão de referência de como um ator deve interpretar). O personagem criado por Abraham é a personificação da inveja em todos seus estágios, tendo seu ápice na velhice, decadente e incapaz de morrer, sendo obrigado a viver na eterna tortura de ver seu trabalho esquecido por todos e o de seu rival sempre lembrado, em uma humilhação constante. A força de expressão desse ator se mostra em todos os quadros em que ele está presente, e em praticamente todas as premiações daquele ano, ele conseguiu o prêmio de melhor ator, mais que merecidamente. Infelizmente, após "Amadeus", Abraham não obteve muitos papéis de destaque em grandes produções, mas em um filme ele fez o trabalho que muitos outros atores não conseguem em uma carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal qual F. Murray Abraham, o ator Tom Hulce foi outro acerto da equipe de casting. O ator conseguiu eficientemente encarnar todos os estágios do complexo trabalho de retratar um gênio da música em sua trilha que passa entre glória e decadência, uma linha tênue entre a genialidade e a loucura. Como a maioria dos gênios da área artística, Mozart sofreu várias críticas em seu trabalho, e apenas após sua morte realmente foi reconhecido como merece - a cena do começo do filme em que o padre reconhece a música de Mozart e não a de Salieri demonstra isso com clareza. Como o filme tanto enfatiza, às vezes parece que Deus brinca em colocar os dons nas pessoas erradas, e Ele colocou o dom da mais bela música em um homenzinho vulgar, comum e sem nenhuma nobreza - enquanto Salieri era o oposto de Mozart. Em certo ponto do filme Mozart fala o que resume todo seu personagem: "Sou um homem vulgar, mas lhe asseguro que minha música não o é".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma cena chave que justifica o ódio de Salieri por Mozart: em um momento, Mozart é apresentado ao imperador da Áustria (Jeffrey Jones), e o Salieri compõe uma pequena marcha como um presente simbólico para este que era seu ídolo de infância e cujo trabalho ele realmente admira. O processo de composição dessa marcha é mostrado, e vemos a dificuldade com que Salieri o fez, mas sempre grato e louvando a Deus por ter lhe dado a chance. Ao receber o presente, Mozart acaba humilhando Salieri ao dizer que sua marcha não funciona e começa a fazer alterações sem o menor esforço. A outra cena chave é no final, em que Mozart resolve ditar sua última obra para Salieri, este incapaz de acompanhar a genialidade do imortal compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo filme é passível de segundas interpretações, e "Amadeus" não é exceção à regra. Há um núcleo de personagens composto pelo imperador da Áustria e seus conselheiros, além de Salieri, o compositor da corte. Nas primeiras vezes que assisti ao filme, as cenas em que esse grupo discutia entre si me parecia apenas uma forma de deixar o filme mais longo, mas após várias considerações, foi encontrado o lado metafórico do filme, e cada papel tem seu devido significado. O imperador claramente simboliza o público em geral, sem o talento para apreciar o que lhe é mostrado, totalmente influenciado pela crítica e que é uma hipérbole de como esse mesmo público é capaz de conduzir a vida dos grandes artistas. Os conselheiros do imperador simbolizam os meios de comunicação que costumam ter um papel em influenciar a opinião do público e normalmente não costumam concordar entre si, mas que quando querem, são capazes de levar um artista à ruína. Seguindo por essa linha, Salieri tem o papel dos críticos, que por diversos motivos tentam causar a desgraça de alguém, ou também artistas frustrados que não conseguem carregar o fardo de ver um companheiro de profissão atingir o nível que eles jamais conseguiriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas o cinema estadunidense consegue fazer filmes de tamanho escopo artístico, embora a maioria das superproduções sejam filmadas fora das terras do tio Sam. Mesmo não tendo a profundidade intelectual do cinema europeu e asiático, é fato que em matéria de extravagâncias ninguém ganha dos americanos. "Amadeus" representa o ápice do requinte em produções de época, filmado nas belíssimas locações na Áustria e República Tcheca, o que criou um ar de veracidade a tudo que se via na tela. São poucas as produções que conseguem obter tamanho êxito em matéria visual, com todos os elementos trabalhando na mais perfeita harmonia de figurino, fotografia, direção de arte e todos os outros ramos responsáveis por organizar tudo que nos é apresentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, o filme recebeu uma "versão do diretor", com vinte minutos de cenas estendidas e/ou cortadas da versão original. Muitas delas não adicionam muito à narrativa, apenas enfatizam o que já havia sido mostrado, com exceção de uma: a cena em que a esposa de Mozart, Constanza (Elizabeth Berridge), visita Salieri para pedir que ele ajude seu marido a conseguir um emprego. Na montagem original, ela apenas pede ajuda, mas na versão estendida é criado uma sub-trama em torno dos dois personagens, em que Salieri simplesmente humilha a mulher, o que nos dá uma diferente forma de interpretar a reação dela ao ver Salieri junto de Mozart logo antes de sua morte. As outras cenas excluídas da versão original apenas adicionam profundidade à irresponsabilidade de Mozart e elevam o nível de sua decadência, além das artimanhas de Salieri para destruir seu rival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acabar de contar sua história de inveja e traição, Salieri olha para o padre para quem está se confessando, e este mostra uma expressão perplexa de puro choque após tudo que ouviu, pois todas suas crenças foram contraditas por Salieri. Para um religioso, aceitar o fato de que Deus preferiu matar sua criação e seu porta-voz em favor de não ajudar o compositor desprovido de talento não é tarefa fácil, o que justifica a reação do padre. Salieri então se intitula o rei dos medíocres e sai absolvendo todos que ele vê pelo caminho. A pessoa retratada na tela pode ser a mais medíocre possível, mas em matéria de atuação e de filme, essa obra-prima passa longe do terreno da mediocridade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-6936862315406413263?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/6936862315406413263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=6936862315406413263&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6936862315406413263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6936862315406413263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/08/amadeus.html' title='AMADEUS'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rr_Kf68tZlI/AAAAAAAAADY/-Ewz-tyBJA8/s72-c/Amadeus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-8471191990280734655</id><published>2007-07-27T08:58:00.000-07:00</published><updated>2007-07-27T09:01:41.414-07:00</updated><title type='text'>DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS</title><content type='html'>Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)&lt;br /&gt;Dirigido por Bruno Barreto&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RqoWyHrc_hI/AAAAAAAAABc/BLUW51BxqAs/s1600-h/dona-flor-e-seus-2-maridos-poster02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RqoWyHrc_hI/AAAAAAAAABc/BLUW51BxqAs/s320/dona-flor-e-seus-2-maridos-poster02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091907379006340626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Baseado no clássico literário de Jorge Amado, &lt;i style=""&gt;Dona Flor e Seus Dois Maridos &lt;/i&gt;de Bruno Barreto é provavelmente a obra mais popular do cinema brasileiro. Lançado em 1976, o filme atraiu aos cinemas nacionais mais de 12 milhões de espectadores (ainda o filme nacional mais assistido), tendo ainda uma vida posterior de sucesso nos cinemas internacionais (o filme fez de Sônia Braga uma estrela nos Estados Unidos). Talvez uma das principais chaves desse sucesso seja que Barreto soube ir ao encontro de um público ainda oprimido pela ditadura militar, necessitado de ver cores e sensualidade na tela, mesmo que a atual realidade fosse totalmente adversa. Ao contrário de filmes de cineastas como Glauber Rocha e Ruy Guerra, &lt;i style=""&gt;Dona Flor &lt;/i&gt;não exige maiores esforços intelectuais para ser apreciado. Era basicamente o filme que o público queria ver: uma obra descompromissada cuja maior função é o entretenimento, e ainda acompanhada de sensuais cenas de uma Sônia Braga em sua melhor forma.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O filme tem início no carnaval de 1943, onde Vadinho (José Wilker), um incorrigível mulherengo e apostador, morre repentinamente, deixando para trás Flor (Sônia Braga), sua desconsolada mulher. Apesar das escapadas diárias de Vadinho e das freqüentes discussões, Flor era uma esposa dedicada e apaixonada, sendo que o casal tinha uma vida feliz na cama. Sozinha, ela acaba se envolvendo e logo depois se casando com Teodoro Madureira (Mauro Mendonça), o farmacêutico da cidade. Flor encontra no novo companheiro o marido fiel que nunca encontrou em Vadinho, e passa a ter uma vida estável e aparentemente feliz, mas da qual ela logo se cansa. Flor sente mesmo falta é do prazer carnal e do relacionamento imprevisto que tinha com o antigo marido e, de tanto chamá-lo em pensamento, Vadinho um dia aparece nu em sua cama, sendo que apenas Flor pode vê-lo. A moça se sente então dividida entre os dois homens, não querendo trair aquele que lhe dá tanto amor e não querendo resistir ao que lhe dá prazer.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como o enredo do filme já pode deixar claro, &lt;i style=""&gt;Dona Flor e Seus Dois Maridos&lt;/i&gt; é o que podemos chamar de um exemplo do cinema escapismo, não devendo ser necessariamente avaliado pela sua profundidade ou pela significância de sua história. É um filme produzido simplesmente com o intuito de divertir seu público, e este é um papel que a obra exerce bem. &lt;i style=""&gt;Dona Flor &lt;/i&gt;é protagonizado pela figura do adorável vagabundo, um sujeito que, apesar de seu caráter duvidoso e do como destrata a heroína, consegue ganhar a simpatia do espectador com seu infame “jeitinho brasileiro” de levar a vida. Flor, a personagem mais complexa da história, representa a boa moça que é recatada por fora, mas que arde em chamas por dentro. Ela quer a estabilidade de uma vida conjugal, mas também não consegue abrir mão dos prazeres da vida carnal. Flor precisa dos dois maridos para a completarem e, assim, satisfaz os dois pólos opostos de sua personalidade. As ótimas atuações contribuem imensamente com a caracterização dos personagens, com o trio de protagonistas sendo o maior destaque (e ao contrário de alguns dos filmes que faria depois, aqui Sônia Braga pode mostrar que seu trabalho não se resumia apenas a mostrar seu belo corpo).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O diretor Bruno Barreto mostra seu talento para contar histórias ao optar por escolhas narrativas que fogem do que poderia se tornar banal nas mãos de outro diretor. A morte de Vadinho, por exemplo, é mostrada logo no início do filme, e sua relação com Flor é vista através de um &lt;i style=""&gt;flashback&lt;/i&gt;. Criando uma expectativa crescente em relação ao personagem, antes da apresentação de Vadinho escutamos as divergentes opiniões em relação a ele das pessoas que o cercavam (em um início que lembra o prólogo de &lt;i style=""&gt;Lawrence da Arábia&lt;/i&gt; de David Lean). O filme apresenta uma de suas maiores falhas no terceiro ato quando, após algumas cenas com o ritmo mais lento, parece querer apressar a história para chegar logo a sua conclusão, o que acaba prejudicando o maior fio narrativo da obra (a relação de Flor e o fantasma). Vale notar que, apesar da fama adquirida por &lt;i style=""&gt;Dona Flor e Seus Dois Maridos&lt;/i&gt; por suas provocantes cenas de sexo, Barreto consegue equilibrar bem a linha entre a comédia e a pornochanchada, sabiamente escolhendo dar maior destaque ao humor do que ao sexo, contrariando a política do cinema brasileiro da época.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma polêmica que cercou o filme entre os cineastas da época foi seu elevado orçamento 5,5 milhões de cruzeiros, cerca de dez vezes mais que o orçamento padrão para um filme brasileiro da época. Enquanto muitos produtores não conseguiam a verba necessária para a produção de seus filmes, Bruno Barreto conseguiu do Estado o financiamento para fazer um filme milionário, algo que não foi bem aceito entre outros diretores brasileiros. O público, no entanto, certamente parece não ter se importado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-8471191990280734655?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/8471191990280734655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=8471191990280734655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8471191990280734655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8471191990280734655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/07/dona-flor-e-seus-dois-maridos.html' title='DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RqoWyHrc_hI/AAAAAAAAABc/BLUW51BxqAs/s72-c/dona-flor-e-seus-2-maridos-poster02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-1947924363472677152</id><published>2007-07-18T22:07:00.000-07:00</published><updated>2007-07-18T22:12:11.171-07:00</updated><title type='text'>MINHA BELA DAMA</title><content type='html'>Minha bela dama (My fair lady, 1964)&lt;br /&gt;Dirigido por George Cuckor&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rp7yXjkUubI/AAAAAAAAADI/uoHwf8kWmoA/s1600-h/My+fair+lady.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rp7yXjkUubI/AAAAAAAAADI/uoHwf8kWmoA/s320/My+fair+lady.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5088771115473746354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Houve um tempo em que o cinema era uma forma de arte totalmente diferente em comparação ao divertimento pipoca que temos atualmente. Os filmes eram produções grandiosas, levavam anos para serem feitos e o público esperava por anos curiosos pela menor notícia sobre a produção, as estréias eram eventos de gala, as apresentações em estilo de espetáculo com abertura, intervalo e entreato (nos filmes mais longos). Enfim, fazer cinema era mais que apenas uma forma de entreter as massas. Nesse período que alguns dos grandes musicais do cinema estadunidense foram feitos, e um dos mais adoráveis deles foi "Minha bela dama".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Em uma noite chuvosa, à entrada de um teatro, um professor de fonética encontra uma moça pobre que fala terrivelmente mal. Sua reação não é complacência para com a moça, e sim asco, dizendo que sua fala não é digna dos pilares do lugar onde se encontram. Henry Higgins (Rex Harrison), o professor em questão, confiante de seu talento e sempre orgulhoso, brinca sobre uma aposta com o Coronel Pickering (Wilfrid Hyde-White) de que em seis meses ele seria capaz de tornar aquela criatura simplória em uma verdadeira dama. No dia seguinte, Eliza Doolittle (Audrey Hepburn) vai atrás do professor para que este possa fazer algo e que ela possa se tornar algo mais do que é.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A história de menina pobre que recebe uma oportunidade de transformar-se em alguém importante é uma das mais conhecidas e contadas, mas em "Minha bela dama" é contada de tal maneira que a impressão que dá é que estamos ouvindo-a pela primeira vez. Em todas as recontagens de histórias ao estilo Cinderella, há uma fada madrinha, mas em nenhum outro filme há uma fada madrinha como Henry Higgins. Rex Harrison provê um dos personagens mais marcantes já vistos, com uma mistura de superioridade aristocrática, uma certa arrogância e ótimas falas. O treinamento de Eliza com Higgins proporciona risadas dignas das melhores comédias, em momento algum sendo clichê ou beirando o pastelão. Ver Higgins exigindo que Eliza pronuncie suas vogais corretamente ou a moça torcendo na corrida de cavalos estão entre as cenas mais engraçadas já vistas na telona. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;A produção de &amp;quot;Minha bela dama&amp;quot; contou com uma publicidade imensa. Para começar, havia sido o valor mais caro já pago para adaptação de uma obra para o cinema (o filme foi uma adaptação da peça da Broadway). Outro ponto foi a controvérsia em respeito da escolha de elenco: a atriz que interpretava Eliza na Broadway foi a então desconhecida Julie Andrews, e devido aos custos da produção, o estúdio não quis correr riscos e chamou a estrela da época, Audrey Hepburn. O fato foi favorável a Julie Andrews, pois ficou livre para fazer Mary Poppins, filme por qual ganhou o Oscar de melhor atriz. Para Audrey Hepburn, não foi tão favorável, pois deixou-a com uma imagem de &amp;quot;ladra&amp;quot; de papéis (em &amp;quot;Bonequinha de luxo&amp;quot;, três anos antes, ela havia ficado com o papel idealizado para Marilyn Monroe).\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;A controvérisa em respeito da escolha da atriz para o papel de Eliza não deveria ter sido motivo de tanto alarde. O único problema de Audrey Hepburn para o papel é que sua voz não era a mais ideal para canto, e visto que esse é um musical, isso faz diferença, mas não se tomarmos em conta o número de atores e atrizes dublados em canções ao longo da história (e mal dublados, muitas vezes, o que não é o caso aqui). Julie Andrews possuia (e ainda possui, por sinal) uma bela voz para canto, o que a tornaria mais adequada para a personagem, e garanto que ela teria feito um belo trabalho como Eliza no primeiro ato do filme, em que Eliza é pobre e &amp;quot;gente do povo&amp;quot;, mas no segundo ato, em que a personagem se torna uma bela e refinada dama, Audrey era simplesmente insubstituível. Foram poucas as atrizes que ao longo da história que puderam ser símbolos de talento e elegância, e Audrey foi uma delas. Julie Andrews também tem sua classe e estilo, porém na época ela era mais apropriada para personagens mais &amp;quot;sapecas&amp;quot;, como a Maria de &amp;quot;A noviça rebelde&amp;quot;.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;&amp;quot;Minha bela dama&amp;quot; é uma extravagância visual e sonora, típica das grandes produções dos anos 60. Cada aspecto da produção visual foi extremamente bem trabalhado, e cada fotograma da película exibe com primor. Pioneiro em aspectos de som, esse foi o primeiro musical a ter parte das músicas gravadas usando microfones sem fios escondidos no figurino dos personagens. Falando em figurinos, este é outro dos aspectos em que o filme se destaca. As roupas usadas por Eliza após tornar-se a bela dama são belíssimas, e ajudam a realçar a beleza e classe natural que a atriz possui. Tão bom foi o desempenho técnico da equipe que o filme foi premiado com várias estatuetas na cerimônia do Oscar de 1964.\n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção de "Minha bela dama" contou com uma publicidade imensa. Para começar, havia sido o valor mais caro já pago para adaptação de uma obra para o cinema (o filme foi uma adaptação da peça da Broadway). Outro ponto foi a controvérsia em respeito da escolha de elenco: a atriz que interpretava Eliza na Broadway foi a então desconhecida Julie Andrews, e devido aos custos da produção, o estúdio não quis correr riscos e chamou a estrela da época, Audrey Hepburn. O fato foi favorável a Julie Andrews, pois ficou livre para fazer Mary Poppins, filme por qual ganhou o Oscar de melhor atriz. Para Audrey Hepburn, não foi tão favorável, pois deixou-a com uma imagem de "ladra" de papéis (em "Bonequinha de luxo", três anos antes, ela havia ficado com o papel idealizado para Marilyn Monroe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A controvérisa em respeito da escolha da atriz para o papel de Eliza não deveria ter sido motivo de tanto alarde. O único problema de Audrey Hepburn para o papel é que sua voz não era a mais ideal para canto, e visto que esse é um musical, isso faz diferença, mas não se tomarmos em conta o número de atores e atrizes dublados em canções ao longo da história (e mal dublados, muitas vezes, o que não é o caso aqui). Julie Andrews possuia (e ainda possui, por sinal) uma bela voz para canto, o que a tornaria mais adequada para a personagem, e garanto que ela teria feito um belo trabalho como Eliza no primeiro ato do filme, em que Eliza é pobre e "gente do povo", mas no segundo ato, em que a personagem se torna uma bela e refinada dama, Audrey era simplesmente insubstituível. Foram poucas as atrizes que ao longo da história que puderam ser símbolos de talento e elegância, e Audrey foi uma delas. Julie Andrews também tem sua classe e estilo, porém na época ela era mais apropriada para personagens mais "sapecas", como a Maria de "A noviça rebelde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha bela dama" é uma extravagância visual e sonora, típica das grandes produções dos anos 60. Cada aspecto da produção visual foi extremamente bem trabalhado, e cada fotograma da película exibe com primor. Pioneiro em aspectos de som, esse foi o primeiro musical a ter parte das músicas gravadas usando microfones sem fios escondidos no figurino dos personagens. Falando em figurinos, este é outro dos aspectos em que o filme se destaca. As roupas usadas por Eliza após tornar-se a bela dama são belíssimas, e ajudam a realçar a beleza e classe natural que a atriz possui. Tão bom foi o desempenho técnico da equipe que o filme foi premiado com várias estatuetas na cerimônia do Oscar de 1964. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Apesar de todas suas qualidades, o filme peca em alguns momentos. Para aqueles que dizem não gostar musicais, esse deve ser evitado, pois os (poucos) pontos baixos do filme estão nas cenas cantadas. Em inglês, o termo &amp;quot;showstopper&amp;quot; se refere a números musicais elaborados e que prendem atenção, &amp;quot;parando o show&amp;quot; por assim dizer. As músicas que são showstoppers são, principalmente, as cantadas pelo pai de Eliza (Stanley Holloway). Além de parar o show porque são interessantes, à sua maneira, também param a narrativa completamente, e o filme poderia simplesmente ter sido feito sem elas. Além disso, as músicas cantadas por Higgins tendem a ser longas e, de certa forma, cansativas, por não serem músicas propriamente ditas, e sim frases sem rima faladas com certo ritmo. Algumas delas são peculiares, pois ao tentar expressar seu ponto de vista machista, torna a orientação sexual do personagem um tanto dúbia. Ainda no quesito musical, há a dublagem de Marni Nixon para a personagem de Audrey Hepburn. Nixon era uma das dubladoras mais famosas e competentes da época, tendo dublado Debora Kerr em &amp;quot;O rei e eu&amp;quot; e Natalie Wood em &amp;quot;Amor sublime amor&amp;quot; - neste último ela dublou duas personagens em uma mesma música, mostrando que é uma camaleoa vocal.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Uma obra que contempla tantos gêneros (musical, comédia, romance) tem tudo para dar certo e deve sempre ser lembrada. As melhores músicas de &amp;quot;Minha bela dama&amp;quot; são a melhor forma de descrever a experiência que é assistir a esse grande filme: uma obra &amp;quot;adoráver&amp;quot; e que uma vez vista, faz qualquer um dizer que &amp;quot;poderia dançar a noite inteira e ainda implorar por mais&amp;quot;.\n\u003cbr\&gt;\n",0] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todas suas qualidades, o filme peca em alguns momentos. Para aqueles que dizem não gostar musicais, esse deve ser evitado, pois os (poucos) pontos baixos do filme estão nas cenas cantadas. Em inglês, o termo "showstopper" se refere a números musicais elaborados e que prendem atenção, "parando o show" por assim dizer. As músicas que são showstoppers são, principalmente, as cantadas pelo pai de Eliza (Stanley Holloway). Além de parar o show porque são interessantes, à sua maneira, também param a narrativa completamente, e o filme poderia simplesmente ter sido feito sem elas. Além disso, as músicas cantadas por Higgins tendem a ser longas e, de certa forma, cansativas, por não serem músicas propriamente ditas, e sim frases sem rima faladas com certo ritmo. Algumas delas são peculiares, pois ao tentar expressar seu ponto de vista machista, torna a orientação sexual do personagem um tanto dúbia. Ainda no quesito musical, há a dublagem de Marni Nixon para a personagem de Audrey Hepburn. Nixon era uma das dubladoras mais famosas e competentes da época, tendo dublado Debora Kerr em "O rei e eu" e Natalie Wood em "Amor sublime amor" - neste último ela dublou duas personagens em uma mesma música, mostrando que é uma camaleoa vocal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma obra que contempla tantos gêneros (musical, comédia, romance) tem tudo para dar certo e deve sempre ser lembrada. As melhores músicas de "Minha bela dama" são a melhor forma de descrever a experiência que é assistir a esse grande filme: uma obra "adoráver" e que uma vez vista, faz qualquer um dizer que "poderia dançar a noite inteira e ainda implorar por mais".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["ce"]);  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-1947924363472677152?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/1947924363472677152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=1947924363472677152&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1947924363472677152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1947924363472677152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/07/minha-bela-dama.html' title='MINHA BELA DAMA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rp7yXjkUubI/AAAAAAAAADI/uoHwf8kWmoA/s72-c/My+fair+lady.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-6537969331217593096</id><published>2007-07-09T21:35:00.000-07:00</published><updated>2007-07-09T21:41:07.599-07:00</updated><title type='text'>MEU TIO</title><content type='html'>Meu Tio (Mon Oncle, 1958)&lt;br /&gt;Dirigido por Jacques Tati&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RpMNfyWbVoI/AAAAAAAAABU/E_dr41zdAXU/s1600-h/b70-4837.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RpMNfyWbVoI/AAAAAAAAABU/E_dr41zdAXU/s320/b70-4837.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085423243974366850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assim como a imagem de Charles Chaplin ficou eternizada no consenso popular através de seu personagem Vagabundo, caracterizado pelo seu bigode, bengala e chapéu, a primeira relação que pode ser feita ao nome de Jacques Tati é de uma figura alta, de cachimbo e chapéu, vestindo um longo casaco e com um peculiar modo de caminhar. Não se trata de uma descrição do ator e diretor francês, mas sim de seu personagem, o Sr. Hulot, que fez sua primeira aparição no filme &lt;i style=""&gt;As Férias do Sr. Hulot&lt;/i&gt;. &lt;i style=""&gt;Meu Tio&lt;/i&gt;, o filme subseqüente do diretor, apresenta o retorno do cômico personagem, desta vez entrando em conflito com a cultura consumista importada dos EUA que invadiu a França no período pós-guerra. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seguindo a linhagem de Chaplin, que produzia obras com um viés político e social, através de &lt;i style=""&gt;Meu Tio &lt;/i&gt;Tati exerce uma crítica à modernização, à perda de valores interpessoais e à criação de uma sociedade hedonista que busca o prazer através do consumo. Se com &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos &lt;/i&gt;Chaplin mostrou como a industrialização estava levando o homem à alienação social, &lt;i style=""&gt;Meu Tio &lt;/i&gt;mostra os resultados desta época. Caracterizando os frutos desta sociedade pós-moderna, o filme nos apresenta a família Arpel, composta pelo Sr. e a Sra. Arpel (Jean-Pierre Zola e Adrienne Servatie) e seu jovem filho Gerard (Alain Becourt). Localizados em um bairro de classe alta do subúrbio de Paris, os Arpel vivem em uma residência cuja construção poderia ter sido extraída diretamente de um guia de Art Déco: uma enorme mansão composta por vastos cômodos, uma garagem de porta mecanizada, uma vasta fachada com um jardim cercado por altos muros e, o símbolo máximo da ostentação, uma fonte em forma de peixe que a Sra. Arpel se orgulha em exibir aos visitantes. Todas as manhãs, o Sr. Arpel dirige o pequeno Gerard para a escola a caminho do trabalho, enquanto a matriarca mecanicamente cuida dos serviços domésticos todas as manhãs. É curioso perceber como, logo na abertura do filme, Tati nos apresenta a um mundo onde tudo é imaculadamente perfeito na superfície: a família amorosa que poderia ter saído de um filme norte-americano cercada por uma casa onde tudo brilha e onde a sra. Arpel metodicamente se preocupa com os mínimos detalhes em relação a limpeza da residência e do carro do marido. Mais tarde ficamos sabendo, no entanto, que Gerard é considerado uma “criança problema” por seus pais, pois não se preocupa com os padrões ditados pela família e dá maior atenção às brincadeiras do que aos estudos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em um bairro mais humilde da cidade, mas onde o charme e a simplicidade da velha França ainda não cederam à modernização, encontra-se o Sr. Hulot (Tati), irmão da Sra. Arpel. Contrastando com a moradia perfeita e estéril da irmã, ele vive em uma vila onde os moradores moram próximos uns aos outros e inevitavelmente se cumprimentam todas as manhãs; onde o gari varre as ruas e conversa incessantemente com o ocasional pedestre e onde as pessoas se unem ao redor das barracas de frutas e legumes para não perderem a última oferta da feira. Em um dos melhores planos do filme, vemos o grande sobrado onde o sr. Hulot mora e o caminho que ele percorre até chegar ao seu apartamento no último andar: ele caminha através de apartamentos alheios, sobe lances de escada e ainda no caminho encontra diversos vizinhos. Uma de suas principais distrações é o simples ato de ajustar a vidraça da janela para que o reflexo do sol faça o passarinho da gaiola do vizinho cantar. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Naquele dia, o Sr. Hulot ficou encarregado de tomar conta do sobrinho. Após buscá-lo na escola, ele leva Gerard para um passeio nos arredores de seu bairro. Logo fazendo amizade com as crianças locais, o menino descobre o prazer de atividades simples como comer doce do vendedor da rua e fazer brincadeiras como distrair os pedestres na rua para que estes caminhem de encontro a um poste. Gerard vê então em seu tio uma válvula de escape do estilo de vida de seus pais, tendo a oportunidade de ser uma criança como as demais. Utilizando o menino como ponte, Tati retrata na tela o exacerbado contraste entre o mundo do Sr. Hulot e do Sr. e Sra. Arpel. Assim como o tio, Gerard se sente uma figura estranha em sua própria casa. O cotidiano de seus pais representa a idéia do simulacro, onde a simulação de uma realidade mais fácil e mais moderna é mais atraente do que a verdadeira realidade. “Os homens criam as ferramentas: estas, por sua vez, recriam os homens” afirmou o filósofo Marshall McLuhan em um de seus diversos estudos sobre a comunicação. Tal pensamento se estende ao comportamento dos personagens da alta classe de &lt;i style=""&gt;Meu Tio&lt;/i&gt;, pois as regras de sua conduta são ditadas pelas ferramentas ao seu redor. A casa dos Arpel, por exemplo, é equipada com a mais variada sorte de objetos e ornamentos eletrônicos que supostamente deveriam simplificar a vida de seus moradores, mas que apenas os mantém mais afastados. A casa em si atua como outro personagem do filme: um ser grande e imponente, cujas janelas nos andares superiores assemelham-se a dois grandes olhos que observam os habitantes. Não apenas isso, a casa ganha parece ganhar vida própria, chegando ao ponto de aprisionar seus donos na garagem em uma das cenas mais cômicas do filme.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com a finalidade de demonstrar mais agudamente como as relações são prejudicas pela intervenção da tecnologia, Jacques Tati resolve investir em cenas relativamente longas demonstrando o cotidiano dos moradores do bairro do Sr. Hulot. De forma natural, as pessoas conversam, fofocam, brigam, xingam, mas, acima de tudo, confraternizam e se divertem juntas. Cercados por altos muros, as relações do casal Arpel com o mundo esterno se resumem aos amigos de trabalho do marido e à vizinha de classe alta que acabara de se mudar. As relações burguesas são formadas por jogos de aparências, conversas superficiais, sorrisos falsos e laços emocionais arranjados. Assim como o Vagabundo de Chaplin se sente desconfortável em meio à tecnologia, o Sr. Hulot se sente recuado entre este meio que não lhe é familiar. Conseqüentemente, a tentativa da Sra. Arpel de unir o irmão com a vizinha e de lhe dar um cargo na empresa do marido falham terrivelmente. Ao invés de criar peças específicas, Tati aproveita tais situações para injetar a fita com seu característico humor. Abolindo quase totalmente o uso de closes no filme, o diretor mostra a preferência por planos abertos, o que dá valor à figura peculiar de seu personagem e nos mantém distantes da fatia mais fria e impessoal do mundo de &lt;i style=""&gt;Meu Tio&lt;/i&gt;. Assim como Chaplin, Keaton e Laurel e Hardy, Tati faz uso de um humor visual, favorecendo a ação sobre os diálogos. Estes, por sua vez, não possuem um grande papel no filme, dando espaço ao criativo uso do design de som: os efeitos sonoros das cenas ambientadas em meio à classe alta são mecânicos e artificiais, contrastando com os sons naturais e orgânicos do subúrbio.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ao início de &lt;i style=""&gt;Meu Tio,&lt;/i&gt; os créditos da produção são dispostos em placas de construção, com imagens das obras de um prédio sendo usada como pano de fundo. A seguir, o título do filme aparece escrito em uma parede do bairro do Sr. Hulot. O que Jacques Tati quis dizer com esta justaposição de imagens, supõe-se, é que lugares como este pequeno subúrbio e os estilos de vida que os acompanham estão sendo cada vez mais cercados e substituídos por grandes edifícios e corporações. O que era ainda um período de transição em 1958 atualmente é uma realidade cultural, o que apenas contribui para tornar &lt;i style=""&gt;Meu Tio &lt;/i&gt;ainda mais ressonante nos dias de hoje do que quando foi lançado. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-6537969331217593096?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/6537969331217593096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=6537969331217593096&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6537969331217593096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6537969331217593096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/07/meu-tio.html' title='MEU TIO'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RpMNfyWbVoI/AAAAAAAAABU/E_dr41zdAXU/s72-c/b70-4837.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-825170221195276411</id><published>2007-07-04T09:54:00.000-07:00</published><updated>2007-07-04T12:52:10.186-07:00</updated><title type='text'>OS IMPERDOÁVEIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os imperdoáveis (Unforgiven, 1992)&lt;br /&gt;Dirigido por Clint Eastwood&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RovRRDTxcOI/AAAAAAAAADA/BQoC3GPRZrs/s1600-h/Unforgiven.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RovRRDTxcOI/AAAAAAAAADA/BQoC3GPRZrs/s320/Unforgiven.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083386695293956322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desde o começo da história do cinema se fazem filmes sobre os bravos cavaleiros que se aventuravam no oeste dos Estados Unidos para domar o território e lá estabelecer uma parte da nação. Tais desbravadores normalmente tinham que lidar com as adversidades do território, na grande maioria das vezes índios (quando presentes, sempre maus) ou algum vizinho branco. Em geral, os personagens centrais da história sempre eram pessoas boas, mesmo com um passado não tão bom, e essa era a essência dos filmes western (palavra essa que se refere à parte oeste) americanos. O que toda essa definição de western tem a ver com "Os imperdoáveis"? Nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O ano é 1880 e o local é Big Whiskey, Wyoming. Em uma noite chuvosa, uma prostituta tem seu rosto retalhado por ter dado uma leve risada devido ao pequeno "instrumento" de seu cliente, porém a justiça não é algo presente na cidadezinha. O xerife local, Little Bill (Gen Hackman, em uma grande performance) faz um acordo com os culpados pelo ato bárbaro e os mesmos são soltos com a condição de entregarem seis pôneis ao dono do prostíbulo em que a jovem prostituta trabalhava. Buscando a justiça merecida, as outras comerciantes do sexo resolvem juntar suas economias para servir de recompensa a quem matar os dois homens responsáveis pela barbárie. Com 1000 dólares em jogo ao primeiro matador, não demora a aparecer em Big Whiskey quem se interesse pelo prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William Munny (o já lendário Clint Eastwood), um fazendeiro com dois filhos e uma criação de porcos tem em seu passado uma grande mancha: era um beberrão e um assassino de sangue frio que, como dito por ele mesmo em certo momento, "matava qualquer coisa que atravessasse seu caminho". Sua reputação faz com que Schofield Kid (Jaimz Woolvett, com um sotaque caipira extremamente falso) venha à sua procura para ajudá-lo a exterminar a dupla de cowboys de Big Whiskey envolvidos no incidente do prostíbulo. Relutante no começo, pois seu casamento havia lhe curado das maldades do mundo (porém não eliminado a culpa de suas ações), Munny resolve procurar seu amigo Ned Logan (Morgan Freeman) e os três partem em direção a Big Whiskey. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Se aprofundar mais na sinopse seria inútil, e apenas geraria spoilers. A descrição do filme acima serve como contraponto a praticamente todos os clichês e noções básicas de filmes de faroeste, e o resultado pode ser considerado como uma das grandes obras-primas do gênero.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;&amp;quot;Os imperdoáveis&amp;quot; difere dos outros westerns americanos, basicamente, pela natureza dos personagens que permeam a história. O &amp;quot;mocinho&amp;quot; possui um passado de crimes terríveis, que apenas a lembrança o faz corroer-se por dentro. Também é único no ponto de que as ações por ele cometidas são escancaradas de tal forma que o vemos como uma pessoa de quem se deve temer, e não admirar. As mulheres, aqui representadas pelas prostitutas, não são passivas a tudo que ocorre ao redor delas e isso não quer dizer que são pessoas puras. Na verdade, a pessoa que mais se interessaria com as mortes dos homens do caso que serve de estopim para todos os acontecimentos, a moça que teve seu rosto retalhado, permanece boa parte do filme indiferente a todo o resto. Suas companheiras são mais vingativas, porém suas razões são matéria de longa discussão. O xerife em certo momento diz: &amp;quot;não gosto de assassinos nem homens de baixo caráter&amp;quot;, porém ele é o menos qualificado para fazer tal afirmação. Tudo isso ajuda a construir o clima denso que a obra possui.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Uma dos pontos interessantes de serem analisadas nesse filme é o próprio título. A quem ele se refere, quem são os imperdoáveis? Será que são os homens do bordel que não recebem seu perdão nem após a morte e continuam odiados pelas prostitutas? O mais provável é que imperdoáveis são os homens em cujos passados há a culpa gerada pelo crimes cometidos, homens cujo arrependimento não irá apagar os maus feitos. Munny é a figura da alma torturada por suas ações regressas, e a única razão pela qual resolve fazer parte de crimes é para dar um futuro melhor a seus filhos. A violência é parte presente em boa parte da película, seja em histórias contadas (histórias essas que dariam facilmente mais um filme) ou em ações dos personagens, porém em momento algum é mostrada como algo justificável ou que tenha fins benéficos.\n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se aprofundar mais na sinopse seria inútil, e apenas geraria spoilers. A descrição do filme acima serve como contraponto a praticamente todos os clichês e noções básicas de filmes de faroeste, e o resultado pode ser considerado como uma das grandes obras-primas do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os imperdoáveis" difere dos outros westerns americanos, basicamente, pela natureza dos personagens que permeam a história. O "mocinho" possui um passado de crimes terríveis, que apenas a lembrança o faz corroer-se por dentro. Também é único no ponto de que as ações por ele cometidas são escancaradas de tal forma que o vemos como uma pessoa de quem se deve temer, e não admirar. As mulheres, aqui representadas pelas prostitutas, não são passivas a tudo que ocorre ao redor delas e isso não quer dizer que são pessoas puras. Na verdade, a pessoa que mais se interessaria com as mortes dos homens do caso que serve de estopim para todos os acontecimentos, a moça que teve seu rosto retalhado, permanece boa parte do filme indiferente a todo o resto. Suas companheiras são mais vingativas, porém suas razões são matéria de longa discussão. O xerife em certo momento diz: "não gosto de assassinos nem homens de baixo caráter", porém ele é o menos qualificado para fazer tal afirmação. Tudo isso ajuda a construir o clima denso que a obra possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dos pontos interessantes de serem analisadas nesse filme é o próprio título. A quem ele se refere, quem são os imperdoáveis? Será que são os homens do bordel que não recebem seu perdão nem após a morte e continuam odiados pelas prostitutas? O mais provável é que imperdoáveis são os homens em cujos passados há a culpa gerada pelo crimes cometidos, homens cujo arrependimento não irá apagar os maus feitos. Munny é a figura da alma torturada por suas ações regressas, e a única razão pela qual resolve fazer parte de crimes é para dar um futuro melhor a seus filhos. A violência é parte presente em boa parte da película, seja em histórias contadas (histórias essas que dariam facilmente mais um filme) ou em ações dos personagens, porém em momento algum é mostrada como algo justificável ou que tenha fins benéficos. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Há elementos que apenas certos estilos de filmes podem oferecer de forma satisfatória, e um dos trunfos dos westerns é poder proporcionar a quem assiste um espetáculo visual com campos vastos e belíssimas paisagens. &amp;quot;Os imperdoáveis&amp;quot; mostra toda a beleza exterior dos campos do Wyoming para contrastar com a feiura interna das pessoas que lá habitam. A fotografia usa de forma primorosa as cores, e em vários momentos apenas vemos sombras em meio a um fundo de cores que saltam da tela.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Desde sempre, os westerns sempre possuiram sua legião de adoradores. No começo, o astro era John Wayne. Nas décadas de 60 e 70, porém, a pessoa associada aos filmes de faroeste era Clint Eastwood. O ator norte-americano se fez notar-se em filmes italianos de bang bang, e o público adorava. Infelizmente, o gênero não sobreviveu à era pós Guerra nas Estrelas, e as pistolas foram trocadas por sabres de luz. Fiel às suas origens, Eastwood permite que o gênero dê seu último suspiro e descanse em paz. Aparentemente o público tende a ser cínico com seus próprios gostos, e os westerns tiveram o mesmo destino dos musicais: um dia adorados pelo público e crítica, no outro esquecidos e esnobados. Os verdadeiros fãs, porém, jamais os esquecerão.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há elementos que apenas certos estilos de filmes podem oferecer de forma satisfatória, e um dos trunfos dos westerns é poder proporcionar a quem assiste um espetáculo visual com campos vastos e belíssimas paisagens. "Os imperdoáveis" mostra toda a beleza exterior dos campos do Wyoming para contrastar com a feiura interna das pessoas que lá habitam. A fotografia usa de forma primorosa as cores, e em vários momentos apenas vemos sombras em meio a um fundo de cores que saltam da tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde sempre, os westerns sempre possuiram sua legião de adoradores. No começo, o astro era John Wayne. Nas décadas de 60 e 70, porém, a pessoa associada aos filmes de faroeste era Clint Eastwood. O ator norte-americano se fez notar-se em filmes italianos de bang bang, e o público adorava. Infelizmente, o gênero não sobreviveu à era pós Guerra nas Estrelas, e as pistolas foram trocadas por sabres de luz. Fiel às suas origens, Eastwood permite que o gênero dê seu último suspiro e descanse em paz. Aparentemente o público tende a ser cínico com seus próprios gostos, e os westerns tiveram o mesmo destino dos musicais: um dia adorados pelo público e crítica, no outro esquecidos e esnobados. Os verdadeiros fãs, porém, jamais os esquecerão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-825170221195276411?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/825170221195276411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=825170221195276411&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/825170221195276411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/825170221195276411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/07/os-imperdoveis.html' title='OS IMPERDOÁVEIS'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RovRRDTxcOI/AAAAAAAAADA/BQoC3GPRZrs/s72-c/Unforgiven.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-1242624804973490466</id><published>2007-06-28T09:01:00.000-07:00</published><updated>2007-07-09T07:23:23.270-07:00</updated><title type='text'>TEMPOS MODERNOS</title><content type='html'>Tempos Modernos (Modern Times, 1936)&lt;br /&gt;Dirigido por Charles Chaplin&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RoPb7yWbVnI/AAAAAAAAABM/usFw0pBhSFA/s1600-h/003_MODERNTASA%7EModern-Times-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RoPb7yWbVnI/AAAAAAAAABM/usFw0pBhSFA/s320/003_MODERNTASA%7EModern-Times-Posters.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081146624778655346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“Levante a cabeça - nunca desista! Nós iremos nos virar!” diz Charles Chaplin ao final de &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt;, uma cena de caráter tão pungente quanto otimista, na medida em que o Vagabundo e sua companheira caminham em direção ao horizonte incerto. Infelizmente para Chaplin, &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos &lt;/i&gt;selou o futuro do veículo que o trouxera fama mundial: o cinema mudo. Assistir ao filme não significa apenas presenciar o último suspiro de uma forma de arte extinta, mas também a última chance do público de ver o comediante encarnando seu personagem mais famoso, o eterno Vagabundo, que seria aposentado após esta produção (ainda que um barbeiro judeu &lt;st1:personname productid="em O Grande Ditador" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;O Grande Ditador&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt; apresente mais do que uma leve semelhança com o Vagabundo). Assim como seu criador, o personagem teria problemas em se adaptar a um mundo onde as risadas deixam de ser a trilha sonora do humor e os efeitos sonoros ditam a ordem. &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; representa Chaplin ao mesmo tempo em sua forma mais pura e sua forma mais política, esta última que seria favorecida em suas produções faladas nos anos a seguir.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A gênese de &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; veio após um tour de dezoito meses feito por Chaplin através da Europa, onde conheceu personalidades, discutiu problemas sociais e expressou sua visão a respeito do uso das máquinas como algo a ser usado a favor do homem ou algo que poderia lhe trazer imensuráveis prejuízos. Ao voltar para os EUA, ele encontrou uma nação abatida pela Grande Depressão, onde o desemprego em massa crescia a cada dia e onde a máquina reinava sobre seus trabalhadores explorados e mal pagos. Embutido de uma temática política, cada fotograma de &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; reflete o ponto de vista de Chaplin sobre a modernização das empresas, a produção em massa (uma crítica quase direta a Henry Ford), o desemprego e a luta do proletariado contra seus empresários capitalistas. Ainda que não assumindo totalmente uma face pró-marxista, seus ideais aqui representados certamente estabeleceram alguma relação com as acusações de comunismo que recebeu nos anos cinqüenta, resultando em sua reclusão para a Europa. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ao início de &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; (“Uma história sobre a indústria, a iniciativa privada – humanidade em busca da felicidade” dizem os créditos iniciais contrapostos a um relógio), um paralelo pouco sutil mostra a imagem de um rebanho de ovelhas em movimento sendo dissolvida na imagem de um grupo de trabalhadores marchando rumo ao trabalho. Numa das grandes empresas onde as máquinas reinam, um peculiar operário (Chaplin) tem a função de apertar porcas em uma linha de montagem &lt;st1:personname productid="em s￩rie. Supervisionando" st="on"&gt;em série. Supervisionando&lt;/st1:personname&gt; a produção, o presidente da companhia (Allan Garcia) faz uso de monitores gigantes espalhados pela fábrica para controlar seus empregados (o filme prevê o &lt;i style=""&gt;Big Brother&lt;/i&gt; com cerca de cinco décadas de antecedência). Explorado à exaustão, sendo até mesmo cobaia de um experimento em como alimentar funcionários de forma mais rápida, o pobre Vagabundo acaba sofrendo um colapso nervoso. Sendo engolido por uma das máquinas (em uma das cenas mais antológicas do cinema), o baixinho descontrolado se torna o responsável por uma série de incidentes que o levam diretamente para a prisão. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Atrás das grades, o agora desempregado trabalhador acaba acidentalmente se tornando um herói entre os policiais, recebendo sua própria cela e uma série de regalias. Já em outra parte da cidade, uma jovem pobre (Paulette Goddard, mais uma das inúmeras companheiras de Chaplin na vida real) rouba para alimentar seu pai e suas duas irmãs. Quando o patriarca da família é morto, ela se vê obrigada a fugir para escapar do juizado de menores. Solto da prisão por boas maneiras, o Vagabundo agora se encontra pelas ruas a procura de um emprego, sentindo falta de sua vida sem preocupações na cadeia. Em outra de uma série de coincidências, ele e a garota acabam se encontrando, vagando juntos em busca de um lar e de um trabalho.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Graças ao talento de seu criador, &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; funciona em diversos níveis: além de ser uma carta de protesto de Chaplin colocada em celulóide, a obra demonstra ser não apenas eficaz crítica à industrialização, mas acima de tudo um ótimo entretenimento. Sendo exibido ainda hoje em escolas e programas de treinamento, o filme continua a ser relevante em tempos atuais, onde a globalização e a tecnologia são as principais causas do desemprego estrutural. Caracterizando os problemas sociológicos da década de 30, &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; apresenta funcionários explorados por seus patrões, escravos de um sistema capitalista onde o relógio dita as ordens do dia. O imperialismo das máquinas não apenas colabora com o desemprego de um país em crise, mas também torna mecânico o trabalho de seus operários: em uma linha de montagem, o Vagabundo e seus companheiros são ordenados a passar horas diárias executando a mesma função repetidamente. As lacunas existentes entre as funções do homem e as funções da máquina se tornam cada vez mais abstratas a ponto de, em uma peculiar comparação, o pobre trabalhador ser engolido pela máquina onde trabalha, sendo arrastado por entre as engrenagens da mesma - o homem faz parte da máquina, mas a mesma não pode funcionar sem a mão humana. É curioso observar como o único papel da tecnologia no filme é extrair proveito dos indivíduos, a exemplo de quando o Vagabundo é obrigado a testar uma engenhoca que supostamente diminuiria o tempo de refeição dos operários.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Através de suas criações, Chaplin sempre teve o poder de estabelecer uma ligação direta com o grande público, sendo que quando &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; foi produzido, este era composto em sua maioria por pessoas desempregadas ou então com grandes dificuldades financeiras. No caso dos personagens do filme, o caráter dos mesmos é muitas vezes definido por seu &lt;i style=""&gt;status quo&lt;/i&gt;: enquanto o presidente da companhia é um homem autoritário disposto a explorar seus trabalhadores ao máximo de suas forças, os assaltantes que roubam a loja de departamentos apenas o fazem por não terem o que comer. O roubo também é justificado através da personagem da menina das ruas, mais uma das páreas da sociedade que sofreu diretamente os efeitos da depressão. Interpretada com perspicácia por Paulette Godard, ela é a companheira ideal para Chaplin, responsável por muitos dos momentos tenros que são característicos da obra do diretor. No entanto, o que faz todas as críticas sociais funcionarem tão bem são suas intersecções com momentos de humor, instigando as percepções cognitivas do público sem subestimá-las. Assistir a este filme acompanhado de uma platéia é o bastante para atestar a eficiência do humor chaplinesco mais de setenta anos após seu lançamento original.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Produzido quase uma década após o advento de som no cinema, &lt;i style=""&gt;Tempos Modernos&lt;/i&gt; foi planejado originalmente como um filme falado. Chaplin, no entanto, resolveu ser fiel às suas origens, e ainda que o filme apresente uma trilha musical (composta por ele mesmo) e alguns efeitos sonoros, este é, em sua essência, um filme mudo. Como seus filmes futuros provariam, o cineasta não lidava tão bem com as palavras quanto lidava com uma narrativa baseada em intertítulos e diálogos sugeridos. Aqui, a dialética de Chaplin é demonstrada através do humor, não apresentando a necessidade dos discursos abertos e inflamados que veríamos no ótimo &lt;i style=""&gt;O Grande Ditador &lt;/i&gt;e no mediano &lt;i style=""&gt;Um Rei &lt;st1:personname productid="em Nova York. Apesar" st="on"&gt;em Nova York&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. Apesar&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; da tentação de dar voz ao personagem, uma versão falada do Vagabundo provavelmente não se mostraria verdadeira; Perderia sua qualidade universal através da barreira do idioma e também abstrairia a sua expressiva comunicação &lt;st1:personname productid="em pantomima. Deste" st="on"&gt;em pantomima. Deste&lt;/st1:personname&gt; modo, a única vez em que o Vagabundo possui voz neste ou qualquer outro filme é durante sua clássica apresentação como cantor no café, sendo que as letras da mesma são escritas em um idioma inexistente e incompreensível. É notável que, com exceção desta cena, os únicos momentos onde ouvimos diálogos no filme apresentam estes processados através de algum veículo eletrônico: o chefe da fábrica através do monitor, o vendedor eletrônico que apresenta a máquina de alimentação e um programa noticiário no rádio. Assim como esses aparelhos demonstram a opressão da tecnologia sobre o trabalhador e o homem comum, Chaplin (deliberadamente ou não) também sintetiza a soberania do som sobre o cinema mudo. Felizmente para o público, as obras de Chaplin teriam uma longevidade muito maior do que a arte que o consagrou.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-1242624804973490466?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/1242624804973490466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=1242624804973490466&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1242624804973490466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1242624804973490466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/06/tempos-modernos.html' title='TEMPOS MODERNOS'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RoPb7yWbVnI/AAAAAAAAABM/usFw0pBhSFA/s72-c/003_MODERNTASA%7EModern-Times-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-6302572604845801699</id><published>2007-06-20T10:36:00.000-07:00</published><updated>2007-06-29T20:44:21.802-07:00</updated><title type='text'>O SHOW DEVE CONTINUAR</title><content type='html'>O show deve continuar (All that jazz, 1979)&lt;br /&gt;Dirigido por Bob Fosse&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RnlmHLpi31I/AAAAAAAAAC4/SMYe9EKcBiE/s1600-h/All+that+jazz.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RnlmHLpi31I/AAAAAAAAAC4/SMYe9EKcBiE/s320/All+that+jazz.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078202328409104210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"É hora do show, pessoal!"&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A frase acima, dita tantas vezes ao longo de "O show deve continuar", expressa com perfeição a experiência de se assistir ao filme - um show. O diretor Bob Fosse volta ao cinema sete anos após seu genial "Cabaret" com um musical semi auto-biográfico sobre os exageros cometidos em sua vida no show business.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme se abre com John Gideon (Roy Scheider), um diretor de cinema e peças de teatro, em seu começo de dia: uma fita no rádio (o filme foi feito antes do advento do CD) dá um tom operático a sua vida pontuada por excessos, demonstrado por pílulas espalhadas pelo banheiro e seu cigarro sempre na boca (inclusive no banho). A palavra que resumiria a vida de Gideon é simplesmente "excesso": trabalho em excesso (não que ele reclame disso, ele faz por prazer), mulheres em excesso, stress em excesso. Tamanhos exageros o levam a ser uma pessoa basicamente solitária e o fazem flirtar com a morte - interpretada no filme como uma bela mulher de branco por Jessica Lange.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto mais comentado na comunidade de críticos é o fato do filme ser semi auto-biográfico, porém mesmo não sendo, ainda assim é um deleite a todos, independente de gostar de musicais ou não. Em "O show deve continuar", nenhum personagem pára o que está fazendo e começa a cantar (contrário a maioria dos musicais pré-anos 70). Todos os números de canto e dança aparecem em meio às alucinações ou imaginação de Gideon - de forma similar à forma em que foi feito, mais de 20 anos depois, em "Chicago" que, por sinal, foi criado por Fosse para a Broadway (o título original de "O show deve continuar" se refere à musica de abertura de "Chicago").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das indicações do filme no Oscar de 1979 foi de melhor ator para Roy Scheider, e foi uma terrível injustiça o ator ter perdido a estatueta. Scheider era muito popular na década de 70, e estava presente no filme vencedor do Oscar de melhor filme de 1971 ("Operação França") e seu papel mais conhecido provavelmente é o chefe Brody de "Tubarão", porém nenhum desses papéis se compara ao John Gideon representado por Scheider em "O show deve continuar". Algo muito comum é assistir a um filme e pensar "Eu já vi esse ator/atriz em algum lugar", porém Scheider criou um personagem tão convincente, que nada lembra seus trabalhos anteriores, tornando sua interpretação um exemplo a ser seguido. É raro ver uma atuação que não é apenas uma pessoa recitando palavras, e sim um compromisso de corpo e alma, em que o ator na tela é uma encarnação de seu personagem, um ser tri-dimensional que permanece conosco após o filme e com quem é facil de se identificar de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Munido de uma trilha sonora de primeira grandeza, uma das primeiras canções do filme, considerada por muitos como sendo a mais marcante, é "On Broadway", onde Gideon escolhe o elenco de sua nova produção e dezenas de pessoas dançam ao som contagiante da canção. O resto das músicas são encaixadas no contexto do filme, e aquelas cujo conteúdo é mais relevante para o filme, são as que se passam na imaginação do diretor onde os outros personagens expressam suas idéias em forma de canto - a parte em que isso se exemplifica seria durante a cirurgia, em que assiste as mulheres de sua vida (a ex-esposa, filha e namorada) falam de seus erros para com elas. Mesmo depois dessa experiência, o personagem não muda e continua com seus excessos. Aparentemente, sua conduta é apenas uma forma de conquistar o anjo da morte e satisfazer seus desejos físicos. Seu adeus à vida é feito da forma mais condizente possível ao seu estilo de vida: em um mega-espetáculo com uma grande platéia e em um grande número musical e no fim dele ele vai de encontro à bela mulher que para ele representa a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das cenas mais memoráveis do filme é a apresentação de "Take off with us / Air-otica", uma demonstração magnífica da beleza do corpo humano em movimento. Nessa cena, Fosse esbanja seu estílo característico de coreografia, com movimentos sensuais sem nunca parecer vulgar, um exemplo a ser seguido por aqueles que se dizem cineastas mas não têm um pingo de estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O show deve continuar" é um filme vencedor, e diversas premiações ao redor do mundo o consagraram na época nas mais diversas áreas, e isso comprova que este é um filme extremamente bem feito em todos os aspectos. Como a premiação mais badalada é o Oscar, este entra na imensa lista de injustiças da premiação, sendo infinitamente superior ao vencedor do prêmio de melhor filme daquele ano (a saber: "Kramer versus Kramer") e em nível equivalente a outro concorrente, "Apocalypse now". Bob Fosse morreu jovem alguns anos após a conclusão desse filme, em mais um caso em que a vida imita a arte, nos privando de mais grandes obras de um grande diretor. Fosse pode ter ido embora cedo, mas todo seu sacrifício não foi em vão, e todo aquele jazz ficará imortalizado enquanto houverem pessoas de bom gosto de cinema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-6302572604845801699?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/6302572604845801699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=6302572604845801699&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6302572604845801699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6302572604845801699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/06/o-show-deve-continuar.html' title='O SHOW DEVE CONTINUAR'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RnlmHLpi31I/AAAAAAAAAC4/SMYe9EKcBiE/s72-c/All+that+jazz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-3103597789082032832</id><published>2007-06-10T09:33:00.001-07:00</published><updated>2007-06-10T09:35:51.848-07:00</updated><title type='text'>DANÇANDO NO ESCURO</title><content type='html'>Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000)&lt;br /&gt;Dirigido por Lars von Trier&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RmwoWOSYO2I/AAAAAAAAAA8/9LSrJYOFUwQ/s1600-h/A70-11479.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RmwoWOSYO2I/AAAAAAAAAA8/9LSrJYOFUwQ/s320/A70-11479.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5074475242397121378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Selma (Björk) é uma jovem imigrante da Tchecoslováquia que se mudou para os Estados Unidos com o propósito de criar seu filho Gene (Vladica Kostic). Vivendo uma vida de pobreza, Selma trabalha em uma fábrica de esmaltados junto de sua melhor amiga Kathy (Catherine Deneuve) e vive em uma pequena casa alugada no quintal do policial Bill Houston (David Morse) e de sua esposa Linda (Cara Seymour). Desde pequena, Selma tem uma fascinação por musicais americanos, sendo que diversas vezes enquanto trabalha ela imagina fazer parte de um. No momento, ela se prepara para representar Maria em uma montagem de &lt;i style=""&gt;A Noviça Rebelde&lt;/i&gt;. Infelizmente para Selma, se torna cada vez mais difícil operar as máquinas da fábrica e ensaiar seus passos de dança, pois ela possui uma doença degenerativa hereditária que a torna graduadamente cega. Sua amiga Kathy é a única que sabe deste fato, e faz o possível para ajudá-la. Em um momento de fraqueza, seu vizinho Bill lhe confidencia que está falido e que não tem coragem de contá-lo à esposa. Selma então revela que têm economizado dinheiro durante anos para uma cirurgia que seu filho deve fazer para que não fique cego como ela. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para aqueles que não assistiram ao filme, este é o máximo que se deve ler a respeito de seu enredo. Mas, apenas por tais pontos narrativos, não é difícil prever que &lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro &lt;/i&gt;se trata de um dos grandes melodramas já colocados na tela. Este motivo pode ter afastado alguns espectadores mais cínicos, mas para aqueles que souberem abraçá-lo, o filme pode se tornar uma experiência difícil de ser esquecida. Para que isto ocorra, é necessário desde o início acreditar na história e no universo que Lars von Trier apresenta diante de seu espectador. Um mundo povoado por pessoas frias e traiçoeiras, onde situações trágicas são levadas ao extremo. Tendo em mente as intenções do diretor, é possível se deixar levar mais facilmente pela história da infeliz Selma, mesmo estando ciente das desavergonhadas tentativas de manipular o espectador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro&lt;/i&gt; é carregado pela muito comentada atuação da cantora Björk, que devido aos seus desentendimentos com Trier e o cansaço gerado pela produção, jurou nunca mais aparecer em outro filme. Björk também escreveu as canções do filme, das quais ela interpreta todas. Apesar de não ser grande fã do estilo da cantora, não posso negar seu talento como atriz iniciante. Nas mãos de Lars von Trier, Björk acaba se tornando o maior instrumento utilizado pelo diretor para manipular a platéia, como se muitas vezes ele estivesse implorando para que esta se emocionasse. Não basta Selma ser cega, ter um filho fadado ao mesmo destino e não ter dinheiro nem para lhe comprar uma bicicleta no aniversário: ela tem que ser interpretada com uma inocência e pureza quase infantil, que às vezes nos levam a perguntar se seus problemas vão além da cegueira. Assim como a personagem Grace do superior &lt;i style=""&gt;Dogville&lt;/i&gt;, Selma se encontra em um mundo vil repleto de pessoas de caráter desprezível, com ela sendo a única totalmente inocente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dos motivos dos filmes de Lars von Trier não serem tão recebidos em terras norte-americanas é seu explícito desgosto pela terra do tio Sam. Em &lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro&lt;/i&gt; podemos ver isto com clareza: Selma é uma imigrante de alma pura que vai aos EUA a procura de oportunidades, mas tudo o que encontra é pobreza e hostilidade. Seus únicos amigos e as únicas pessoas que não a traem (interpretados por Catherine Deneuve e Peter Stormare) também são estrangeiros. Enquanto isso, o policial local interpretado por David Morse é o catalisador de suas desgraças, enfatizadas pela crueldade com que as autoridades americanas a tratam. É interessante que, o único momento em que vemos uma bandeira americana no filme (que, apesar de se passar no estado de Washington, foi filmado na Suécia) é após um evento que sinaliza o início da queda de Selma. &lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Lars von Trier foi um dos idealizadores do movimento Dogma95, e &lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro&lt;/i&gt; nos possibilita ver em prática algumas das técnicas pregadas pelo diretor. Em uma decisão corajosa, Trier rodou o filme utilizando câmeras digitais manipuladas à mão, fazendo uso de uma paleta de cores arrastadas e iluminação natural. O tom melancólico é acentuado pelo discreto uso do som, a edição picotada e a oscilação da câmera. Quando Selma tem seus devaneios e vemos os números musicais como ocorrem em sua mente, o filme passa a utilizar planos geralmente estáticos onde as cores explodem na tela remetendo aos musicais em Technicolor da MGM filmados nos anos 40 e 50. Os números musicais também são inspirados nos clássicos da mesma época, com figurantes se unindo em grandes coreografias.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vale notar que &lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro &lt;/i&gt;foi lançado um ano antes do grande retorno dos musicais com &lt;i style=""&gt;Moulin Rouge&lt;/i&gt;. O diretor parece estar ciente de que muitos dos espectadores possam não estar preparados para o formato musical – tanto que, em um momento de auto-sátira, o personagem de Peter Stomare diz não entender o fascínio de Selma por musicais, pois as pessoas simplesmente saem dançando e cantando, algo que não acontece na vida real. Trier controla o “problema” encenando todos os números musicais na mente da personagem, artifício que seria repetido &lt;st1:personname productid="em Chicago. De" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;Chicago&lt;/i&gt;.  De&lt;/st1:personname&gt; fato, seria difícil acreditar que os interlúdios musicais de Björk fizessem parte do mesmo mundo sombrio e tenebroso do qual sua personagem vive. Um mundo que pode ser tão difícil para o espectador vivenciar quanto para os próprios personagens, mas que ao final se mostra uma experiência difícil de ser replicada – para o bem ou para o mal.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-3103597789082032832?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/3103597789082032832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=3103597789082032832&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3103597789082032832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3103597789082032832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/06/danando-no-escuro.html' title='DANÇANDO NO ESCURO'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RmwoWOSYO2I/AAAAAAAAAA8/9LSrJYOFUwQ/s72-c/A70-11479.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-7955710771071917805</id><published>2007-06-05T09:16:00.000-07:00</published><updated>2007-06-08T07:07:09.037-07:00</updated><title type='text'>O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN</title><content type='html'>O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001)&lt;br /&gt;Dirigido por Jean Pierre Jeunet&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RmWMxbpi30I/AAAAAAAAACw/YQdzoTAGNC4/s1600-h/Le+fabuleux+destin+d%27Am%C3%A9lie+Poulain.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RmWMxbpi30I/AAAAAAAAACw/YQdzoTAGNC4/s320/Le+fabuleux+destin+d%27Am%C3%A9lie+Poulain.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072615336166219586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se há uma palavra que possa descrever "O fabuloso destino de Amélie Poulain", essa palavra é "encantador". Uma vez introduzido ao mundo mágico de Amélie, é impossível não abrir um sorriso e se encantar com essa história regada de pequenos prazeres que acaba se tornando uma deliciosa experiência raramente igualada, e ver que as pequenas ações de uma pessoa podem fazer uma grande diferença nas vidas de quem a cerca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ao iniciar o filme, já temos conta que essa não é uma obra convencional. Os primeiros minutos contam de uma série de eventos que aconteceram no mesmo instante, como uma mosca pousando no meio de uma rua, um homem apagando um endereço de uma agenda e também um espermatozóide fecundando um óvulo, o que nove meses mais tarde viria a se tornar Amélie. Pessoas acostumadas ao mundinho de Hollywood normalmente se assutam ao ver algo diferente, e podem acabar desencorajadas por não entender do que se trata tantos fatos em tão pouco tempo. Apenas deve-se esperar mais alguns minutos para se acostumar com a forma da narrativa e, uma vez dentro do mundo de Amélie, ficamos presos de tal forma que torna-se impossível deixar de se maravilhar com os acontecimentos apresentados ao longo da película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amélie gosta de olhar pra trás no cinema e ver as expressões do público. Seu pai gosta de engraxar os sapatos e odeia quando seu calção gruda ao sair da piscina. Sua mãe gosta de organizar a bolsa e não gosta quando o rosto fica marcado pelo travesseiro. Pode parecer estranho descrever as pessoas pelo que elas gostam ou desgostam, mas é assim que somos introduzidos aos diversos personagens da história, o que ressalta um dos elementos diferenciais do filme - a ênfase aos pequenos detalhes que são tão ignorados mas que no fim das contas fazem toda diferença. Afinal, quem não se sente realizado por simplesmente jogar pedrinhas no rio ou estourar plástico-bolha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua infância, Amélie vive isolada das outras crianças, por não poder ir à escola, e vive em um mundo imaginário repleto de fantasia, com nuvens em formato de coelhos e ursos, e em que a vizinha em coma resolveu dormir todo seu sono de uma vez só. Anos mais tarde, Amélie torna-se garçonete e sua vida muda após encontrar uma latinha escondida em seu apartamento. Decidida a encontrar o misterioso dono da latinha, Amélie começa sua busca. Ao encontrar, ela fica tão realizada com o efeito que causou na vida do senhor o qual a latinha pertencia, que resolve se dedicar a fazer pequenos gestos capazes de tornar as pessoas mais felizes. Totalmente altruísta, Amélie acaba esquecendo de si mesma, sendo lembrada disso ao encontrar um rapaz que coleciona fotos tiradas em cabines automáticas, e começa a elaborar estratégias para chamar sua atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é contada de maneira tão fluida, que torna o filme uma experiência única, dando a impressão ao término de que passamos duas horas fazendo as coisas gostosas da vida que o filme tanto preza. A história é cheia de ramificações, o que pode torná-lo um pouco confuso se não prestar atenção. A atenção dada aos pequenos detalhes da narrativa é tamanha, o que faz com que esse seja um dos melhores roteiros dos últimos anos. Nada aparece gratuitamente no filme, e um exemplo disso é a amiga de Amélie que é comissária de bordo. Ela é apresentada no começo do filme, e aparece apenas mais uma vez perto do fim da narrativa, porém ela é responsável pela história do anão de jardim que é de relativa importância ao final da película. São todas essas nuances e detalhes que fazem com que o filme continue interessante mesmo após assisti-lo diversas vezes, e ainda dê vontade de assistir novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor Jean Pierre Jeunet, responsável pelo terrível "Alien, a ressurreição", volta aqui para redimir-se de seu erro. Apesar de horrível em aspectos narrativos, seu filme das criaturas assassinas do espaço possuia um preciosismo em termos técnicos admirável, e sua experiência na área mostra-se visível em cada quadro de "Amélie". A belíssima fotografia do filme é o ponto que se sobressai, com muitos efeitos digitais que acabam se mesclando de forma perfeita - aliás, essa é a forma que deveriam ser usados tais efeitos: como complemento, e não distração. A trilha sonora de Yann Tiersen é contagiante e dita perfeitamente o tom do filme - mesmo ouvindo isoladamente, funciona perfeitamente como um levantador de ânimo. Por muitos desapercebido, o departamento de mixagem de som faz um trabalho excepcional aqui, em que uma cena em especial serve como exemplo disso: quando Amélie lê as cartas da vizinha, durante cada uma há um som de fundo. Ao ler a carta montada por Amélie, os sons de cada pedaço recortado por Amélie aparece discretamente - mais um detalhe que comprova a atenção dada pelo diretor a todos os aspectos da produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de todos os aspectos técnicos e ótima história, temos Audrey Tatou. A jovem atriz parece que foi talhada especialmente para o papel, sendo capaz de transparecer a bondade, ingenuidade e timidez de Amélie como nenhuma outra atriz conseguiria. Sua atuação é de tamanha qualidade que todos os outros acabam ficando sob sua sombra. Se há algo a criticar no filme, é a atuação de alguns atores coadjuvantes que parecem um pouco cartunescos em alguns momentos (em especial a mãe de Amélie), mas em momento algum isso se torna um grande empecílho para apreciação da história - tanto que o prórpio filme possui um tom cartunesco por si só. Audrey Tatou basicamente carrega o filme sozinha, presente em praticamente todos os quadros da película, e mostra de forma única o prazer de se ver uma excelente atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O material publicitário do filme tinha como chamada "Ela vai mudar sua vida" - e de fato muda. Nem a pessoa mais séria e rabugenta deve ser capaz de resistir ao charme de Amélie e acabar o filme sem sentir-se bem. Uma ótima forma de escapismo dos problemas do cotidiano e também de se descobrir que cinema não se restringe a Hollywood.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-7955710771071917805?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/7955710771071917805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=7955710771071917805&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/7955710771071917805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/7955710771071917805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/06/o-fabuloso-destino-de-amlie-poulain.html' title='O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RmWMxbpi30I/AAAAAAAAACw/YQdzoTAGNC4/s72-c/Le+fabuleux+destin+d%27Am%C3%A9lie+Poulain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-1733719974843992530</id><published>2007-05-25T21:56:00.000-07:00</published><updated>2007-09-21T19:58:27.355-07:00</updated><title type='text'>A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA</title><content type='html'>A última sessão de cinema (The last picture show, 1971)&lt;br /&gt;Dirigido por Peter Bogdanovich&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rle-WZqgxII/AAAAAAAAACo/6Xt1Ews6iOc/s1600-h/The+last+picture+show.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rle-WZqgxII/AAAAAAAAACo/6Xt1Ews6iOc/s320/The+last+picture+show.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068729197684376706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um filme nostálgico, porém sem idolatrias a uma era, "A última sessão de cinema" mostra o dia-a-dia de uma cidadezinha no interior do Texas no começo dos anos 50, onde a última era de ouro do cinema americano dava seu último suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é basicamente um drama adolescente, dando ênfase a três jovens - Sonny, Duane e Jacy. Os adultos aparecem durante o filme, porém seus personagens são meros coadjuvantes, mas ainda assim vitais para o desenvolver da história - os principais são a mãe de Jacy, Sam o Leão e Ruth. Ao começo do filme, os três jovens são colegas de escola e Jacy e Duane são namorados, para a inveja de Sonny, que tem uma queda por Jacy, que por sua vez tem o namoro desaprovado por sua mãe, que acha que Duane é pobre e não merece sua filha. Sonny é o protegido de Sam, que é dono de todos os locais de lazer da cidade - o bar, salão de sinuca e cinema. A película cobre o período de aproximadamente um ano e meio da vida desses personagens em uma cidade vazia e monótona. O filme teria sido melhor se tivesse dado mais ênfase aos personagens secundários, cujos dramas não foram suficientemente trabalhados - principalmente Ruth, a esposa do treinador e a mãe de Jacy, infeliz no seu casamento de conveniência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um roteiro com adolescentes como protagonistas pode se tornar uma armadilha quanto ao rumo de seus personagens, sendo fácil desperdiçar um bom enredo para criar apenas mais uma comédia acéfala ou uma história apenas com drogas, sexo e rock 'n roll. Em "A última sessão de cinema" temos a presença de sexo em alta dose, porém apenas simbolizando o pensamento da era e o começo da liberdade sexual que veio a explodir uma década depois. Os jovens do filme têm alma, não sendo apenas um estereótipo de pessoas que apenas pensam com seus genitais. Em suas jornadas, acompanhamos suas frustrações, dramas pessoais e desejos, sendo possível nos identificarmos com esses personagens que não são apenas sombras projetadas em uma tela de cinema, e sim pessoas de carne e osso com problemas reais que toda pessoa normal tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elenco do filme é composto por atores que hoje são conhecidos, porém aqui estão em seus primeiros papéis de destaque, e se saem muito bem em suas interpretações. Jacy é interpretada por Cybill Shepherd (mais conhecida por seu papel na minissérie "A gata e o rato" e no filme "Taxi driver"), em um papel difícil para uma atriz novata, pois Jacy é uma menina ousada e sem sentimentos pelos rapazes com quem sai. Ellen Burstin (a famosa mãe da menina possuída pelo demônio em "O exorcista) interpreta a mãe de Jacy e, apesar de não ganhar muito destaque, cumpre seu papel muito bem. Duane é interpretado por Jeff Bridges, sendo o elo mais fraco de um bom elenco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iniciativa de filmar o filme em tons de cinza (não preto-branco pois cinza é diferente de preto e branco!) foi uma decisão acertada, pois a falta de cores nos aumenta a sensação de desolação do lugar e das pessoas que lá vivem. Como não se trata de um filme onde a felicidade parece ter abandonado a vida da maioria dos personagens, cores não cairiam bem aqui. Além de ressaltar o clima do filme, todo o trabalho artístico envolvido na produção do filme atinge o objetivo de transportar-nos direto à década de 50, tornando crível a que essa produção de 1971 tenha sido feita vinte anos antes. As locações do filme utilizam de uma cidade pequena, vazia, quase deserta, o que amplia ainda mais a sensação de vazio na vida dos personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título "A última sessão de cinema" pouco tem a ver com a história de seus personagens, se referindo ao cinema que é forçado a fechar devido à crise que a indústria cinematográfica enfrentou com a popularização da televisão. As pessoas, na época, abandonaram o costume de ir ao cinema para fins de entretenimento e informação (antes dos filmes costumavam passar notícias) para ficar em casa pois o pensamento geral era "para que pagar se eu posso assistir de graça no conforto do meu sofá?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois de seu lançamento, "A última sessão de cinema" viria a influenciar o jovem diretor George Lucas ao filmar "American Graffiti - Loucuras de verão", um filme sobre um grupo de amigos adolescentes que passam uma noite fazendo o que todo jovem sabe fazer - transar, beber e entrar em confusão. Apesar da diferença de abordagem dos jovens, a influência é clara - trazer à tona uma visão nostálgica de uma década que já passou usando a vida de adolescentes para explicitar o que foi perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clássico exemplo de filme cujo tema é nostalgia, esse filme sucede aos demais do gênero por não tentar glorificar a era que já terminou e sim apenas apresentar a vida da época com realismo. Um ótimo retrato de um período que jamais será esquecido por amantes da arte de se fazer cinema e nem por amantes de uma época em que a vida era mais simples.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-1733719974843992530?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/1733719974843992530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=1733719974843992530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1733719974843992530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1733719974843992530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/ltima-sesso-de-cinema-last-picture-show.html' title='A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rle-WZqgxII/AAAAAAAAACo/6Xt1Ews6iOc/s72-c/The+last+picture+show.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-5991339359133545837</id><published>2007-05-21T20:59:00.001-07:00</published><updated>2007-05-22T07:32:16.385-07:00</updated><title type='text'>OS 39 DEGRAUS</title><content type='html'>Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)&lt;br /&gt;Dirigido por Alfred Hitchcock&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RlJrh7tgPKI/AAAAAAAAAAk/Y2Bprx6SR_I/s1600-h/thirty_nine_steps_xlg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RlJrh7tgPKI/AAAAAAAAAAk/Y2Bprx6SR_I/s320/thirty_nine_steps_xlg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067230761453632674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar de constantemente citado entre seus mais importantes trabalhos e certamente o mais popular filme de sua fase britânica, &lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; não se tornou parte do consciente popular como as futuras produções de Alfred Hitchcock se tornariam. Tal fato não deve desmerecer a obra que, apesar de mostrar um diretor ainda em fase de amadurecimento, é capaz de se sustentar no &lt;i style=""&gt;cannon&lt;/i&gt; do mestre do suspense como um de seus grandes feitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; pode ser considerado o arquétipo do que viria a se tornar um tradicional filme de Hitchock, pois aqui somos apresentados a diversos temas que apareceriam constantemente em suas futuras obras: a história do “homem errado” perseguido por um crime que não cometeu; a figura da mulher loira fria, cínica e dominadora; e finamente, o uso do MacGuffin, um recurso narrativo utilizado para mover a história, mas que ao final revela possuir pouca importância. Os mais familiarizados com a filmografia do diretor poderão estabelecer uma conexão entre esta produção e filmes como&lt;i style=""&gt; Ladrão de Casaca, O Homem que Sabia Demais&lt;/i&gt; e, especialmente, &lt;i style=""&gt;Intriga Internacional&lt;/i&gt; de 1959. Podemos considerar &lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; como o rascunho de uma obra de arte, que seria refinada e receberia os toques finais com o filme de 1959.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; somos apresentados ao canadense Richard Hannay (Rober Donat) que acaba tendo um encontro ao acaso com Anabelle Smith (Lucile Manheim), uma espiã que diz ter descoberto um plano que pretende levar informações secretas para fora da Inglaterra. Quando a moça é assassinada em seu apartamento, Richard acaba sendo acusado injustamente pelo crime e é obrigado a fugir para a Escócia, seguindo as pistas deixadas pela espiã. No país ele acaba caindo nas mãos da organização por trás do assassinato de Anabelle, e para escapar e desvendar o mistério ele conta com a ajuda da atraente Pamela (Madeleine Carroll). Sendo um filme de Hitchcock, diversas reviravoltas podem ser esperadas até o final, sendo que a revelação dos ditos 39 degraus acaba sendo a de menor importância (vide o MacGuffin).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mesmo não apresentando o requinte técnico e visual de suas futuras produções americanas, &lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; apresenta um diretor educado nas escolas cinematográficas alemãs e russas. Hitchcock já demonstra seu talento na composição de quadros, e sua edição já se mostra eficaz o bastante para criar emocionantes cenas de ação e suspense, valendo destacar uma perseguição ambientada em um trem que oferece uma prévia de momentos semelhantes &lt;st1:personname productid="em A Sombra" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;A Sombra&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i style=""&gt; de uma Dúvida&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;Intriga Internacional&lt;/i&gt;. Enquanto não apresentam um profundo estudo de psique, os personagens são iluminados por brilhantes momentos de diálogos. Podemos destacar as cenas guiadas por um humor cínico entre Robert Donat e Madeleine Carrol, tais sendo carregados de certa dose de tensão sexual – basta dizer que um ousado momento envolvendo algemas e meias-calça provavelmente não teria sido aprovado por censores americanos. O enredo em si não nos permite múltiplas interpretações como muitas das melhores obras do mestre (e se tantas comparações com seus demais filmes são feitas, é porque tais são inevitáveis), mas isso não altera o fato de que &lt;i style=""&gt;Os 39 Degraus&lt;/i&gt; foi um importante passo na carreira ascendente do então jovem Alfred Hitchcock, e provavelmente o primeiro filme que o fez ser notado internacionalmente. Mesmo não apresentando a mesma profundidade de outros de seus trabalhos, merece seu lugar entre os melhores filmes do diretor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-5991339359133545837?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/5991339359133545837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=5991339359133545837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/5991339359133545837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/5991339359133545837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/os-39-degraus.html' title='OS 39 DEGRAUS'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RlJrh7tgPKI/AAAAAAAAAAk/Y2Bprx6SR_I/s72-c/thirty_nine_steps_xlg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-4623693588018816865</id><published>2007-05-18T10:06:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:44:35.446-07:00</updated><title type='text'>O PECADO MORA AO LADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pecado mora ao lado (The seven year itch, 1955)&lt;br /&gt;Dirigido por Billy Wilder&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rk3dYpqgxHI/AAAAAAAAACg/GK1ijxA2NbE/s1600-h/The+seven+year+itch.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rk3dYpqgxHI/AAAAAAAAACg/GK1ijxA2NbE/s320/The+seven+year+itch.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065948571432436850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A simples menção do nome de Marylin Monroe na maioria das vezes traz à mente a imagem da atriz tentando evitar que seu vestido branco suba com o vento. O que muita gente não sabe é que essa cena icônica do cinema é parte de um pequeno filme chamado "O pecado mora ao lado", uma comédia do brilhante diretor e roteirista Billy Wilder.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Desde antes do descobrimento da América, habitantes de Manhattan possuem um costume: todo ano, com a chegada do verão, as esposas e as crianças viajam para algum lugar ao norte para escapar do calor escaldante, enquanto os homens ficam na cidade fazendo suas tarefas (pescar, montar armadilhas e caçar). Mais de 500 anos depois, os homens continuam com o mesmo costume, e "O pecado mora ao lado" conta a história de Richard Sherman, que ao invés de pescar, montar armadilhas e caçar enquanto a família está longe, trabalha como editor de uma publicadora. No seu primeiro dia sozinho, Sherman conhece a nova vizinha do andar de cima (Marilyn Monroe) - tornando o título em português errôneo, pois o pecado mora em cima, e não ao lado - e logo começa a sentir a coceira da tentação - o título original do filme seria "A coceira dos sete anos", se referindo a uma teoria do filme que os homens são mais propensos ao adultério no seu sétimo ano de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imaginação de Sherman está além do escopo abrangido por "fértil". Como diz sua esposa no filme, sua imaginação é "em cinemascope e com som estereofônico". As cenas mais engraçadas e divertidas são, de longe, quando Sherman está imaginando uma realidade paralela à que ele está vivendo, como por exemplo quando ele imagina uma discussão com sua esposa sobre as várias em que ele resistiu a mulheres se jogando em cima dele devido ao seu "charme animal" (uma vez que Sherman pode ser qualquer coisa, menos atraente), ou quando ele imagina ser apanhado pela mulher com outra em seu apartamento. Ao longo do filme, em vários momentos há a menção de algum elemento da cultura pop da época - um exemplo disso é em uma das cenas de imaginação de Sherman, em que a famosa cena do casal na praia ao bater das ondas de "A um passo da eternidade" é reproduzida em uma das referências mais descaradas já apresentadas - e o filme em momentos se auto-referencia, como na cena em que Sherman grita com um vizinho "quem você acha que está na cozinha, Marilyn Monroe?" ou a cena em que a esposa descreve a imaginação dele (o filme foi, de fato, filmado em cinemascope e com som estereofônico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é uma adaptação da peça de teatro homônima, e Tom Ewell repete seu papel da peça no filme, como Sherman. Na maioria dos casos em que um ator/atriz faz no cinema um papel que o consagrou no teatro, a atuação no cinema é digna de louvor, e com Ewell não foi diferente. Sua capacidade de expressão é fantástica, tornando impossível não rir de suas neuroses, além de suas caras e bocas ao longo do filme. Marilyn Monroe faz o papel da vizinha sem nome, personificando mais uma vez o estereótipo de loira burra, o qual odiava. A ingenuidade da vizinha ajuda a manter críveis as fantasias de Sherman, mas ao mesmo tempo perde a credulidade da audiência com relação a própria personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1955, o filme causou furor por sua ousadia para a época, apesar de que, se analisarmos o filme com os olhos de hoje, não se encontra nada de mais, parecendo até bastante inocente comparando com as comédias atuais. Na época, os responsáveis pela censura queriam proibi-lo, por apresentar um tema polêmico (adultério) como algo banal, mesmo não havendo cenas de real adultério (com exceção de um ou dois beijinhos de Sherman com a vizinha). Outra coisa que chocou foi a sensualidade exibida na tela, com a personagem de Marilyn com o dedão do pé preso na banheira, e até mesmo a famosa cena do vestido sendo levantado pela corrente de ar vinda do trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se comenta sobre a obra do diretor Billy Wilder, "O pecado mora ao lado" normalmente é um de seus filmes menos citados, e de forma injusta. É claro que comparar essa simples comédia com obras máximas de seu currículo (como o brilhante "Crepúsculo dos deuses") é injusto, e até pode passar desapercebido, porém considerando a polêmica e o sucesso do filme na época de seu lançamento, esse é um filme que não deve ser ignorado. O humor mordaz de Wilder está presente aqui, além das ótimas atuações por parte do elenco. Sempre desafiando a indústria do cinema, Billy Wilder travou uma batalha para poder realizar esse filme, porém muito do conteúdo teve que ser alterado ou até mesmo cortado - a cena clássica do vestido teve que ser editada para que não aparecesse a calcinha de Marilyn, por exemplo. O resultado foi uma deliciosa comédia com altos níveis de insinuação e muita sensualidade por parte de Marilyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mais uma obra-prima, Billy Wilder mostra em "O pecado mora ao lado" que uma boa comédia não é feita apenas de uma série de cenas estúpidas com adolescentes bêbados e piadas de sexo, algo que o cinema atual parece ter esquecido, e sim de um roteiro inteligente com piadas sutis, que não subestimam a capacidade intelectual dos espectadores. Para quem gosta de comédias, ao invés de assistir filmes como "Um show de vizinha" ou qualquer outro do gênero comédia-adolescente-sem-cérebro, dê uma chance a esse clássico. A falta de nudez pode fazer falta, mas a beleza natural de Marilyn Monroe compensa qualquer nudez. Além do mais, comédias são comédias, e não tentativas frustradas de filmes pornô.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-4623693588018816865?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/4623693588018816865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=4623693588018816865&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4623693588018816865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4623693588018816865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/o-pecado-mora-ao-lado.html' title='O PECADO MORA AO LADO'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rk3dYpqgxHI/AAAAAAAAACg/GK1ijxA2NbE/s72-c/The+seven+year+itch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-4404012628376761123</id><published>2007-05-17T07:19:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:15:02.464-07:00</updated><title type='text'>...E O VENTO LEVOU</title><content type='html'>...E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939)&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Dirigido por Victor Fleming&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkxlYbtgPJI/AAAAAAAAAAc/SdudWK1IVCg/s1600-h/gone_with_the_wind_ver1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkxlYbtgPJI/AAAAAAAAAAc/SdudWK1IVCg/s320/gone_with_the_wind_ver1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065535151314844818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Restritos são os filmes que conseguem a façanha de tornarem-se lendas em seu próprio tempo. &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; pode ser considerado um desses raros exemplos. Tido como uma das representações máximas &lt;span style="color:black;"&gt;de como um épico cinematográfico deve ser, o filme é provavelmente o maior representante da Era de Ouro de Hollywood. Uma produção que conseguiu estabelecer uma conexão com a platéia como poucos antes ou depois de si ao ponto de entrar para a cultura popular, com seus inúmeros relançamentos provando repetidamente sua enorme popularidade – de fato, se ajustarmos os números pela inflação&lt;/span&gt;, &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; ocupa o posto de maior bilheteria de todos os tempos. O filme também aparece na quarta posição na lista do American Film Institute dos 100 melhores filmes americanos de todos os tempos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A concepção de &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; originou com o romance literário de Margaret Mitchell de mesmo nome publicado em 1936. Um fenômeno literário comparável ao recente sucesso de &lt;i style=""&gt;O Código Da Vinci &lt;/i&gt;de Dan Brown, o livro teve seus direitos cinematográficos adquiridos pelo produtor David O. Selznick pelo então exorbitante valor de $50,000 dólares. Mesmo em uma época onde a Internet estava há décadas no futuro, a produção era acompanhada de perto pela imprensa e público, com a busca de uma atriz para interpretar a destemida Scarlett O’Hara se tornando uma obsessão nacional (acredita-se que mais de 400 atrizes foram testadas para o papel). A atriz inglesa Vivien Leigh ganhou aquele que é provavelmente o mais famoso papel feminino da história, enquanto o papel de seu interesse amoroso, o capitão Rhett Butler, foi inevitavelmente para Clark Gable (vale notar que, apesar de aparecer em praticamente todas as cenas do filme, o nome de Leigh é creditado em segundo, atrás de Gable). Após uma conturbada produção que passou por três diretores diferentes (apesar de apenas Victor Fleming ser creditado), o filme foi lançado em 1939, se tornando uma febre mundial ainda maior que a do livro que o originou, e logo ultrapassando &lt;i style=""&gt;Branca de Neve e os Sete Anões &lt;/i&gt;(Snow White and the Seven Dwarfs, 1937) como a maior bilheteria de todos os tempos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seria fácil rebaixar &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; como um melodrama manipulador, originário de uma série de elementos narrativos que se tornariam clichês em inúmeras outras produções dramáticas (como a telenovela). A verdade é que o filme foi produzido em uma época de diferentes percepções estéticas e culturais (tomamos em mente que esta é uma época prévia à linguagem cinematográfica moderna introduzida &lt;st1:personname productid="em Cidad￣o Kane" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;Cidadão Kane&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;), e para o público de 1939, esta era uma experiência como nenhuma outra vista anteriormente. O fato de que sua fórmula seria repetida à exaustão apenas comprova o quão inserido na cultura popular a obra se tornou. Outras superproduções tentaram repetir o mesmo ângulo de romance contra cenário histórico (como &lt;i style=""&gt;Doutor Jivago &lt;/i&gt;de David Lean e, a certo ponto,&lt;i style=""&gt; Titanic&lt;/i&gt; de James Cameron), com resultados nem sempre tão positivos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A saga de Scarlett O’Hara e sua luta para subir na vida em meio à hostilidade da Guerra da Secessão atingiram um acorde em especial com as platéias de 1939. Ainda sofrendo os terríveis efeitos da Depressão, o público pôde identificar na protagonista sua própria imagem: alguém que vai à falência e chega ao mais profundo desespero, mas que não desiste de lutar apesar das maiores dificuldades. E é tal determinação que ajuda a tornar a tornar Scarlett uma das mais fascinantes e tridimensionais personagens na história do cinema. Provavelmente o maior exemplo de anti-heroína, eis uma mulher que é capaz de chegar a situações extremas para defender sua terra e sua família (como diz no seu apaixonado juramento, ela realmente “mente, rouba, trapaceia e mata”). Educada como uma típica “beldade do sul”, Scarlett é uma jovem mimada e manipuladora que não se conforma quando suas vontades não são atendidas. Seu suposto amor por Ashley Wilkes, por exemplo, se revela ser nada mais do que a ilusão da mente de uma garota por algo que nunca existiu de verdade e um capricho por querer algo que ela não pode ter. A ambígua personalidade de Scarlett é demonstrada em diversas situações ao longo do filme: ela é capaz de ajudar e proteger Melanie (ainda que por dívida a Ashley), mas também é capaz de ser mesquinha e interesseira, chegando a se casar três vezes, sendo que nenhuma por amor verdadeiro. Tal ambigüidade ajuda a tornar a personagem real diante dos olhos do espectador, a afastando das tradicionais perfeitas e imaculadas heroínas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No papel que mais marcou a carreira de ouro de Clark Gable (e cujo Oscar ele inexplicavelmente perdeu, alguns acreditam que pelo fato de Gable estar interpretando ele mesmo), Rhett Butler é a versão masculina de Scarlett. Ambos são personagens teimosos, autônomos e destemidos, que lutam para sobreviver a seu próprio modo. Talvez por serem tão semelhantes, o casal vive uma relação tempestuosa ao longo do filme, relação esta que é selada com uma das mais célebres frases do cinema. Ainda assim, Rhett se revela uma melhor pessoa do que Scarlett: quando os dois têm uma filha, o capitão se mostra um pai carinhoso e amoroso, enquanto as maiores preocupações dela se referem ao tamanho de seu espartilho. Diversas são as suas tentativas de se aproximar de Scarlett e, quando ela percebe que realmente o ama, já é demasiadamente tarde.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com personalidades tão definidas, Scarlett O’Hara e Rhett Butler formam um dos mais peculiares casais das telas, podendo ser considerados a antítese de um tradicional par romântico. Enquanto os diálogos de Scarlett e Ashley são exageradamente literários e melodramáticos, as cenas entre o casal interpretado por Leigh e Gable são carregadas de acidez e ironia. Tomemos por exemplo a cena na qual Butler pede a mão de O’Hara &lt;st1:personname productid="em casamento. Uma" st="on"&gt;em  casamento. Uma&lt;/st1:personname&gt; ocasião que em um filme tradicional poderia ser o momento mais romântico da película, aqui é encenada com uma viúva bêbada que acaba de enterrar o marido e um pretendente que propõe um casamento “apenas por diversão”. Os dois se casam por maior questão de conveniência do que sentimento real: Rhett pelo desejo que nutre por Scarlett e ela pelo seu dinheiro. É dito que Leigh e Gable não tinham uma boa relação no set, mas o que vemos na tela é uma perfeita química entre a dupla, chegando a gerar certa dose de erotismo um tanto ousada para a época (“Ele me olha como se soubesse como fico sem roupas” ela diz ao trocar olhares pela primeira vez com o capitão). Em uma das mais polêmicas cenas do filme, Rhett força Scarlett a ter uma noite de sexo com ele após meses de negação. No dia seguinte, a expressão de satisfação no rosto dela não consegue esconder o prazer sentido na noite anterior.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os outros dois co-astros do filme, Leslie Howard e Olivia de Havilland, interpretam o casal Ashley Wilkes e Melanie Hamilton. Representando a imagem oposta de Scarlett e Rhett, Melanie é a única personagem realmente boa no filme, se importando com todos acima de si mesma, enquanto Ashley é um homem cujos princípios de honra o impedem de assumir uma relação com Scarlett, mas que se revela ser uma pessoa fraca que vive no passado. Infelizmente, é justamente no papel de Ashley que o filme apresenta uma de suas maiores falhas, tendo início com a escalação do ator. Leslie Howard, na época com quarenta e três anos de idade, não apenas era muito velho para interpretar alguém que deve contracenar com duas atrizes com pouco mais de vinte anos, mas também aparenta estar desconfortável no papel. Acaba tornando-se difícil para o público entender a fixação de Scarlett por Ashley, especialmente quando o roteiro dá ao personagem alguns dos mais fracos diálogos do filme (demasiadamente fabricados e românticos, se analisarmos com uma visão moderna). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Famoso por seus excessos, &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; faz jus ao seu rótulo de épico, tanto em escala quanto &lt;st1:personname productid="em dura￧￣o. Sidney Howard" st="on"&gt;em duração. Sidney Howard&lt;/st1:personname&gt;, ao lado outros roteiristas não creditados, faz um competente trabalho na adaptação do romance com mais de mil páginas de Margaret Mitchell para as telas. Com quase quatro horas de duração (incluindo introdução e intervalo), é um esforço admirável que a atenção do espectador seja capturada até os últimos instantes do filme. Alguns problemas podem ser encontrados na segunda parte da obra, quando a narrativa se torna mais episódica e menos movimentada, mas ainda assim somos brindados com momentos de diálogos muito bem escritos e com reviravoltas o bastante para carregar o filme até seu derradeiro final. Enquanto é verdade que algumas cenas poderiam ter sido diminuídas ou totalmente excluídas, e que a parada de tragédias que atinge os personagens nos últimos minutos pode parecer excessiva, a longa duração contribui para a sensação final de que &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou &lt;/i&gt;é realmente uma poderosa experiência.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há alguns elementos que não envelheceram tão bem aos olhos de nossa sociedade politicamente correta, a principal delas sendo a representação dos afro-americanos. Alguns criticam o filme por mostrar personagens negros estereotipados, e escravos que se mostram felizes por trabalharem para seus mestres brancos. Um fato que pode passar negligenciado é que Mammy (na atuação de Hattie McDaniel que lhe rendeu o Oscar) é uma das personagens mais sensatas do filme, constantemente repreendendo as canalhices de Scarlett e sendo muito querida pelos demais personagens. Algo a considerar é que &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; foi produzido em uma época com sensibilidades diferentes, e seria errado julgá-lo com olhos atuais. Como disse Roger Ebert em seu livro Great Movies, “um &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; politicamente correto não valeria a pena ser feito, e poderia enormemente ser uma mentira.”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Independente de deficiências históricas e narrativas, é inegável que estamos falando de um dos filmes mais cuidadosamente produzidos da história. Desde os créditos iniciais onde os títulos se arrastam pela tela acompanhados da épica trilha sonora de Max Steiner, o espectador pode ter a certeza de que está na presença de algo verdadeiramente grande. Na época de seu lançamento, &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; elevou a arte dos independentes departamentos do cinema ao máximo do que podia ser alcançado. Apresentando uma visão romântica do Velho Sul, o filme é extremamente detalhista em seus grandiosos cenários repletos de figurantes e seus belos figurinos. Um meticuloso estudo de mise em scène revela composições que variam da simples beleza efetiva de um close dos atores a ousados e grandiosos planos abertos. A marcante cena &lt;st1:personname productid="em que Scarlett" st="on"&gt;em que Scarlett&lt;/st1:personname&gt; parte em busca do Dr. Meade em um grande campo aberto, por exemplo, tem início com um plano fechado no rosto de Vivien Leigh reagindo ao que vê a sua frente. Aos poucos o plano é aberto em &lt;i style=""&gt;travelling&lt;/i&gt; para revelar uma interminável fila de corpos de soldados mortos e feridos dispostos ao chão, enquanto a câmera se afasta o bastante para revelar a bandeira dos confederados balançando alto contra o vento. As belíssimas pinturas mate (&lt;i style=""&gt;matte &lt;/i&gt;paitings) de Jack Cosgrove preenchem cenários e paisagens inexistentes, criando impressionantes visões como as vastas terras das plantações de Tara.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um elemento que não passa despercebido aos olhos é o marcante uso do Technicolor no filme. &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou &lt;/i&gt;foi o primeiro filme colorido a ganhar o Oscar de Melhor Filme, e também é uma das primeiras obras cinematográficas a mostrar uma preocupação em utilizar as cores para obter um efeito psicológico no espectador. Marcantes são as cenas em que os personagens são destacados em silhueta contra vastos céus avermelhados, estas que contrastam com os frios azuis que acompanham a volta de Scarlett na estrada à sua Tara destruída. O vermelho se faz presente em momentos chave da relação entre Rhett e Scarlett, acentuando o misto de paixão e fúria de seu relacionamento: no céu do crepúsculo durante a cena onde os dois se beijam na ponte após a fuga de Atlanta; na grande escadaria onde Scarlett sofre seu acidente e onde Rhett a leva para o quarto à força. Esta última cena em especial demonstra o virtuosismo técnico e o casamento perfeito entre os departamentos de figurino, fotografia e direção de arte. Não bastasse a natureza polêmica da cena, seu &lt;i style=""&gt;staging&lt;/i&gt; faz o uso dramático de sombras e da iluminação oriunda de castiçais e de um enorme lustre que paira sobre a grande escadaria. O vermelho das escadas casa com o vermelho do vestido de Scarlett e, quando Rhett a carrega no colo degraus acima, os dois somem em meio à penumbra.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Talvez uma das chaves para se apreciar &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; corretamente é se desarmar de maiores preconceitos e aceita-lo como um produto de sua época: uma grande saga sobre pessoas apaixonadas em tempos de guerra como apenas Hollywood sabia fazer. Independente de alguns elementos datados, o filme não perdeu seu poder e a capacidade de prender aos que se renderem à sua dramaticidade. Assim como Scarlett na cena final do filme, indestrutível e incapaz de se render, &lt;i style=""&gt;...E o Vento Levou &lt;/i&gt;continua a se firmar como um dos grandes marcos na história do cinema. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-4404012628376761123?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/4404012628376761123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=4404012628376761123&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4404012628376761123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4404012628376761123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/e-o-vento-levou.html' title='...E O VENTO LEVOU'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkxlYbtgPJI/AAAAAAAAAAc/SdudWK1IVCg/s72-c/gone_with_the_wind_ver1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-6359477651436980386</id><published>2007-05-14T13:51:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:44:21.250-07:00</updated><title type='text'>CASSINO</title><content type='html'>Cassino (Casino, 1995)&lt;br /&gt;Dirigido por Martin Scorsese&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkjL_ZYZHAI/AAAAAAAAACY/Kx2ECbiI0Qc/s1600-h/Casino.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkjL_ZYZHAI/AAAAAAAAACY/Kx2ECbiI0Qc/s320/Casino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064522070983515138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No começo dos anos 90, o diretor Martin Scorsese já havia se firmado como um dos melhores diretores americanos, com uma filmografia de dar inveja. Em 1976, Scorsese fez seu impactante "Taxi driver", uma fábula sobre a noite em uma Nova York suja e violenta. Em 1980, o diretor fez o filme que muitos consideram sua obra-prima, "Touro indomável", um drama intimista sobre a carreira de um lutador de boxe. Dez anos mais tarde, seu "Os bons companheiros" se tornou um dos melhores filmes de máfia já feitos. Em 1995, "Cassino" começa a mostrar sinais de falta de originalidade por parte do diretor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Las Vegas é um mundo à parte. Escondida no meio do deserto de Nevada, a capital mundial do jogo é o cenário para "Cassino", uma história de máfia, dinheiro e traição, baseada em uma história real. Para interpretar essa história, Robert de Niro faz o papel de Sam Rothstein, um homem que sabe tudo sobre todo tipo de jogo, e que se torna responsável pelo Tangiers, o cassino ao qual o título do filme se refere. Seu amigo de infância Nicky Santoro (interpretado por Joe Pesci), assim como Sam, trabalha para a máfia e após algum tempo se torna uma das pessoas mais procuradas pela polícia - conseqüência de seus métodos de se negociar e seu temperamento psicótico. Sam se apaixona por Ginger (Sharon Stone), a clássica mulher interesseira, cujo único real interesse na vida é ter mais e mais dinheiro (e gastá-lo, é claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único reconhecimento que o filme teve nas premiações do Oscar de 1995 foi a indicação de Sharon Stone ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, o que foi merecido, apesar da personagem interpretada pela atriz ser totalmente descontrolada na segunda metade do filme. O fato de ninguém mais no elenco ter recebido atenção da academia, e o filme em si também ter sido negligenciado no restante da premiação foi injustiça, principalmente se lembrarmos que o ano de 1995 foi extremamente fraco em matéria cinematográfica - os melhores filmes daquele ano eram "Se7en" e "Cassino". Robert de Niro, figurinha carimbada nos filmes de Scorsese (ele está presente em quase todos os melhores filmes do diretor), faz uma boa interpretação como Sam - sutil e competente. O elo fraco do elenco é Joe Pesci - que muitos consideram um dos melhores do filme. Pesci faz de Nicky uma pessoa extremamente psicótica e sem noção de limites, o que após um ponto chega a ser difícil de aceitar e torna-se irritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é povoado por características típicas de vários filmes de Scorsese: narração não linear (que aqui acabou se tornando um pouco confusa), edição ágil (sempre feita pela competente Thelma Schoonmaker), uma bela fotografia, com cores bem saturadas e trilha sonora com músicas populares que se encaixam perfeitamente no contexto das cenas. Os créditos iniciais, feitos pelo mesmo grupo que fez os créditos de abertura inesquecíveis de "Psicose", "Um corpo que cai" e muitos outros, são hipnotizantes, logo após a explosão do carro e com Robert de Niro voando pelas chamas ao som de música clássica. Tecnicamente falando, não há do que reclamar do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de originalidade de "Cassino" se deve ao fato de que Scorsese decidiu não arriscar em criar algo novo e o filme todo parece uma junção de fórmulas já usadas em seus filmes anteriores apenas com uma roupagem nova. As semelhanças de "Cassino" com "Os bons companheiros" são inegáveis: ambos os filmes começam com algum acontecimento pivô da história, e depois vemos o que acontece antes disso. O tipo de trilha sonora usado também é extremamente semelhante ao usado no filme predecessor, assim como boa parte do elenco - coadjuvantes e principais - também estavam em "Os bons companheiros". O estilo do filme (fotografia, musica, edição) é semelhante também, principalmente o uso da narração por vários personagens comentando os acontecimentos que se passam na tela. Assim como "Os bons companheiros", o roteiro de "Cassino" também é adaptado de um livro de Nicholas Pileggi. A impressão que dá ao fim da película é uma sensação de déjà vu, em um bom filme, porém em uma tentativa de repetir o sucesso que, de certa forma, saiu pela culatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a famosa fórmula máfia-ascenção-poder-fracasso já ter sido usada à exaustão, "Cassino" consegue usar isso de forma eficiente e oferece três horas de entretenimento (embora seja questionável considerar como entretenimento um homem ser esfaqueado com uma caneta). O que prejudica o filme é a dificuldade de se analisar o filme isoladamente do resto da filmografia de seu diretor, mas ignorando-se o resto da obra de Scorsese, esta é uma obra-prima. "Cassino" pode ser considerado uma cópia de carbono de "Os bons companheiros", mas levando em conta que o objeto copiado era material de qualidade, a cópia ainda assim é superior à maioria dos filmes lançados na telona.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-6359477651436980386?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/6359477651436980386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=6359477651436980386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6359477651436980386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/6359477651436980386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/cassino.html' title='CASSINO'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkjL_ZYZHAI/AAAAAAAAACY/Kx2ECbiI0Qc/s72-c/Casino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-9148206815201514049</id><published>2007-05-11T12:28:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:15:39.000-07:00</updated><title type='text'>CARROS</title><content type='html'>Carros (Cars, 2006)&lt;br /&gt;Dirigido por John Lasseter&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkTFJpl7NmI/AAAAAAAAAAU/EDSPY6nUJXU/s1600-h/cars_ver2_xlg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkTFJpl7NmI/AAAAAAAAAAU/EDSPY6nUJXU/s320/cars_ver2_xlg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063388650645698146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O ano de 2006 constatou a realização de uma previsão feita por analistas e fãs desde o início da década: a saturação do mercado de animação. Devido aos imensos sucessos dos filmes da Pixar e o fenômeno de certo ogro verde, diversos estúdios colocaram em produção uma série de animados digitais, esperando receberem sua fatia de lucros. Tal foi o interesse que o ano finalizou com mais de dezesseis produções animadas tendo estreado apenas nos EUA, com a grande maioria tendo desempenho muito abaixo das expectativas. Esta grande exposição casou efeito reverso no público, que deixou de considerar animação algo especial, sendo também necessário mencionar que muitos destes filmes seguem a semelhante fórmula de comédia com tiradas pop estreladas por animais. No meio deste ano conturbado, chega &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt;, a primeira produção lançada após a compra da Pixar pela Disney. Oferecendo uma opção diferente dos animais falantes e ainda tendo como vantagem “dos criadores de &lt;i style=""&gt;Toy Story &lt;/i&gt;e &lt;i style=""&gt;Os Incríveis&lt;/i&gt;” nos cartazes, o filme conseguiu se destacar dos demais, ainda que não da forma como muitos esperavam. Mesmo lucrando $244 milhões nos EUA e se tornando a segunda maior bilheteria norte-americana de 2006, os resultados ficaram abaixo das últimas produções do estúdio, o que levaram ao início das pífias especulações a respeito da trilha de sucessos da Pixar (tal situação remete ao ano do lançamento de &lt;i style=""&gt;Pocahontas&lt;/i&gt;).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; nos introduz ao protagonista Lightning McQueen (voz de Owen Wilson), um arrogante carro de corridas que cruza o país para competir na Copa do Pistão na Califórnia. Quando um desvio de percurso acidental o faz se perder do seu caminho, ele acaba parando na pacata e abandonada cidade de Radiator Springs. Preso no lugar por infrações cometidas, ele se vê obrigado a conviver com figuras como o misterioso Doc Hudson (voz do ótimo Paul Newman), a adorável porshe Sally e um velho reboque chamado Mate (Larry the Cable Guy). O filme segue as relações de Lightning com o restante dos personagens, sendo que tudo leva à inevitável corrida ao final.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Talvez o principal problema de &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; seja o fato de ter sido lançado após uma onda de seis grandes sucessos, o que torna a comparação inevitável. E infelizmente, ainda que muito bom por seus próprios méritos, não chega ao nível de excelência de produções passadas da Pixar. Um dos principais aspectos negativos é a falta da naturalidade com que o desenrolar narrativo e as relações entre os personagens fluem, sendo que muitas vezes podemos ver as “engrenagens girando” – ou seja, é possível perceber a manipulação da narrativa para ir de ponto A ao ponto B. Isto também é prejudicado pelo fato de o arco do personagem Lightning McQueen já ter sido visto diversas outras vezes no cinema (personagem falho deve passar por mudanças ao se encontrar na companhia de outros que não lhe agradam). Apesar de coloridos e interessantes, boa parte do restante do elenco do filme não passa de estereótipos já mostrados em diversos outros filmes de animação, como o caipira gente boa e o sargento rabugento.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A maior diferença entre &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; e as produções anteriores da Pixar é sua escolha de elenco – ou, devemos dizer espécie. Enquanto nos filmes anteriores os cineastas conseguiram a façanha de fazer o espectador se envolver emocionalmente com brinquedos, insetos, monstros e peixes, de certa forma o mesmo efeito não é alcançado com carros. Talvez seja neste ponto no qual muitos amantes das máquinas irão discordar, mas torna-se mais complexo estabelecer uma conexão com um mundo em que todos os personagens são feitos de lata e andam sobre quatro rodas. Além disso, podemos nos questionar a respeito da verossimilhança de um universo que é povoado exclusivamente por carros, mas que tem a mesma aparência do nosso. Em um mundo povoado apenas por máquinas dotadas de rodas e desprovidas de braços, é possível ponderar como todo o ambiente ao redor dos personagens foi construído. Talvez o espectador não devesse pensar sobre tais fatos em um filme de fantasia mas, como diria Walt Disney, para ocorrer a suspensão de descrença é necessária a ilusão do impossível plausível.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Independente de tais falhas, o pessoal da Pixar ainda não esqueceu como fazer um filme envolvente, e desta forma não podemos negar que &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; é um saudável entretenimento que conquista o espectador pelo seu charme. John Lesseter conseguiu inserir no filme um verdadeiro espírito de camaradagem e nostalgia que permeia por entre os vagantes da Rota 66, criando um afiado contraste entre o mundo moderno e apressado das pistas de corrida. Isso não significa que a produção seja uma crítica aos tempos mais atuais, mas sim uma ode às épocas passadas onde relacionamentos eram menos complicados e a vida era mais simples. Em uma das melhores passagens de &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt;, vemos uma montagem que ilustra os tempos áureos e a derrocada de Radiator Springs com a construção da interestadual. Em outra cena vemos a pequena cidade voltar aos seus anos prósperos, regada a uma trilha dos anos cinqüenta e jovens (carros) que não resistem ao hábito de &lt;i style=""&gt;cruising&lt;/i&gt;. Um paralelo entre o passado e o presente pode ser estendido até mesmo com os atuais tempos da animação, onde lápis é pincel são jogados de lado a favor de mouse e teclado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mesmo não apresentando grandes inovações como os pelos que se movem de Sulley ou a animação humana dos Incríveis, &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; é tecnicamente impecável. As cenas ambientadas no interior surpreendem por seu foto realismo, sendo que alguns planos abertos parecem ter saído de um western de John Ford. Também vale citar o criativo design dos personagens, que fogem da tentação de utilizar os faróis como olhos e que possuem personalidade própria, apesar de suas limitações.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Apesar de não se sustentar tão bem quando inspecionado categoricamente, &lt;i style=""&gt;Carros&lt;/i&gt; é um filme cujo total funciona melhor que a soma de suas partes. De certa forma, podemos dizer que o slogan dos cartazes funciona para o próprio animado: “o que importa não é o destino, mas sim o percurso”. E no estado atual da animação, qualquer produção que se preocupa com o interior de seus personagens e não seja apenas uma colagem de referências pop e de sucessivas piadas de humor de banheiro já é algo a celebrar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-9148206815201514049?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/9148206815201514049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=9148206815201514049&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/9148206815201514049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/9148206815201514049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/carros.html' title='CARROS'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lorEQVVlEOs/RkTFJpl7NmI/AAAAAAAAAAU/EDSPY6nUJXU/s72-c/cars_ver2_xlg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-132098823980930094</id><published>2007-05-09T21:19:00.000-07:00</published><updated>2007-09-21T19:57:48.889-07:00</updated><title type='text'>MAGNÓLIA</title><content type='html'>Magnólia (Magnolia, 1999)&lt;br /&gt;Dirigido por Paul Thomas Anderson&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkKd45YZG_I/AAAAAAAAACQ/N2K2TQieWjk/s1600-h/Magnolia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkKd45YZG_I/AAAAAAAAACQ/N2K2TQieWjk/s320/Magnolia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062782531919223794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Stanley entra em um estúdio de televisão acompanhado de seu pai, e acompanhamos os dois até que Stanley e seu pai se separam. Continuamos seguindo o pai de Stanley, que conversa com os pais de outras crianças que também estão no estúdio. Saindo da sala onde o pai de Stanley está, percorremos corredores até encontrarmos Stanley novamente, entramos em um elevador, saimos e encontramos Mary, a assistente de Jimmy Gator no corredor e começamos a segui-la. Em um filme comum, essa cena seria dividida em inúmeros cortes. Em "Magnólia", isso tudo é feito em apenas uma tomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o enorme sucesso de crítica e aceitação do público de "Boogie nights - prazer sem limites", o escritor e diretor Paul Thomas Anderson resolveu não perder tempo e começar um novo projeto. O resultado seria "Magnólia", um filme sobre as coincidências que ocorrem em nosso cotidiano sem sequer nos darmos conta. Uma história sobre família, relações destruídas e reconciliações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do filme somos apresentados a três histórias consideradas lendas urbanas nos Estados Unidos que demonstram como coincidências acontecem a todo o tempo: um homem assassinado por homens cujos sobrenomes formam o nome da cidade onde ele morava; um mergulhador encontrado morto em cima de uma árvore; um rapaz que tenta suicídio e é acidentalmente assassinado pela mãe. As histórias podem parecer forçadas, mas o objetivo é ilustrar que coincidências acontecem sim, e com maior freqüência que se imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história gira em torno de 9 personagens principais: Frank T. J. Mackey é um guru do sexo e tem um curso de sedução para homens e é filho de Earl Partridge, um velho produtor de programas de TV, com câncer e à beira da morte, cuidado por seu enfermeiro Phil Parma. Linda Partridge é a esposa de Earl, que casou com o velho apenas para receber a bolada após a morte do esposo, mas ao cuidar dele ela sente culpa e se arrepende do que fez. Jimmy Gator é o apresentador do programa de TV "O que as crianças sabem", em que adultos competem com crianças para ver quem sabe mais. Stanley Spector é o menino gênio que está há semanas no programa, sem errar uma, e a duas semanas de bater o recorde estabelecido por Donnie Smith, que tornou-se um perdedor ao crescer. Jim Curring é um policial da polícia de Los Angeles, que acaba conhecendo (e se apaixonando) por Claudia, a filha de Jimmy Gator. O filme percorre a trajetória desses personagens ao longo de um dia, mostrando de forma sutil as intersecções nas vidas dessas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes em geral não costumam ter mais de 3 narrativas simultâneas, e mesmo assim é costumeiro encontrar um que perde o fio da meada em algum ponto. "Magnólia" possui nove e em momento algum o filme perde o ritmo ou negligencia um personagem ou outro. Isso se deve ao roteiro genial de P. T. Anderson, que já havia experimentado acompanhar histórias de vários personagens em um único filme em "Boogie nights", porém em "Boogie" a história girava em torno de um personagem. Em "Magnólia" nenhum personagem é considerado principal, todos têm sua voz e seu tempo em tela suficiente para nos apegarmos a eles e sempre estarmos ansiosos para ver o rumo que suas vidas vão tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande forte do filme, além de seu roteiro incrivelmente bem escrito, são as atuações de todo o elenco. É difícil encontrar um filme em que TODOS os membros oferecem atuações do calibre que encontramos em "Magnólia". Os destaques são Tom Cruise, como Frank T. J. Mackey e Juliane Moore como Linda. Cruise interpreta com excelência todas as variações de seu personagem, de um simples machista arrogante a um filho que não consegue perdoar mágoas passadas. A personagem de Juliane Moore é a única que tem algum problema de desenvolvimento na história - desde o começo ela já está desesperada sem saber o que fazer. Mesmo com a limitação da personagem, Moore oferece uma interpretação digna de reverência, e nos provém de algumas das cenas de maior impacto dramático da película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme em aspectos técnicos é um espetáculo à parte. Uma das características dos filmes de Anderson é o grande número de enormes planos-seqüência (cenas longas sem cortes, como a descrita no parágrafo inicial que dura cerca de 3 minutos), e em "Magnólia" temos bons exemplos disso. As narrativas entrecaladas, unidas apenas pela mesma trilha de fundo, são um exemplo de edição. A trilha sonora, composta por várias músicas de Aimeé Mann (amiga do diretor, que escreveu o filme pensando nas músicas) dão um toque final a esse belíssimo trabalho artístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modo de contar histórias paralelas entrecaladas tem sido largamente copiado nos últimos anos, com destaque a "Crash - no limite" e "Babel". Ambos os filmes tratam de como as coincidências do cotidiano afetam a vida das pessoas, e as conseqüências que o ato de um pode desempenhar na vida de vários. O impressionante é perceber que os dois exemplos citados acima são inferiores tanto em contúdo quanto em técnica, e mesmo assim obtiveram melhor recepção de público e crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de pouco reconhecido, "Magnólia" é um dos melhores filmes dos anos 90, fruto da mente fértil de um talentoso roteirista e diretor. Provavelmente lembrado apenas por seu final, que merece uma análise à parte (e por isso nem foi mencionado aqui), "Magnólia" é muito mais que isso - é um filme que todos poderão se identificar com pelo menos um dos personagens e que mostra que filmes ainda podem surpreender quem os assiste.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-132098823980930094?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/132098823980930094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=132098823980930094&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/132098823980930094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/132098823980930094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/magnlia.html' title='MAGNÓLIA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/RkKd45YZG_I/AAAAAAAAACQ/N2K2TQieWjk/s72-c/Magnolia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-2734385821624396506</id><published>2007-05-06T10:36:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:16:20.765-07:00</updated><title type='text'>HOMEM-ARANHA 3</title><content type='html'>Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, 2007)&lt;br /&gt;Dirigido por Sam Raimi&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Rj4S9pl7NlI/AAAAAAAAAAM/p-r3xecV898/s1600-h/spider_man_three_ver2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Rj4S9pl7NlI/AAAAAAAAAAM/p-r3xecV898/s320/spider_man_three_ver2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061503881557259858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que começou como um gênero composto basicamente de filmes &lt;i style=""&gt;camp&lt;/i&gt; nos anos 60 evoluiu em um filão de filmes arrasa quarteirão, onde seus personagens principais são emocionalmente atormentados e cuja profissão traz maiores cicatrizes do que glória. Estamos falando do gênero super-herói, cujas adaptações cinematográficas rendem milhões aos estúdios desde &lt;i style=""&gt;Superman&lt;/i&gt; em 1978. É interessante observar a evolução do gênero, pois, transcendendo sua categoria de filme pipoca, cada vez mais os diretores têm criado heróis de personalidade tridimensional, mostrando que pode ser um grande fardo ter superpoderes em um mundo caótico. Em &lt;st1:metricconverter productid="2002, a" st="on"&gt;2002, a &lt;/st1:metricconverter&gt;Columbia acertou em cheio ao transpor o Homem-Aranha para as telas, e o público imediatamente estabeleceu uma conexão com o fracote Peter Parker que era apaixonado por sua amiga de infância. “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” já dizia o tio Ben, e em Hollywood isso significa “com grandes bilheterias vêm grandes seqüências”.   &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Em contrapartida aos filmes anteriores, no início de &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3&lt;/i&gt; tudo está bem na vida de Peter Parker (Tobey Maguire): não só o Homem-Aranha é adorado pelo público de Nova York, o rapaz também conseguiu mediar sua vida como super-herói e como estudante e ainda encontrar tempo para dar atenção à sua namorada Mary Jane (Kirsten Dunst). Esta, por sua vez, continua com sua carreira de atriz, fazendo sua estréia em um musical na Broadway. Infelizmente os bons tempos não duram muito: seu antigo amigo Harry Osborn (James Franco) logo aparece na forma do Novo Duende para vingar a morte de seu pai (o Duende Verde do primeiro filme) ao mesmo tempo &lt;st1:personname productid="em que Flint Marko" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em que Flint" st="on"&gt;em que Flint&lt;/st1:personname&gt;  Marko&lt;/st1:personname&gt; (Thomas Haden Church), o homem que matou o tio de Peter, foge da polícia e acaba sofrendo um acidente que o transforma no vilão Homem de Areia. Já no Daily Buggle, um novo fotógrafo chamado Eddie Brock (Topher Grace) tenta tomar seu emprego. Além disso, uma estranha substância negra vinda do espaço adere à sua roupa, lhe causando certas mudanças no comportamento. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Com tantos enredos paralelos, é admirável que &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3 &lt;/i&gt;não tenha resultado em uma obra conturbada e turbulenta, o que não signifique que a produção ainda não apresente sua dose de problemas. Na tentativa de manter o filme coeso e amarrado, Sam Raimi e seus roteiristas Ivan Raimi e Alvin Sargent apelam para alguns artifícios que acabam tornando a narrativa mais artificial e menos verossímil. O roteiro utiliza de forma exagerada o formato de causa e conseqüência tão comum na narrativa clássica americana, onde um evento leva a outro e assim subseqüentemente. Deste modo, o espectador é obrigado a crer por três ou quatro vezes durante o filme em uma série de coincidências nas quais os personagens sempre se encontram no lugar errado e na hora errada. &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3&lt;/i&gt; também introduz muitos elementos novos e tenta amarrá-los com outros já previamente desenvolvidos. O principal caso é a aparição do vilão Flint Marko que, graças a uma descarada manipulação dos roteiristas, se tornou o assassino do tio Ben dando uma perspectiva diferente aos acontecimentos do primeiro filme. O desejo de amarrar todas as pontas (este filme tem mesmo o sabor de encerramento) gera um dos momentos mais duvidosos do filme, onde um mordomo é instituído da função de esclarecer fatos importantes da história.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Assim como &lt;i style=""&gt;Batman: O Retorno &lt;/i&gt;e &lt;i style=""&gt;Superman II&lt;/i&gt;¸ &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3 &lt;/i&gt;apresenta a maior galeria de vilões da série. Não bastassem Harry e o Homem de Areia, o aracnídeo ainda tem que lidar com seu próprio comportamento agressivo causado pelo simbionte vindo do espaço e que, não será nenhum &lt;i style=""&gt;spoiler&lt;/i&gt; revelar, irá se tornar o vilão Venom. A conveniente solução para trabalhar com os três vilões foi se livrar de um deles no início (de certa forma) e deixar para introduzir outro apenas no terceiro ato. Apesar de esta ser uma adaptação dos quadrinhos, um homem feito de areia requer maior suspensão de descrença do que um homem vestido de duende que voa em um planador ou um homem com tentáculos de metal. Os efeitos especiais ajudam a criar um vilão impressionante tecnicamente e Church é um competente ator, mas os motivos para seus atos são um tanto superficiais. Com tantas histórias paralelas, alguns dos personagens ficam um pouco apagados. Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), o novo flerte de Peter, tem pouca função na história a não ser uma pedra no caminho de Mary Jane, enquanto a tia May (a ótima Rosemary Harris) apenas tem a função de oferecer seus conselhos e filosofias ao sobrinho, não tendo o mesmo papel ativo que teve no segundo filme.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mesmo entre tantas batalhas, externas e internas, é louvável que o filme consiga reservar boa parte de sua duração para explorar a relação entre Peter e Mary Jane. O grande diferencial do filme é que MJ agora conhece a identidade secreta do herói, trazendo à mesa uma série de novas implicações. Em séries como a do &lt;i style=""&gt;Batman &lt;/i&gt;e de &lt;i style=""&gt;Superman&lt;/i&gt;, um elemento recorrente é o herói tentando esconder da mocinha sua verdadeira identidade em diversas situações. Em &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3, &lt;/i&gt;o fato de Mary Jane estar ciente do alter-ego do companheiro dá nova dimensão à relação do par: além de ter de lidar com duas personalidades diferentes, ela também precisa suportar ver o sucesso de Peter enquanto sua carreira profissional desaba. A oportunidade é propícia para Kirsten Dunst mostrar seu amadurecimento como atriz e apresentar a melhor atuação do filme. As cenas entre os dois proporcionam alguns dos melhores momentos da película, estando livre das convenções narrativas que limitam diversos filmes de super-herói. Outro conflito de personalidades é a tão comentada batalha de Peter com ele mesmo. Sob o efeito do simbionte, ele adota um novo vestuário preto (tanto como Aranha quanto Peter) e um novo penteado que rendem inevitáveis comparações ao movimento emo. Mais agressivo e arrogante, o vemos sair às ruas de Nova York no melhor estilo John Travolta &lt;st1:personname productid="em Os Embalos" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;Os  Embalos&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i style=""&gt; de Sábado à Noite&lt;/i&gt;, em uma cena que atua como o oposto da seqüência “The Raindrops Keep Falling on My Head” do segundo filme (ainda que não exatamente com o mesmo efeito). Tobey Maguire parece se divertir interpretando a versão má de seu personagem, podendo fugir um pouco de sua habitual expressão de menino desamparado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não podemos esquecer que &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 3&lt;/i&gt; é um dos grandes blockbusters do ano e que seu inflado orçamento de $250 milhões não foi gasto apenas em cenas de desenvolvimento de personagens. Ainda que em aparente menor quantidade devido à maior duração do filme (que acaba sendo algo positivo), as cenas de ação devem agradar aqueles que esperam ir ao cinema vibrar com o aracnídeo &lt;st1:personname productid="em a￧￣o. O" st="on"&gt;em ação. O&lt;/st1:personname&gt; dinheiro gasto aparece na tela e os efeitos especiais não desapontam – ainda que, como já ficamos tão acostumados (ou poderíamos dizer mimados) com as proezas do computador, cada vez mais se torna difícil ficar realmente impressionado com eles. A maioria das cenas de ação envolve pancadaria em queda livre, algo que acaba se tornando cansativo após a terceira ou quarta vez. O filme também faz uso do gasto artifício do momento &lt;i style=""&gt;deus ex machina, &lt;/i&gt;onde um personagem é salvo por outro na última hora.&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;Curiosamente, a cena de ação mais efetiva do filme é um combate mano a mano entre Peter e Harry, cujo auxílio de efeitos especiais é mínimo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Com &lt;i style=""&gt;Homem-Aranha 2&lt;/i&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;Sam Raimi criou o que muitos consideram o melhor filme de super-heróis já feito, conferindo uma grande responsabilidade ao terceiro episódio da série. Se &lt;i style=""&gt;Aranha 3&lt;/i&gt; não consegue suprir todas as expectativas, ainda assim é um filme superior a qualquer aventura do &lt;i style=""&gt;X-Men&lt;/i&gt; e milhas a frente das bobagens de &lt;i style=""&gt;O Quarteto Fantástico&lt;/i&gt;. Com seus problemas narrativos, o filme talvez não se sustente tão bem quando analisado tão detalhadamente, mas o resultado final é outra adição de valor à saga do aracnídeo. Enquanto seus produtores não esquecerem que não foi a ênfase em efeitos especiais e sim o carisma do personagem e sua proximidade com o público que renderam tamanho sucesso à série, sempre será bom ter o velho amigo da vizinhança por perto.&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-2734385821624396506?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/2734385821624396506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=2734385821624396506&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2734385821624396506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2734385821624396506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/homem-aranha-3_06.html' title='HOMEM-ARANHA 3'/><author><name>Matheus Mocelin Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08186652381322282560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_lorEQVVlEOs/SiI4jjjPP0I/AAAAAAAAAFQ/fUQNIJFbccs/S220/n1341085175_30269431_4923140.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lorEQVVlEOs/Rj4S9pl7NlI/AAAAAAAAAAM/p-r3xecV898/s72-c/spider_man_three_ver2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-1327345293341703582</id><published>2007-05-03T14:01:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:43:37.737-07:00</updated><title type='text'>HOMEM-ARANHA 3</title><content type='html'>Homem-aranha 3 (Spider-man 3, 2007)&lt;br /&gt;Dirigido por Sam Raimi&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjpOKpYZG-I/AAAAAAAAACI/m5IEn3z4l2s/s1600-h/spider+3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjpOKpYZG-I/AAAAAAAAACI/m5IEn3z4l2s/s320/spider+3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060443076117994466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Diferentemente da maioria dos filmes de super heróis, a franquia dos filmes do aracnídeo se destaca por apresentar um herói que não é feito de aço e que tem problemas externos ao mundinho de vilões que querem dominar o mundo. Nesse terceiro filme da série, nosso herói volta para para proteger Nova York novamente, e também para lutar contra seus demônios internos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história desse terceiro capítulo da saga continua onde o segundo parou - para quem lembra, o final de "Homem-aranha 2" era extremamente aberto e pedia uma continuação. Peter Parker e Mary Jane Watson estão namorando, Peter e seu amigo Harry não estão se falando por causa de maus-entendidos do passado, e Nova York está em paz, sem vilões para atrapalhar a vida de todos. Pela primeira vez na vida de Parker as coisas estão indo certo, até que surgir Eddie Brock, um fotógrafo que tenta ocupar sua posição no trabalho. Parker também descobre que o homem que matou seu tio no primeiro filme está vivo e à solta, e causando problemas. Logicamente os desafetos do aracnídeo se tornarão os vilões que proporcionarão as ótimas cenas de ação características da série. Para tornar a galeria de problemas do herói mascarado, temos uma substância negra vinda do espaço, cujos efeitos não são agradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já mencionado anteriormente, a franquia do homem-aranha se destaca por possuir um enredo firme, e não apenas uma série de cenas de ação mal conectadas. Em "Homem-aranha 3" temos o filme com mais cenas de desenvolvimento de personagem da trilogia, e isso em geral é um ponto positivo. O maior problema com o roteiro foi a inserção de Flint Marko, o responsável pela morte do tio de Parker. Aparentemente a única função desse personagem no contexto da história foi permitir que Parker liberasse seu lado negro, e para o que o herói tivesse mais um inimigo e proporcionar mais cenas de ação. Os personagens secundários mais interessantes - Gwen Stacy, a rival de Mary Jane e Eddie Brock, o fotógrafo rival de Parker  - são pouco desenvolvidos, principalmente Stacy, que apenas aparece para causar ciúmes e atrapalhar o relacionamento de Parker e Mary Jane. Eddie até que consegue um bom desenvolvimento, e torna-se realmente ameaçador ao se tornar Venom, porém isso acontece tarde demais no filme, quando já se passou tempo demais gasto com o Homem de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três filmes, esse é definitivamente o que possui a história mais elaborada dos três, com várias tramas paralelas e é preciso estar bem atento ao assistir para pegar os detalhes. Um dos grandes acertos do filme foi dar uma dimensão maior ao confronto de Peter com Harry, tornando algo que parecia óbvio ao final do segundo filme em uma agradável surpresa. Com exceção de Parker (afinal, ele é o principal personagem do filme), Harry é o que mais ganha atenção ao longo da película. Sua presença é ameaçadora, principalmente após a primeira batalha o aracnídeo, em que cada reação de Harry é dúbia e apenas esperamos o confronto final entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse capítulo da saga tinha tudo para ser um ótimo filme, porém há varios detalhes da história que são desnecessários, ou mal apresentados. Após ser dominado pela substância negra, Peter se torna uma criatura insuportável. Certamente essa era a intenção quando isso aconteceu (principalmente para justificar o material de publicidade que dizia "a maior batalha será interna), porém algumas cenas desse trecho do filme deveriam ter ficado na sala de edição, principalmente quando Parker sai dançando pela rua dando em cima de todas as mulheres que vê pela frente. Essa seqüência, além de desagradável de assistir, acaba criando total antipatia com o herói. Mesmo que essa tenha sido a intenção, essa poderia ter sido expressa de forma melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um filme com um herói e três vilões principais, fica difícil de desenvolver todos de maneira ideal, e isso é o que o prejudica. As intenções foram boas, por tentar agradar a todos os fãs colocando o máximo possível dos personagens favoritos das histórias em quadrinho, mas isso acarretou em uma diminuição da qualidade da história comparando com os antecessores. Mesmo não tendo que gastar tempo apresentando os principais envolvidos da história, é sempre bom trabalhar com o que já se tem, porém fica difícil de trabalhar bem o grande número de acontecimentos e dar atenção a todos de maneira justa. Ao fim da película, fica a impressão de que acabamos de assistir a mais um filme do X-men, apenas com mais conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, esse filme se destoa do resto da trilogia, por várias razões. O fato de o herói se tornar uma pessoa má durante é uma das razões, fazendo com que esse se torne o capítulo mais sombrio da saga. A quantidade de conflitos internos dos personagens faz com que o filme se torne quase um drama de super herói com cenas de ação (o que é bom). Outro ponto que diferencia esse terceiro filme dos demais é o surgimento dos vilões (com exceção de Harry). O Homem de areia surge de maneira um tanto fantástica, e o mesmo acontece com Venom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando o filme tecnicamente, não há do que reclamar. O personagem do Homem de areia deu a oportunidade à equipe de efeitos especiais mostrar seu domínio ao tentar modelar digitalmente algo tão caótico quanto uma tempestade de areia. Por melhor que seja, ainda assim é notável que o personagem é uma composição de efeitos digitais, e lembram muito a cena da tempestade de areia em "A múmia". A trilha instrumental de Danny Elfman, que compôs para os filmes anteriores, se mantém bem fiel aos anteriores, o que é mais um ponto positivo ao filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que alguns personagens foram negligenciados pelos roteiristas, e outros que nem deveriam aparecer ganharam atenção demais não chega a comprometer o filme, porém fez com que esse deixasse de ser o melhor capítulo de uma das melhores (se não a melhor) saga de heróis dos quadrinhos. Quem apreciou os outros filmes da série por suas cenas de ação, pode acabar se decepcionando com esse, por ter mais conversa que brigas, propriamente dito. Para quem gostou da ênfase dos dramas internos de Peter Parker e seu relacionamento com Mary Jane, esse pode se tornar seu favorito da série. O que faltou foi uma mescla melhor desses dois pontos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-1327345293341703582?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/1327345293341703582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=1327345293341703582&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1327345293341703582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1327345293341703582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/homem-aranha-3.html' title='HOMEM-ARANHA 3'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjpOKpYZG-I/AAAAAAAAACI/m5IEn3z4l2s/s72-c/spider+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-941881703303181764</id><published>2007-05-02T19:56:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:43:26.324-07:00</updated><title type='text'>O FANTASMA DA ÓPERA</title><content type='html'>O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, 2004)&lt;br /&gt;Dirigido por Joel Schumacher&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Matheus Mocelin Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlQEpYZG9I/AAAAAAAAACA/YQXOgIwkzk8/s1600-h/phantom_of_the_opera_xlg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlQEpYZG9I/AAAAAAAAACA/YQXOgIwkzk8/s320/phantom_of_the_opera_xlg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060163697085324242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com o início de uma nova década, parecia que o filme musical havia caído novamente nas graças do público. Com as eventuais exceções, como &lt;i style=""&gt;Grease &lt;/i&gt;(1978)&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;e &lt;i style=""&gt;O Show Deve Continuar &lt;/i&gt;(1979) e os musicais Disney nos anos 90, o gênero estava dormente desde a metade dos anos 60. Provavelmente o público havia se tornado cínico demais para aceitar os enredos geralmente ingênuos e simplistas dos musicais, e foi necessário um diretor visionário como Bazz Luhrmann para injetar nova vida ao formato. Fazendo um melange de sucessos da música popular com uma edição ágil e moderna, seu &lt;i style=""&gt;Moulin Rouge&lt;/i&gt; (2001) criou uma verdadeira sensação, sendo até mesmo indicado ao Oscar de Melhor Filme. No ano anterior, &lt;i style=""&gt;Dançando no Escuro &lt;/i&gt;já havia recebido atenção em meio aos fãs de cinema. Já em &lt;st1:metricconverter productid="2002, a" st="on"&gt;2002, a&lt;/st1:metricconverter&gt; adaptação cinematográfica do sucesso da Broadway &lt;i style=""&gt;Chicago &lt;/i&gt;gerou uma das maiores bilheterias do ano, e a produção conseguiu a proeza de ser o primeiro musical a levar o Oscar desde &lt;i style=""&gt;Oliver! &lt;/i&gt;(1968). Infelizmente, os filmes que pareciam ter sido o renascimento do gênero logo mostraram ser outras exceções. Em 2004 chegou às telas &lt;i style=""&gt;O Fantasma da Ópera&lt;/i&gt;, baseado no popular musical de Andrew Lloyd Webber. Apesar do grande pedigree (cujo show bateu o recorde de tempo em cartaz na Broadway), o filme foi duramente criticado e sua bilheteria não fez jus à lucrativa propriedade. Apesar de &lt;i style=""&gt;Os Produtores &lt;/i&gt;de 2005 também não conseguir dar continuação à onda de sucessos, &lt;i style=""&gt;Dreamgirls &lt;/i&gt;se consagrou como um dos maiores filmes de 2006.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Já adaptado anteriormente para o cinema (a versão mais popular continua sendo a de 1925, com Lon Chaney como o Fantasma), &lt;i style=""&gt;O Fantasma da Ópera&lt;/i&gt; tem início na Paris de 1919, em um leilão na abandonada Paris Opera House. Graças a um flashback, voltamos a 1870, onde o teatro estava em seus anos áureos. Ensaios estão acontecendo para &lt;i style=""&gt;Hannibal &lt;/i&gt;de Chalumeau, apresentando a estrela da ópera Carlotta Giudicelli (Minnie Driver). Quando a cantora sofre um “acidente” (causado na verdade por uma figura misteriosa), a corista Christine Daaè (Emmy Rossum) a substitui na peça, e recebe grande aclamação do público. Na sua noite de estréia, ela reconhece na platéia Raoul (Patrick Wilson), o seu romance de infância. Mas Christine é assombrada por sonhos de uma figura que ela acha ser seu falecido pai, e que se apresenta para ela após sua estréia. O homem misterioso logo se revela na figura do Fantasma da Ópera (Gerald Butler), que tenta fazer o máximo para levar Christine ao estrelato. Logo, esta sua relação se transforma em obsessão, e a jovem se encontra no meio de uma disputa entre o Fantasma e Raoul.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;O Fantasma da Ópera &lt;/i&gt;foi dirigido por Joel Schumacher, o homem responsável por transformar a franquia do Batman em um desfile de cores e carros alegóricos com &lt;i style=""&gt;Batman Eternamente&lt;/i&gt; (1995) e &lt;i style=""&gt;Batman &amp; Robin &lt;/i&gt;(1997). Sendo este um musical suntuoso, Schumacher parece se sentir em casa com cenários e figurinos extravagantes e opulentos. De fato, o filme faz jus às suas indicações ao Oscar, pois, com suas luxuosas roupas e sua belíssima fotografia, é um dos filmes mais belos visualmente dos últimos anos. As canções de sucesso são as mesmas do musical da Broadway, das quais se destacam as memoráveis “The Phantom of the Opera” e “All I Ask of You”. Com tantos ingredientes que fazem um musical de qualidade, é uma pena que a construção da história não faça justiça ao conjunto total. A história de amor e obsessão está presente, mas sem a paixão e o medo que se poderia esperar. Isto pode ser culpado à falta de desenvolvimento dos personagens que, pulando de um número musical para outro, não conseguem demonstrar muito a relação existente entre si. Deste modo, o triângulo amoroso entre Christine, Raoul e o Fantasma é enfraquecido, pois parece não haver tempo o bastante para os personagens se apaixonarem.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O Fantasma da Ópera sempre foi um dos mais interessantes personagens da literatura, sendo um gênio que descabe a loucura graças à sua paixão pela sua amada. Podemos traçar as origens da história ao conto original de &lt;i style=""&gt;A Bela e a Fera&lt;/i&gt;, da alma torturada e deformada que implora por amor. Graças aos números musicais o Fantasma consegue expressar seus conflitos internos, mas ainda assim sentimos que mais poderia ter sido feito com o personagem, apesar da boa interpretação de Gerald Butler. Alguns fãs do musical original podem discordar, mas ele possui a presença e a voz para o personagem. A verdadeira estrela do filme, no entanto, é a bela Emy Rossum (de &lt;i style=""&gt;O Dia Depois de Amanhã &lt;/i&gt;e &lt;i style=""&gt;Sobre Meninos e Lobos&lt;/i&gt;), que ilumina a tela todos os momentos em que aparece. É impressionante que ela tinha apenas dezesseis anos durante a produção, pois ao mesmo tempo em que transparece uma inocência necessária para a personagem, demonstra grande segurança no papel, especialmente no que diz respeito a sua voz. O elo fraco do elenco é o inexpressivo Patrick Wilson, que torna o desfalcado triângulo ainda menos verossímil.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Apesar das necessárias adaptações, &lt;i style=""&gt;O Fantasma da Ópera &lt;/i&gt;parece ser mais fiel às suas origens teatrais do que a maioria dos musicais. Assim como nos palcos, parte dos diálogos é cantada ao invés de recitada, o que pode incomodar alguns espectadores menos acostumados com o formato. A história é contada através de um flashback, e Schumacher comete o erro de nos trazer para fora deste em momentos inoportunos e desnecessários ao meio da narrativa, como se subestimasse que o público fosse esquecer o prólogo inicial (explicado na última cena). Apesar de tais deficiências, o filme ainda consegue agradar por sua grandiosa trilha sonora e fantásticos valores de produção. Provavelmente espectadores menos exigentes apenas se deixarão levar pela história de amor e pelas canções, e talvez não percebam suas limitações. Fãs do musical também deverão ficar satisfeitos ao ver seus momentos favoritos personificados na tela, especialmente os que não tiveram a chance de assisti-lo no palco. Ainda assim, é uma pena que entre um número e outro e entre tantas trocas de roupa, os produtores tenham esquecido de dar maior alma aos personagens. &lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-941881703303181764?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/941881703303181764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=941881703303181764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/941881703303181764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/941881703303181764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/o-fantasma-da-pera.html' title='O FANTASMA DA ÓPERA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlQEpYZG9I/AAAAAAAAACA/YQXOgIwkzk8/s72-c/phantom_of_the_opera_xlg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-3592296411532261699</id><published>2007-05-02T18:58:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:42:38.137-07:00</updated><title type='text'>BONEQUINHA DE LUXO</title><content type='html'>Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961)&lt;br /&gt;Dirigido por Blake Edwards&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlCIZYZG8I/AAAAAAAAAB4/lcutq8x4Kt0/s1600-h/Breakfast+at+Tiffany%27s.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlCIZYZG8I/AAAAAAAAAB4/lcutq8x4Kt0/s320/Breakfast+at+Tiffany%27s.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060148368347044802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando se fala em comédias românticas, normalmente o que se vem à mente é alguma hitorinha simples em que uma mocinha conhece um mocinho e ambos se apaixonam e acabam felizes para sempre, mesmo tendo algumas dificuldades no meio da história. "Bonequinha de luxo" poderia ter seguido esse caminho, porém não segue essa fórmula mágica de romance e esse é o ponto que o destacou como um clássico e torna-o uma referência na hora de se criar filmes do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Audrey Hepburn faz o papel de Holly Golightly, uma mulher que possui um passado com algumas surpresas a serem reveladas ao longo do filme. Holly mora sozinha em seu apartamento em Nova York, acompanhada apenas por seu gato sem nome, e sua vida baseia-se em fazer sempre algo novo. Ela possui duas formas de sustentar-se: sair com homens ricos (sonha em casar-se com um) e cobrar pelo serviço (mas não a ponto de se tornar uma prostituta) e ir visitar um chefão da máfia na prisão e passar a "previsão do tempo" (na sua ingenuidade ela não percebe que é mensagem em código da máfia para seu chefe). A possibilidade de um relacionamento sério com alguém é algo que Holly tem medo, e quando a oportunidade aparece, vemos o quanto ela está despreparada para isso. Seu gato sem nome reflete sua vida sem identidade, em que ela parece se conhecer muito bem, mas quando olha para dentro se assusta por não saber o que vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O par de Holly, Paul Varjak, é interpretado por George Peppard. Paul é um escritor que se muda para o apartamento no andar de cima de Holly logo no começo do filme, e os dois se conhecem no mesmo dia. Até o momento, Paul havia escrito apenas um livro, e se encontra com um bloqueio criativo. Sem emprego como escritor profissional, é sustentado por uma amiga, de quem é amante, porém é visível que isso é algo de que ele não se orgulha - ele possui ar de playboy, porém não se porta como um, e busca em sua vida algo sério e encontra, acidentalmente, no dia de sua mudança. Seu problema maior é a pessoa por quem se apaixona. Apesar de seu bom trabalho no papel, Peppard fica na sombra de Audrey, que está em um de seus melhores papéis aqui e, afinal, o filme pertence a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme não se prende apenas ao relacionamento de Holly e Paul, com os dois se apaixonando à primeira vista e tentando vencer os obstáculos ao longo do filme (embora no primeiro encontro os dois tenham conversado um pouco demais, como se fossem ótimos amigos embora tenham se econtrado apenas para abrir uma porta). Isso é o que se veria em uma comédia romântica típica, porém em "Bonequinha de luxo" os dois começam apenas como amigos e acompanham as desventuras amorosas um do outro, tornando a relação do par algo superior aos romances comuns que temos aos montes na indústria cinematográfica. Como se tratam de dois personagens relativamente complexos, fugindo dos padrões de mocinho/mocinha impostos tantas vezes no cinema, temos aqui ótimas oportunidades de desenvolvimento, e a história as aproveita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com um roteiro bem desenvolvido, não é possível dizer que "Bonequinha de luxo" é um filme perfeito, com algumas pequenas falhas que poderiam ter sido facilmente eliminadas, mas por alguma razão permaneceram. O principal desses "defeitos" é o personagem de um dos vizinhos de Holly, o japonês que mora no último andar do prédio, sendo retratado de forma extremamente estereotipada e com momentos que deveriam ser engraçados, mas no final acabam sendo tão ridículos que nos perguntamos "Que diabos...?". A conclusão do filme também deixou a desejar, principalmente o discurso de Paul para Holly, sentimental e piegas - algo que o filme poderia ter deixado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do filme é baseada em um romance de Truman Capote que, ao vender os direitos de adaptação para a Paramount, queria que Holly fosse interpretada por Marilyn Monroe. Na época, os atores não tinham permissão de fazer filmes com o estúdio que quisessem, e Marilyn era contratada da Fox (e era um de seus maiores trunfos). Como, obviamente, a Fox não "emprestaria" Marilyn, e Audrey Hepburn era uma atriz bem-quista no cenário cinematográfico e ainda tinha contrato para mais um filme com o estúdio, foi assim que Holly ganhou vida. Dona de uma beleza diferente das beldades da época, Hepburn foi a escolha acertada para o papel, com um ar ingênuo que caiu bem à personagem - é difícil de imaginar Marilyn Monroe comendo bagel com café na frente da vitrine de uma joalheiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trilha sonora do filme é um ponto extra neste grande clássico. "Moon River", cantada por Audrey em uma parte do filme, e cuja melodia é tema do filme, se tornou uma das canções mais lembradas da história do cinema, e com mérito. Os dois Oscar recebidos pelo filme foram na área musical. É curioso ver que Audrey canta nesse filme e foi preciso dublá-la três anos mais tarde no musical "My fair lady", onde poderia cantar à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os homens que acham que comédias românticas é coisa de mulher, ou para as próprias mulheres fãs do gênero, "Bonequinha de luxo" é uma caixinha de (boas) surpresas. Com bons momentos de humor e um romance diferente dos inúmeros já vistos, esse é um filme a ser visto - sozinho, para ver como o amor é possível e surpreendente, ou acompanhado, pois o simples fato de ser romance já pede para isso. O que não pode acontecer é deixar de vê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-3592296411532261699?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/3592296411532261699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=3592296411532261699&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3592296411532261699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/3592296411532261699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/bonequinha-de-luxo.html' title='BONEQUINHA DE LUXO'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_jImAPmJywRI/RjlCIZYZG8I/AAAAAAAAAB4/lcutq8x4Kt0/s72-c/Breakfast+at+Tiffany%27s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-8956509614526333551</id><published>2007-05-02T18:34:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:42:25.204-07:00</updated><title type='text'>BELEZA AMERICANA</title><content type='html'>Beleza Americana (American Beauty, 1999)&lt;br /&gt;Dirigido por Sam Mendes&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk8spYZG2I/AAAAAAAAABI/8bGwM3dRQ6I/s1600-h/American+beauty.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk8spYZG2I/AAAAAAAAABI/8bGwM3dRQ6I/s320/American+beauty.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060142394047535970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Olhe mais de perto. "Beleza americana" é um filme que nos leva a fazermos uma auto-reflexão e analisarmos a superficialidade com que as pessoas se apresentam e como nos portamos em meio a essa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme conta a história de Lester, um homem cuja vida parece ter atingido o fundo do poço e que resolve dar uma guinada em seu destino e mudar sua situação. Lester é casado com Carolyn, uma mulher que vive apenas de aparências e que confunde sucesso com felicidade. Lester e Carolyn tem uma filha, Jane, típica adolescente: insegura e revoltada. Temos os vizinhos, dos quais se destacam Ricky, um adolescente que trafica maconha e seu pai, um militar aposentado. Para completar a galeria de personagens principais temos Angela Hayes, uma menina que faz de tudo para chamar atenção dos homens e que sonha em tornar-se modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em menos de um ano, estarei morto e, de certa forma, já estou". Essa frase, dita por Lester no começo do filme nos mostra a situação em que ele se encontra: odiado e desprezado pela família, com um emprego medíocre e aparentemente fadado a continuar nessa situação. Sua vida muda quando Lester vai com a esposa assistir à apresentação de Jane em um número de dança na escola, onde ele conhece Angela, a colega de sua filha e passa a ficar obcecado pela garota. O ponto de virada da vida de Lester, porém, é quando ele conhece Ricky e decide colocar suas frustrações pessoais e profissionais para fora e viver de forma plena. Kevin Spacey faz um ótimo trabalho ao retratar os dilemas de meia-idade enfrentados por Lester, o que o fez merecer seu Oscar de melhor ator por esse filme. Algumas das situações que Lester se depara durante o filme podem parecer exageradas, mas como o filme se trata de uma crítica às aparências, os acontecimentos não são tão absurdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não há nada pior do que ser comum". Angela Hayes é o modelo de adolescente que quer chamar atenção: só fala de sexo e se gaba por ter transado com vários. Ela é convicta de que é a pessoa mais linda do mundo e só tenta rebaixar as pessoas à sua volta. A primeira vez que Lester a vê é na cena da dança no ginásio (uma homenagem do diretor Sam Mendes ao diretor/coreógrafo Bob Fosse, criador de sucessos como "Cabaret", "Chicago" e "All that jazz"), onde as líderes de torcida dançam ao som de "On Broadway", tema de abertura de "All that jazz" e sua dança é bem no estilo das coreografias de Fosse, com movimentos pequenos, porém expressivos e sensuais. O impacto que Angela causa na vida de Lester é semelhante ao que acontece com o personagem de James Mason em "Lolita", ao conhecer a ninfeta que vira a cabeça do senhor de meia-idade. Mena Suvari foi a escolha certa para o papel, com um rosto não excepcionalmente bonito e que consegue expressar seu desprezo a todas as outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para se dar bem, uma pessoa dever apresentar uma imagem de sucesso o tempo todo". Carolyn Burnham é a personagem mais superficial do filme - seu único motivo de viver é tentar alcançar o sucesso profissional, mesmo tendo que abrir mão de sua felicidade conjugal. Em uma cena, Carolyn se importa mais com a possibilidade de Lester derrubar cerveja no sofá de 400 dólares forrado em seda italiana que com o simples prazer de aproveitar uma tarde de amor ao lado do marido. Na cena da festa em que Lester conhece Ricky, Carolyn começa a conversar com o Buddy, o "Rei imobiliário", seu principal rival de negócios e que tem o mesmo lema de vida. Annette Bening está em uma das melhores interpretações do filme, passando o ar de artificialidade que a personagem exige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Às vezes penso que há tanta beleza no mundo que acho que não consigo agüentar". Ricky é o espectador de tudo que acontece à sua volta. Ele é, juntamente com Angela, o catalisador para a jornada de auto-descobrimento de Lester, ao pedir demissão no meio de um serviço de garçon. Ricky é capaz de encontrar beleza nas coisas mais simples da vida, e denuncia a feiura quando a encontra, principalmente ao conhecer Jane e se apaixonar por ela por seu jeito recatado, jeito esse ressaltado por ela estar quase sempre junto de Angela, que é seu oposto. Sua família também é desestruturada, com seu pai preconceituoso, que comanda a casa como se fosse um exército e que tem sentimentos reprimidos, e sua mãe que passa o filme todo como se estivesse em um estado catônico, alheia à realidade à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é carregado por suas ótimas interpretações e roteiro - sua premiação com o Oscar prova que um bom roteiro ainda permanece como principal forma de entretenimento. Os diálogos do filme são excelentes, com uma mistura perfeita entre humor e drama familiar - o trailer do filme dizia "quem disse que um drama não pode ser engraçado e que uma comédia não pode ser tocante?". A direção de Sam Mendes também é muito acima do comum, ainda mais para um diretor estreante (há quem diga que essa foi a estréia mais badalada de um diretor desde "Quem tem medo de Virginia Woolf", de Mike Nichols). A história é pontuada por temas polêmicos - o desejo sexual de Lester por Angela (pedofilia), adultério, consumo de drogas e patricídio - porém os temas surgem naturalmente, sem que tenhamos uma mensagem positiva ou negativa sobre esses assuntos empurrada goela abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título "Beleza americana" se refere a um tipo de rosas comum na América do Norte e uma de suas características é a ausência de espinhos e essa flor aparece em diversas cenas do filme, e são mais notáveis nas cenas de imaginação de Lester, onde aparece no mínimo uma pétala. Assim como a rosa que não tem espinhos, os personagens do filme vivem como se não tivessem alma, apenas uma casca com uma bela aparência e que têm medo de colocarem seus espinhos para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A técnica de usar um narrador póstumo anunciando a própria morte no começo do filme, já usada em 1950 no magnífico "Crepúsculo dos deuses", é um toque especial no filme, ainda mais que sabemos que Lester será morto até o fim do filme logo após aparecer uma cena de um vídeo em que sua própria filha planeja matá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1999 foi o ano de o cinema fazer críticas à nossa sociedade moderna. David Fincher mostrou seu ponto de vista com o inovador "Clube da luta" e Sam Mendes com seu "Beleza americana". Enquanto o filme de Fincher mostra como as pessoas não têm um propósito para viver e é também uma crítica ao consumismo desenfreado, Mendes nos apresenta sua visão de como as pessoas vivem de aparência e não vivem o que realmente sentem. Fincher apresenta sua crítica de forma sutil como um elefante dançando balé, enquanto a crítica de Mendes é algo a ser subentendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos melhores de um ano de grandes filmes (1999 também foi o ano de "O sexto sentido", "À espera de um milagre" e "Magnólia"), "Beleza americana" se destaca como uma fábula moderna de como é viver de aparências e o preço que se paga quando se tenta viver uma vida sem preocupações. Lester em um momento diz "É ótimo quando nos damos conta que ainda temos a habilidade de surpreendermos a nós mesmos" e essa frase se aplica a esse filme: é ótimo ver como um filme ainda tem a habilidade de surpreender seu público.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-8956509614526333551?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/8956509614526333551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=8956509614526333551&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8956509614526333551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/8956509614526333551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/beleza-americana.html' title='BELEZA AMERICANA'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk8spYZG2I/AAAAAAAAABI/8bGwM3dRQ6I/s72-c/American+beauty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-7911572531903622337</id><published>2007-05-02T14:30:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:41:05.713-07:00</updated><title type='text'>HARRY E SALLY - FEITOS UM PARA O OUTRO</title><content type='html'>Harry e Sally - feitos um para o outro (When Harry met Sally, 1989)&lt;br /&gt;Dirigido por Rob Reiner&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk905YZG3I/AAAAAAAAABQ/KmgVenliB70/s1600-h/When+Harry+met+Sally.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk905YZG3I/AAAAAAAAABQ/KmgVenliB70/s320/When+Harry+met+Sally.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060143635293084530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A premissa de que homens e mulheres não podem ser apenas amigos é o tema principal de "Harry e Sally", mais uma comédia romântica no interminável mar de filmes do gênero - e não apresenta nada que já não tenha sido visto previamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harry e Sally se conhecem em uma viagem de carro de Chicago a Nova York e, durante essa viagem, resolvem conversar. Ao fim da jornada, os dois se dão conta que não têm nada a ver um com o outro e cada um segue seu caminho até, cinco anos mais tarde, se reencontrarem por acaso. Ainda com as conversas da viagem na cabeça, Sally se convence que Harry não presta e ignora-o, até os dois se reencontrarem mais cinco anos depois. Nessa ocasião, os dois recém terminaram seus relacionamentos e acabam se tornando amigos, o que é totalmente contrário às crenças de Harry, que afirma que não há a possibilidade de duas pessoas de sexos opostos serem amigas sem que haja desejo sexual de uma das partes. Isso é pela metade do filme, e a segunda metade desenvolve os personagens e a evolução de sua amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o gênero "comédia romântica" já foi explorado inúmeras vezes, "Harry e Sally" não apresenta nenhuma inovação - apenas lançou Meg Ryan ao estrelato, e a mesma aqui mostra o primeiro exemplo de seu gênero próprio de cinema. A definição de um "filme Meg Ryan" é comédia romântica, em que o casal sempre se odeia mas de alguma maneira acabam juntos (além, é claro, de terem Meg Ryan no papel da mocinha). Os principais representantes desse gênero são "Sintonia do amor", "Mensagem pra você" e "A lente do amor" (note que a palavra "amor" também é quase um pré-requisito aqui nas terras tupiniquins).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Harry e Sally" é um filme de tom bem episódico, com cada período da vida deles sendo um segmento. Entre cada um desses "pedaços" de história, temos um casal de velhinhos diferente dando um depoimento de como se conheceram e algo curioso sobre suas relações e esses comentários servem para contrastar com a relação do casal-título do filme. Os dois passam por mais baixos que altos, mas desde que os dois se conhecem no começo do filme (e também com a ajuda do subtítulo infame "feitos um para o outro), sabemos a que conclusão a história chegará - assim como os outros filmes "Meg Ryan" (previsibilidade é outra característica do gênero).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura narrativa da obra lembra muito alguns filmes de Woody Allen ("Noivo neurótico, noiva nervosa", por exemplo), e também encontramos inúmeras referências a cultura pop - quem nunca assistiu "Casablanca" não deve assistir esse filme, pois há uma discussão filosófica sobre o final do clássico. Em diversas cenas encontramos "split-screens" (cenas em que a tela é dividida para mostrar duas ou mais coisas ao mesmo tempo) e essas são usadas com efeito e maestria, como em uma cena em que um casal amigo de Harry e Sally falam ao telefone com os dois, um em cada linha, tornando a situação mais engraçada do que realmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produtora Nora Ephron - que alguns anos mais tarde viria a se tornar diretora - é uma das responsáveis pela criação do gênero Meg Ryan (ela quem dirigiu "Sintonia do amor" e "Mensagem pra você). Aqui ela produziu (e escreveu) um dos melhores filmes desse gênero único e que foi copiado diversas vezes sem sucesso - apenas Meg Ryan consegue ser Meg RYan. Apesar de ser um filme eficiente, não é um bom exemplo de uma comédia hilária - possui apenas algumas cenas (um pouco) engraçadas - e como drama também não é muito funcional. O que faz o filme funcionar é a mistura de todos os elementos (e, óbvio, a Meg Ryan).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por parte do elenco não há grandes reclamações. O personagem de Harry, interpretado por Billy Crystal é tão irritante quanto o ator em si, o que cai bem na tela e permite ao expectador partilhar das opiniões de Sally quanto ao mesmo. Meg Ryan é quem carrega o filme (não custa lembrar que é um filme de um gênero próprio da atriz) e interpreta realmente bem a personagem de Sally, passando por toda a metamofose do mau gosto dos anos 70-80 e finge orgasmos de modo que seria impossível duvidar de que não era verdadeiro a não ser pelo lugar onde isso acontece. Uma surpresa agradável no elenco de suporte é Carrie Fischer, que aqui aparece sem a famosa combinação de penteado exótico e biquíni dourado de "O retorno de Jedi". Apesar de fazer um papel totalmente diferente da princesa Leia, Carrie Fischer ainda assim continua com a mesma expressão que manteve durante toda a trilogia de "Star Wars", mas pelo menos é bom ver um rosto familiar em um papel diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já viu um filme "Meg Ryan" já viu todos, porém vale a pena dar uma conferida nesse, nem que seja para ver a clássica cena do orgasmo falso ou ver Carrie Fischer sem seu penteado de princesa Leia. Apenas deve se ter em mente que a vida não vai mudar após assistir o filme e que o cérebro pode ser esquecido no armário antes de assistí-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-7911572531903622337?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/7911572531903622337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=7911572531903622337&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/7911572531903622337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/7911572531903622337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/harry-e-sally-feitos-um-para-o-outro.html' title='HARRY E SALLY - FEITOS UM PARA O OUTRO'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk905YZG3I/AAAAAAAAABQ/KmgVenliB70/s72-c/When+Harry+met+Sally.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-4275354043278628313</id><published>2007-05-02T13:51:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:39:50.877-07:00</updated><title type='text'>FARRAPO HUMANO</title><content type='html'>Farrapo humano (The lost weekend, 1945)&lt;br /&gt;Dirigido por Billy Wilder&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk-1JYZG5I/AAAAAAAAABg/tT4wHi_Nd0A/s1600-h/The+lost+weekend.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk-1JYZG5I/AAAAAAAAABg/tT4wHi_Nd0A/s320/The+lost+weekend.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060144739099679634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O cinema é uma forma de expressão das mais eficientes, podendo passar uma mensagem a milhares de pessoas e entreter ao mesmo tempo. Atualmente, temos a televisão e a internet, porém em 1945, ano de produção de "Farrapo humano", as principais formas de comunicação eram o rádio e o cinema. "Farrapo humano" foi um dos filmes pioneiros na área de crítica social embutida no contexto da história, e com isso garante seu lugar na história da sétima arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um título vítima de má tradução por parte da distribuidora nas terras tupiniquins, o título original (O fim de semana perdido) se refere ao fim de semana em que a história se passa. Don Birman é um escritor que passa por uma crise de criatividade e o fato de ser um alcóolatra compulsivo não ajuda em nada a situação. Seu irmão, Wick, planeja um fim de semana para os dois no campo, a fim de afastar Don da bebida. Porém, ao ficar sozinho por algumas horas, Don sai de seu apartamento e bebe até perder a hora de sua viagem. Ele, então, fica pela cidade tentando arranjar alguma maneira de poder beber mais e mais. Durante algumas de suas bebedeira conhecemos um pouco de sua história, à medida que ele vai contando-a ao garçom ou algum conhecido no bar. Seria impossível não mencionar sua namorada Helen, uma moça rica absolutamente apaixonada pelo escritor, que não desiste dele mesmo sabendo de seus problemas com a garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de comum nos dias de hoje, antes de "Farrapo humano" eram incomuns os filmes que tentavam fazer alguma forma de crítica à sociedade de maneira explícita. Esta foi uma obra inovadora nesse aspecto. O diretor e roteirista Billy Wilder possuia o dom de apresentar filmes com temas polêmicos - a frieza do cinema com estrelas mais antigas em "Crepúsculo dos deuses" ou a idéia de adultério em "O pecado mora ao lado" - e aqui ele põe na tela um problema que aflige grande parte das famílias: o alcoolismo. Tratar de assuntos polêmicos de forma explícita pode tornar o filme condescendente demais com as vítimas dos problemas abordados ou parecer tentar empurrar uma mensagem goela abaixo de quem assiste, e esse é o pior problema de filmes como "A luz é para todos" e "No calor da noite", obviamente inspirados em "Farrapo humano". O único problema claramente visível com "Farrapo humano" está no personagem de Don, que na maior parte das vezes se enche de auto-piedade, discordando de todos que dizem existir uma saída para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das inovações na história e roteiro de cunho social, este filme também apresentou novidades na área técnica que, apesar de pequenas, passaram a ser usadas largamente nos anos posteriores. Uma das mais notáveis foi o estilo de filmar um personagem caminhando em direção à câmera, enquanto marquises e sinais de neon passam por trás dele. Além disso, "Farrapo humano" também foi o primeiro filme a usar o teremin na composição da trilha sonora. O teremin é um instrumento musical responsável pela criação de um som muito utilizado em filmes de alienígenas, porém utilizado em Farrapo Humano para salientar a sensação de embriaguez de Don.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado no livro homônimo de Charles R. Jackson, o filme não é fiel a obra literária. No livro, o personagem de Don bebia devido a conflitos internos relacionados à sua orientação sexual, porém o tema não foi explorado por anos e era sempre eliminado nas adaptações para cinema (um exemplo é "Gata em teto de zinco quente", que removeu o homossexualismo de sua história). Mesmo com seu potencial podado por medo da reação do público ao tema, "Farrapo humano" ainda assim continua uma obra eficiente, como exemplo de inovação na arte de fazer cinema. Uma das obras mais conhecidas da literatura moderna, "O iluminado", é claramente uma versão de terror desse filme. Inclua um hotel com fantasmas e Don facilmente se torna o personagem Jack do livro de Stephen King.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um pouco exagerado em alguns momentos, esse é um filme que vale ser visto por diversas razões, seja para ver como a bebida pode arruinar uma vida ou o modo como o cinema pode cumprir uma função social de forma convincente. Em "Farrapo Humano", Billy Wilder novamente toca nas feridas do público e abre novos horizontes na indústria cinematográfica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-4275354043278628313?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/4275354043278628313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=4275354043278628313&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4275354043278628313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/4275354043278628313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/farrapo-humano.html' title='FARRAPO HUMANO'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk-1JYZG5I/AAAAAAAAABg/tT4wHi_Nd0A/s72-c/The+lost+weekend.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-2593774177231990440</id><published>2007-05-01T22:46:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:39:36.472-07:00</updated><title type='text'>AMOR, SUBLIME AMOR</title><content type='html'>Amor, sublime amor (West Side Story, 1961)&lt;br /&gt;Dirigido por Jerome Robbins e Robert Wise&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_K5YZG6I/AAAAAAAAABo/IczIIyGEYdM/s1600-h/West+Side+Story.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_K5YZG6I/AAAAAAAAABo/IczIIyGEYdM/s320/West+Side+Story.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060145112761834402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar da péssima tradução do título (cuja tradução correta seria "História do lado Oeste" ou algo do gênero), "Amor, sublime amor" não é apenas mais um filme de romance, e sim um frenesi de dança e música além, é claro, do amor, sublime amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um filme cuja originalidade é dúbia: por um lado, temos a velha história de Romeu e Julieta, dois amantes que não podem ficar juntos, por pertencerem a grupos rivais e que mesmo assim resolvem ignorar tudo e tentam ficar unidos. O lado original do filme é apresentar essa história já contada tantas vezes em um cenário urbano moderno (na época) e através de um musical que esbanja estilo e boas músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens do filme se resumem a dois grupos - os Jets, rapazes americanos que sempre dominaram a área da cidade onde moram (o citado lado oeste), e seus rivais, os Sharks, um grupo de porto-riquenhos que se mudou para o território dos Jets e não pensam em sair de lá. O Romeu da história, cujo nome aqui é Tony, é um dos Jets, porém já "aposentado" (deixou a vida de desocupado e trabalha). Tony não quer mais saber das brigas de gangues, porém é convencido por seu melhor amigo Riff a ir a uma reunião onde estarão os membros do grupo rival. É nessa reunião que Tony conhece a Julieta da história, Maria, e instantaneamente se apaixona por ela (e ela também por ele). Entre os personagens do filme, destacam-se também Bernardo, irmão de Maria, e Anita, sua companheira. Bernardo e Riff são os líderes de seus grupos, e ao se verem soltam faíscas de seus olhares de tamanho ódio que têm as gangues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história aborda alguns temas de estudo interessantes, como preconceito racial, xenofobia e violência urbana, tornando o filme, por mais clichê que seja, ainda assim uma forma de passar uma mensagem ao público que o assiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que se nota ao assistir o filme são as interpretações - e aqui temos um pouco de tudo. Enquanto George Chakiris (Bernardo) e Rita Moreno (Anita) estão ótimos em seus papeis, infelizmente não podemos dizer o mesmo do resto do elenco. Os componentes dos grupos aparecem relativamente pouco, tornando difícil analisar suas performances (o que importa é que saibam dançar). O pior do filme realmente são os personagens principais - Richard Beymer, como Tony e Natalie Wood, como Maria - ambos parecendo erroneamente escalados para os papéis. Beymer, além de não ter a menor expressão dramática (algo que seu personagem deveria ter), faz um mau trabalho como Tony, com momentos que chegam a ser risíveis, e não tem o porte de rapaz que conquistaria uma garota à primeira vista. Natalie Wood se esforça, porém não convence como Maria, fazendo um sotaque latino extremamente falso (e engraçado, na maior parte das vezes), além de não convencer nas cenas de canto - a voz de canto era de Marni Nixon, uma camaleoa na área de canto que para Maria usa um tom quase lírico, impróprio para Wood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler todas essas críticas, é difícil de acreditar que esse foi um dos filmes que mais recebeu Oscars na história (10 ao todo). Enquanto as interpretações podem deixar a desejar, a área técnica do filme impressiona com seus detalhes e precisão. A fotografia do filme utiliza muito bem o potencial de cores que o sistema Technicolor tem a oferecer, com cenários e figurinos coloridíssimos a ponto de encher os olhos (embora não seja tão colorido como os musicais das décadas anteriores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto mais sensível a se tratar, quando se fala de musicais, são as músicas, o primeiro ponto que os detratores do gênero atacam ao falar mal dos filmes. Este é um exemplo de filme que consegue mesclar com perfeição as músicas e a história, músicas essas cujas letras são ao mesmo tempo inteligentes e contagiantes, tornando difícil para o espectador a tarefa de manter-se parado e não sair dançando. Embora não avancem a história (com exceção de "A boy like that" em que Anita e Maria conversam cantando), as músicas ainda assim ajudam no desenvolvimento dos personagens, revelando seus pensamentos, desejos, frustrações, enfim, tudo o que se mostrado de outra forma não teria o mesmo impacto (esse é um dos grandes trunfos dos filmes musicais). Em "America" temos os porto-riquenhos e suas esposas discutindo sobre as vantagens e desvantagens de se morar nos Estados Unidos, e com isso ganhamos música da melhor qualidade e dança que é de vislumbrar até os menos entusiasmados com o gênero. Em "Tonight" temos um quinteto formado pelos Jets, Sharks, Anita, Maria e Tony, indicando os acontecimentos que virão a acontecer na noite em que se trata a música, com seu ápice no final em que é praticamente impossível não acabar cantando junto com o grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As danças em "Amor, sublime amor" são um motivo a mais para se assistir o filme. Durante alguns minutos em vários pontos do filme, somos presenteados com alguns dos maiores números musicais já vistos na história cinematográfica. O diretor Jerome Robbins foi responsável por essas cenas do filme, e seu esforço se mostra claro em cada cena em que há alguém dançando no filme. Robbins era tão perfeccionista que os atores/dançarinos dançavam até que o diretor conseguisse o que queria e só paravam em caso de um tornozelo sangrando ou algo parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos musicais dos anos 40 e 50, esse é um filme inovador no sentido de que a história não é apenas uma desculpa para juntar um grupo de músicas, e sim um filme em que as músicas fazem parte da história. Provavelmente um dos poucos exemplares de musicais que não contam uma história feliz, "Amor, sublime amor" também é um dos primeiros filmes do gênero a apresentar mensagens de cunho social, embora, felizmente, o tema não seja algo que os realizadores do filme tentam nos empurrar à força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não gosta de musicais, não é esse o filme que vai convencê-los a gostar do gênero, porém para os fãs do gênero, esse é um festival de tudo que o o gênero tem a oferecer - brilhantismo técnico e, claro, ótimas músicas e cenas de dança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-2593774177231990440?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/2593774177231990440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=2593774177231990440&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2593774177231990440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/2593774177231990440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/amor-sublime-amor.html' title='AMOR, SUBLIME AMOR'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_K5YZG6I/AAAAAAAAABo/IczIIyGEYdM/s72-c/West+Side+Story.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1469847719691114107.post-1436072103445518399</id><published>2007-05-01T22:32:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T22:38:33.181-07:00</updated><title type='text'>MOULIN ROUGE!</title><content type='html'>Moulin Rouge! - Amor em vermelho (Moulin Rouge!, 2001)&lt;br /&gt;Dirigido por Baz Luhrmann&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por Flávio Brun&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_bJYZG7I/AAAAAAAAABw/hdlPBMzOS_4/s1600-h/Moulin+Rouge%21.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_bJYZG7I/AAAAAAAAABw/hdlPBMzOS_4/s320/Moulin+Rouge%21.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060145391934708658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É difícil imaginar uma obra conseguir juntar "The sound of music" (canção-título do filme "A noviça rebelde") e "Like a virgin" (da Madonna) e ainda manter uma história coerente, porém "Moulin Rouge!"consegue fazer isso e muitas outras coisas impensáveis até o momento. Graças a esse filme, o gênero musical reapareceu de cara nova e voltou a fazer parte da cultura popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Havia um garoto estranho e encantado" - esse "garoto" é Christian (interpretado por Ewan McGregor), um escritor que possui uma "ridícula obssessão por amor" (palavras de seu pai). Pobre, porém talentoso, Christian resolve ir a Paris, levado pela onda da revolução boêmia - cujos ideais eram liberdade, beleza, verdade e amor - e pretende escrever sua maior obra que contempla todos os ideais, principalmente amor. Seu problema é que ele nunca havia se apaixonado e então não tinha como escrever sobre algo que nunca havia sentido. Após uma série de incidentes que parecem ter saído de um curta dos Looney Tunes e uma visão de uma fada verde saindo de uma garrafa de absinto, Christian consegue sua oportunidade de conhecer o tão nobre sentimento e ainda por cima poderá escrever sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós vivemos em um mundo materialista" - e Satine (Nicole Kidman) é uma garota materialista. Pelo menos essa é a maneira que somos apresentados à protagonista da história. Satine é a cortesã que trabalha no Moulin Rouge, o mais famoso bordel parisiense, e a garota é a atração principal do lugar. Na primeira noite de Christian no Moulin Rouge, Satine confunde-o com um duque, e se apaixona por ele por acidente, quando deveria se apaixonar pelo verdadeiro duque, causando várias situações engraçadas no começo, e perigosas no fim. Como sabemos desde os primeiros minutos do filme, Satine sofre de uma doença mortal que não a deixará viva até o fim do filme, o que torna "Moulin Rouge!" um musical atípico no sentido de que não apresenta uma história de tom alegre e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os coadjuvantes da história formam uma coleção de personagens das mais variadas personalidades possíveis - Zidler, o dono do bordel que sonha em transformar o moinho vermelho em uma casa de espetáculos; Toulouse Latrec, um anão boêmio que tornou-se figura lendária do verdadeiro Moulin Rouge; o duque, o grande vilão da história cujas aparições e ingenuidade beiram o patético, porém sua presença e poder são ameaçadores. Além desses, temos várias dançarinas de cancã, um guarda-costas matador de aluguel e alguns artistas boêmios - incluindo um argentino que sofre de narcolepsia e dorme nas horas mais impróprias. Apenas com os nomes creditados, também temos Placido Domingo, como a lua cantante, Ozzy Osbourne, que apenas faz uma pequena voz de fundo, e Kylie Minogue como a fadinha verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Moulin Rouge!" obtém atuações de primeira grandeza de maior parte do elenco - com destaque para Nicole Kidman, que brilha como um diamante ao interpretar Satine (seus momentos no elefante com Christian são ótimos). O problema principal do elenco é Richard Roxburgh como o duque, interpretando o mesmo de forma totalmente caricata - se essa era a intenção do diretor, não foi uma decisão acertada - porém não é esse detalhe que diminuirá a apreciação do filme. Diferentemente do costume praticado nos musicais antigos de dublar os atores nos momentos de canto, os atores em "Moulin Rouge" cantam e surpreendentemente bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se falar da história de musicais, "Moulin Rouge!" garantiu seu lugar na história do cinema ao apresentar o filme mais vibrante, colorido e frenético que o gênero já viu. Em uma extravagância sonora e visual, esse filme apresenta uma história de amor (tema que nunca se tornará ultrapassado) embalada por músicas que são parte da cultura popular de artistas como Madonna, Queen, Nirvana, Elton John, entre muitos outros. Essa forma de montar um musical já havia sido usada em 1952, quando "Cantando na chuva" reuniu várias músicas conhecidas na época e usou uma história simples para reunir tudo. A grande diferença de "Moulin Rouge!" para "Cantando na chuva", no quesito de encaixe das músicas na história, é que em "Moulin Rouge!" os diálogos e a história são contados usando trechos das canções, enquanto em "Cantando na chuva" as músicas parecem apenas uma desculpa para o filme ter sido feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1997, o diretor Baz Luhrmann havia feito sua visão moderna de "Romeu e Julieta", mantendo o texto original de William Shakespeare e atualizando o cenário para uma visão moderna da história. Em "Moulin Rouge!", Luhrmann usou do estilo inovador em cinematografia e criou a Paris que todo turista tem em mente, com todas as cores e sons que apenas o gênero musical pode apresentar. O trabalho artístico desempenhado no filme é algo sem precedentes, onde as cores são quase como um personagem - um exemplo disso é ver que fora da casa noturna, a cidade se apresenta apenas em tons cinzentos, porém ao entrar lá se vê uma explosão de cores que chega a ser difícil de acompanhar. A fotografia do filme usa ao extremo de cenários digitais e de cores altamente saturadas, comparável aos grandes musicais em Technicolor dos anos 40 e 50. Os figurinos também são um espetáculo à parte, com os vestidos esvoaçantes das dançarinas de cancã, lingerie de Satine, entre vários outros exemplos de um trabalho bem feito na área. A direção de arte é mais um exemplo de como a área técnica do filme foi bem trabalhada - a cada vez que se assiste se nota algum detalhe que não se havia notado antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feito mais notável de "Moulin Rouge!", além das ótimas músicas (a grande maioria delas são facilmente reconhecíveis para quem tem o mínimo conhecimento musical) e do trabalho artístico envolvido no filme, é sua edição. Aqui vemos uma obra composta de centenas de cenas curtíssimas, com cortes ininterruptos durante os números musicais, em um estilo de videoclipe constante. A impressão que dá ao término do filme é que assistimos ao videoclipe de uma música de duas horas de duração, totalmente atordoados (no bom sentido) pelo ritmo non-stop criado por Luhrman. Esse é um dos motivos pelos quais o filme fez mais sucesso no mercado doméstico que no cinema - a familiarização das pessoas com as músicas e a possibilidade de poder assitir apenas o trecho que preferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos filmes mais importantes da década, "Moulin Rouge" é considerado um dos maiores musicais já feitos, e com razão. Responsável pela ressurreição do gênero - nenhum musical tinha sido indicado ao Oscar de melhor filme desde "All that Jazz", em 1979 - esse foi um dos grandes injustiçados da premiação da Academia ao perder o prêmio de melhor filme para "Uma mente brilhante". Para quem diz que não gosta de musicais, esse é o filme para descobrir que o gênero é capaz de unir história e música com perfeição. Se a história não agradar, as músicas certamente irão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1469847719691114107-1436072103445518399?l=pipocacomsabordecinema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/feeds/1436072103445518399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1469847719691114107&amp;postID=1436072103445518399&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1436072103445518399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1469847719691114107/posts/default/1436072103445518399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pipocacomsabordecinema.blogspot.com/2007/05/moulin-rouge.html' title='MOULIN ROUGE!'/><author><name>Flávio Brun</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15715752246939309138</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_jImAPmJywRI/Rjk_bJYZG7I/AAAAAAAAABw/hdlPBMzOS_4/s72-c/Moulin+Rouge%21.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
